
A peste pneumônica é a forma da peste que atinge os pulmões e pode passar de uma pessoa para outra por partículas respiratórias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os sintomas, como falta de ar e tosse, às vezes com sangue, aparecem rápido, em alguns casos em menos de 24 horas. Sem tratamento, ela é sempre fatal, mas os antibióticos funcionam quando dados cedo. No Brasil, o Ministério da Saúde informa que não há caso humano de peste desde 2005.
Neste artigo
Esta reportagem explica a doença com base na OMS e no Ministério da Saúde: o que é, como se transmite, quais são os sintomas, como se trata e qual é a situação no país.
O que é a peste pneumônica
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, encontrada em geral em pequenos mamíferos e em suas pulgas, segundo a OMS. Ela tem três formas clínicas principais: bubônica, septicêmica e pneumônica. A bubônica é a mais comum. A pneumônica é a mais virulenta e a que mais preocupa, porque qualquer pessoa com a forma pulmonar pode transmitir a doença por partículas respiratórias.
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A OMS afirma que a peste pneumônica é especialmente contagiosa e pode provocar epidemias graves por transmissão entre pessoas. A forma pulmonar pode surgir quando a peste bubônica avança e atinge os pulmões.
Como a peste se transmite
De acordo com a OMS, as pessoas podem se infectar de três maneiras: pela picada de pulga infectada, pelo contato direto com tecidos ou fluidos infectados e pela inalação de partículas respiratórias de um paciente com peste pneumônica. A transmissão entre pessoas da forma bubônica é rara.
O Ministério da Saúde descreve o mesmo caminho. Na forma bubônica, a transmissão ocorre pela picada de pulgas infectadas. Na pneumônica, ela se dá por gotículas lançadas pela tosse no ambiente, e a maior transmissibilidade ocorre no período em que há sintomas.
Sintomas da peste pneumônica
Segundo a OMS, os sintomas da forma pneumônica aparecem rapidamente após a infecção, em alguns casos em menos de 24 horas, e incluem sintomas respiratórios graves, como falta de ar e tosse, muitas vezes com escarro com sangue. A OMS informa que a incubação da peste, em geral, vai de um a sete dias, e o Ministério da Saúde indica de um a três dias na pneumônica e de dois a seis na bubônica.
Nas outras formas, os sinais são diferentes:
- Bubônica: febre de início súbito, calafrios, dores de cabeça e no corpo, fraqueza, náusea e vômitos, com gânglios inchados e dolorosos, os chamados bubões;
- Septicêmica: sangramento sob a pele, em alguns casos cor azulada da pele e morte do tecido nas extremidades, com risco de falência de vários órgãos.
Como a peste é diagnosticada e tratada
A confirmação exige exame de laboratório: a bactéria é identificada em amostra de pus do bubão, de sangue ou de escarro, segundo a OMS e o Ministério da Saúde.
O tratamento é feito com antibióticos e cuidados de suporte. A OMS afirma que a peste pneumônica pode ser fatal em 18 a 24 horas depois do início da doença se não for tratada, e que a recuperação é alta quando ela é detectada e tratada a tempo, em até 24 horas do início dos sintomas. O Ministério da Saúde orienta que o tratamento seja iniciado cedo, sem esperar o resultado dos exames, e que o ideal é começar nas primeiras 15 horas depois dos primeiros sintomas.
Quão fatal é a peste
Segundo a OMS, a letalidade da forma bubônica é de 30% a 60%, e as formas pneumônica e septicêmica são sempre fatais se não houver tratamento. A organização lembra que a peste causou pandemias históricas, como a Peste Negra do século 14, com mais de 50 milhões de mortes na Europa, e que hoje a doença é facilmente tratada com antibióticos.
Onde a peste ocorre hoje e como está o Brasil
A OMS informa que, entre 2019 e 2025, a maior parte dos casos relatados à organização ocorreu na República Democrática do Congo e em Madagascar. Em Madagascar, há casos de peste bubônica quase todo ano na temporada epidêmica, entre setembro e abril.
No Brasil, o Ministério da Saúde indica dois focos naturais: o do Nordeste, distribuído por Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, com pequena extensão ao Piauí, e o de Teresópolis, no Rio de Janeiro. Há ainda áreas em Minas Gerais, nos vales do Rio Doce e do Jequitinhonha, consideradas extensão do foco do Nordeste. O Pará não aparece na lista. O último caso humano no país foi em 2005, em Pedra Branca, no Ceará.
Como prevenir
A OMS recomenda informar as pessoas quando há peste em animais no ambiente, orientar sobre cuidados contra picadas de pulga, evitar manusear carcaças de animais e evitar contato direto com fluidos e tecidos infectados. A vacinação não é recomendada, exceto para grupos de alto risco, como o pessoal de laboratório e os profissionais de saúde.
O Ministério da Saúde orienta evitar contato com roedores silvestres e com animais que vivem perto das pessoas, porque eles podem ter pulgas infectadas. Pacientes com peste pneumônica devem ser isolados, e máscaras reduzem a propagação, segundo a OMS. Os contatos próximos recebem antibióticos preventivos por sete dias.
Entenda
Zoonose é uma doença transmitida de animais para pessoas. Bubão é o gânglio linfático inchado e doloroso. Letalidade é a proporção de pessoas doentes que morrem. Foco natural é a área onde a bactéria circula entre animais e pulgas. Notificação compulsória é a obrigação de comunicar o caso às autoridades de saúde.
Perguntas frequentes
A peste pneumônica é transmitida de pessoa para pessoa?
Sim. Segundo a OMS, qualquer pessoa com peste pneumônica pode transmitir a doença por partículas respiratórias.
A peste pneumônica tem cura?
Sim, com antibióticos, quando o tratamento começa cedo. A OMS informa que a recuperação é alta se a doença for tratada em até 24 horas do início dos sintomas.
Existe peste no Brasil?
O Ministério da Saúde indica focos naturais no Nordeste e em Teresópolis (RJ), mas informa que o país não registra caso humano desde 2005.
Existe vacina contra a peste?
A OMS não recomenda a vacinação, exceto para grupos de alto risco, como pessoal de laboratório e profissionais de saúde.
O que fazer a seguir
Quem tiver febre alta, falta de ar e tosse com sangue depois de viagem a área com peste ou contato com um paciente deve procurar atendimento imediatamente. No Brasil, todo caso de peste é de notificação obrigatória, e a notificação deve ser feita em até 24 horas às autoridades de saúde, segundo o Ministério da Saúde.
Com informações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde.
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