Fogo cai 13,6% no país em setembro, mas sobe 74% na Amazônia

Fogo cai 13,6% no país em setembro, mas sobe 74% na Amazônia
Foto: Vinícius Mendonça/Ibama (brigadista do Prevfogo em área de fogo no Amazonas, 30/08/2019, foto de arquivo). Licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

O Brasil registrou 24.382 focos de calor em setembro de 2026, 13,6% menos que os 28.214 de setembro de 2025, segundo o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A queda nacional esconde um movimento oposto na Amazônia: no bioma, os focos subiram 74%, de 7.211 para 12.562, enquanto o Cerrado recuou 44%.

Neste artigo
  1. O que o Inpe registrou em setembro
  2. Por que o país caiu e a Amazônia subiu
  3. Acre e Amapá: dois sinais diferentes
  4. Como ler o número sem exagero
  5. Entenda
  6. O que acompanhar em outubro

Os números valem para o satélite de referência do Inpe, o AQUA_M-T, que usa o mesmo método de detecção e passa em horários próximos ao longo dos anos, o que permite comparar um ano com o outro. Setembro de 2026 é o menor da série desse satélite, que começa em 2003. O recorde recente é de setembro de 2024, com 83.154 focos.

O que o Inpe registrou em setembro

O Pará lidera o ranking de estados, com 5.224 focos, seguido por Amazonas (3.726), Bahia (2.747), Maranhão (2.481) e Mato Grosso (1.964). Em 2025, a lista era encabeçada por Maranhão (4.595), Bahia (3.337) e Pará (2.967).

Na comparação com o mês anterior, o país subiu 20,6%: agosto de 2026 teve 20.222 focos. A Amazônia concentrou 51,5% de todos os focos do país no mês. Em setembro de 2025, a fatia do bioma era de 25,6%. O Cerrado, que liderava em 2025 com 14.543 focos, caiu para 8.104.

Recorte (satélite AQUA_M-T)Set/2026Set/2025Variação
Brasil24.38228.214-13,6%
Amazônia12.5627.211+74,2%
Cerrado8.10414.543-44,3%
Caatinga2.5033.363-25,6%
Pantanal102189-46,0%
Pará5.2242.967+76,1%
Amazonas3.726942+295,5%
Acre877840+4,4%
Amapá23573+221,9%

Por que o país caiu e a Amazônia subiu

A conta nacional é dominada pelo Cerrado e pelo Nordeste. Segundo os dados do Inpe, o Maranhão passou de 4.595 para 2.481 focos (queda de 46%), Goiás de 1.625 para 431 e a Bahia de 3.337 para 2.747. Esses recuos pesaram mais no total do que os aumentos do Norte.

Já no Norte, o movimento foi contrário. O Pará avançou 76% e o Amazonas quase quadruplicou, de 942 para 3.726 focos. Rondônia subiu de 388 para 515 e Roraima de 108 para 216.

Os dados do Inpe mostram onde há fogo, não por que ele aparece. Sobre as causas, a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, afirmou em entrevista publicada em 26 de agosto de 2026: “El Niño não coloca fogo na vegetação; no Brasil, a ignição é humana”. Segundo ela, em períodos de seca o fogo tende a se espalhar mais rápido, ficar ativo por mais tempo e atingir áreas maiores.

Acre e Amapá: dois sinais diferentes

No Acre, o salto de 80% divulgado nos balanços estaduais compara setembro com agosto: foram 877 focos em setembro contra 487 em agosto, segundo o Inpe. Na comparação com setembro de 2025, a alta é de 4,4% (840 focos).

Feijó (165 focos) e Tarauacá (153) concentraram mais de um terço do total acreano. Em setembro de 2025, Tarauacá tinha 152 e Feijó, 121. O Acre segue longe dos picos da série do Inpe: 6.693 focos em setembro de 2022 e 3.855 em setembro de 2024.

No Amapá, o aumento é real mesmo em termos anuais. Foram 235 focos em setembro de 2026, 3,2 vezes os 73 de setembro de 2025. Tartarugalzinho passou de 14 para 63 focos e Calçoene registrou 48 no mês. O número ainda é pequeno em valores absolutos: o estado tem menos de 1% dos focos do país, mas já é o maior setembro amapaense desde 2023, quando foram 434.

Como ler o número sem exagero

Um foco de calor indica fogo detectado em um pixel da imagem de satélite. Segundo o Inpe, a relação entre foco e queimada não é direta: uma única queimada extensa pode gerar vários focos, e vários fogos pequenos podem aparecer como um só. O número serve para comparar períodos e regiões, mas não mede área queimada nem desmatamento.

Há outra limitação. O satélite vê o fogo apenas no instante em que passa sobre a região, e, de acordo com o Inpe, as nuvens impedem a detecção. Em um mês mais chuvoso ou nublado, parte do fogo pode ficar invisível. Por isso, a série do satélite de referência é a base de comparação entre anos.

Entenda

Foco de calor é uma detecção de fogo ativo por satélite, não uma medida de floresta ou área queimada. O Programa Queimadas do Inpe usa o AQUA_M-T como referência para comparar anos. Todos os números desta reportagem vêm desse satélite. Outros satélites contam mais focos, mas não servem para comparar com a série histórica.

O que acompanhar em outubro

Na série do Inpe, setembro costuma ser o auge do ano. Entre 2003 e 2025, o mês teve em média 67.012 focos no país, contra 38.254 em outubro, e outubro superou setembro em apenas 2 dos 23 anos. Em 2025, porém, os dois meses ficaram praticamente iguais: 28.214 em setembro e 28.678 em outubro.

O clima é o fator a observar. Em 10 de setembro de 2026, o Centro de Previsão Climática da agência norte-americana NOAA manteve o alerta de El Niño e informou que o fenômeno se fortalece, com chance superior a 90% de um evento muito forte no outono e no inverno do Hemisfério Norte de 2026 e 2027. Cabe acompanhar se esse cenário se reflete em mais fogo nas semanas seguintes.

O Inpe atualiza os dados de queimadas a cada dez minutos, o que permite acompanhar outubro quase em tempo real. A comparação entre Amazônia e Cerrado, e entre Acre, Amapá e Amazonas, mostrará se setembro foi um pico passageiro ou o início de uma tendência.

Água da chuva estocada pode esconder bactérias e metais Ler →

O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.

⭐ Adicionar Pará+ como Fonte Preferencial

Como funciona em 3 passos:

  1. Pesquise qualquer assunto no Google
  2. Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
  3. Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!