Chá de cravo à noite: pode tomar antes de dormir? O que se sabe

Chá de cravo à noite: pode tomar antes de dormir? O que se sabe

Os documentos oficiais lidos para esta matéria não trazem estudo em humanos que mostre que o chá de cravo ajuda a dormir ou tira o sono. O relatório da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) sobre o cravo cita sobre sedação apenas um experimento antigo em camundongos com óleo essencial, e o comitê da agência decidiu, em 2011, não criar uma monografia para o botão floral do cravo. Já o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, da Anvisa, indica o chá de canela para queixas digestivas leves e o contraindica na gestação, na lactação e para menores de 18 anos.

Neste artigo
  1. O chá de cravo ajuda a dormir ou tira o sono?
  2. O que a EMA concluiu sobre o cravo
  3. O perigo do óleo de cravo engolido
  4. O que a Anvisa diz sobre o chá de canela
  5. Quem deve evitar
  6. Pode tomar à noite?
  7. Entenda
  8. Perguntas frequentes
  9. O que fazer a seguir

Xícara de chá fumegante ao lado de paus de canela e cravos da índia sobre mesa de madeira

O chá de cravo ajuda a dormir ou tira o sono?

As duas dúvidas aparecem muito nas buscas, mas a resposta oficial é a mesma: não há dado que sustente nenhuma das duas. No relatório da EMA, a única referência a efeito sedativo é um estudo de 1973 em camundongos que receberam óleo essencial de cravo, e os autores observaram uma redução da movimentação dos animais que não aumentava com a dose. É um resultado com animais e com óleo, não com chá.

Por isso, não é possível afirmar que o chá de cravo relaxa, dá sono ou prejudica o descanso. Quem sente que o chá interfere no sono pode simplesmente deixar de tomá-lo à noite.

Assista em vídeo

O que a EMA concluiu sobre o cravo

O comitê de medicamentos fitoterápicos da EMA avaliou o botão floral do cravo-da-índia (Syzygium aromaticum) e o óleo essencial em um relatório conjunto. Em 22 de novembro de 2011, decidiu que não seria criada uma monografia europeia para o botão floral, porque não havia produtos europeus com o cravo como único ingrediente e a prioridade era baixa.

Sobre o óleo essencial, o relatório afirma que, em concentrações altas, ele age como irritante local e pode causar reações alérgicas. Quando aplicado diluído, não há relatos publicados de eventos adversos graves. Sobre gravidez e amamentação, o documento diz que não há dados e que o uso não é recomendado.

O perigo do óleo de cravo engolido

O mesmo relatório descreve casos graves de crianças pequenas que engoliram óleo de cravo: um menino de 2 anos teve convulsões e perda de consciência após ingerir cerca de 10 ml, e um bebê de 15 meses e outro de 3 meses tiveram insuficiência hepática grave depois de beber o óleo. São casos de óleo concentrado, e não de chá, mas mostram por que o frasco deve ficar fora do alcance de crianças.

O que a Anvisa diz sobre o chá de canela

O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira (2ª edição) traz monografia da canela-do-ceilão (Cinnamomum verum), e não do cravo. Segundo o formulário, o infuso da casca é indicado como auxiliar no tratamento sintomático de queixas gastrointestinais leves, como cólicas, distensão abdominal e flatulência, e no alívio da diarreia leve não infecciosa.

  • Preparo: infusão de 0,5 a 1 g de casca seca e rasurada em água, durante 10 a 15 minutos;
  • Uso: tomar o infuso de 10 a 15 minutos após o preparo, até quatro vezes ao dia, de preferência após as refeições;
  • Público: uso adulto.

Quem deve evitar

Segundo o formulário, o chá de canela é contraindicado para quem tem hipersensibilidade aos componentes, durante a gestação e a lactação e para menores de 18 anos. Se os sintomas digestivos persistirem por mais de duas semanas, o uso deve ser suspenso e um médico consultado. Em caso de diarreia, se os sintomas passarem de dois dias ou houver sangue nas fezes, também é preciso procurar um médico.

Para o cravo, a EMA diz não haver dados sobre gravidez e amamentação e não recomenda o uso nesses períodos. O relatório também registra que o óleo de cravo reduziu, em laboratório, a agregação das plaquetas, células ligadas à coagulação do sangue. Como o dado é de laboratório e com óleo, não dá para dizer que o chá interfere na coagulação, mas quem toma anticoagulantes ou vai fazer cirurgia pode perguntar ao médico antes de usar o cravo com frequência.

Pode tomar à noite?

Nenhum dos documentos lidos define um horário para o chá de cravo. Para a canela, o formulário recomenda tomar após as refeições, o que inclui o jantar. Se o objetivo é aliviar o desconforto digestivo leve depois de comer, esse é o momento indicado. Se o objetivo é dormir melhor, não há comprovação, e a dificuldade persistente para dormir deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Entenda

Infuso é o chá feito despejando água quente sobre a planta e deixando em repouso. Monografia é o documento oficial que reúne as indicações, as doses e as advertências de uma planta medicinal. Óleo essencial é o extrato concentrado da planta, muito mais forte que o chá. Estudo in vitro é o feito em laboratório, fora do corpo.

Perguntas frequentes

Chá de cravo tira o sono?

Não há estudo em humanos nos documentos oficiais lidos que mostre isso, nem o contrário. A EMA cita apenas um experimento com camundongos e óleo essencial.

Quem tem direito a tomar chá de cravo e canela?

O formulário da Anvisa indica o chá de canela para adultos e o contraindica na gestação, na lactação e para menores de 18 anos.

O chá de cravo faz mal?

A EMA descreve irritação e alergia com óleo concentrado e casos graves em crianças que engoliram o óleo. Para o chá, os documentos lidos não trazem relato de dano, mas também não definem dose.

Cravo e canela têm a mesma indicação?

Não. Há monografia oficial no Brasil para a canela, com indicação digestiva. Para o botão do cravo, a EMA não criou monografia.

O que fazer a seguir

Quem quiser usar o chá deve tratá-lo como um hábito de uso ocasional, observar reações e procurar atendimento se houver coceira, falta de ar ou mal-estar. Gestantes, lactantes e pessoas em tratamento médico devem conversar com o médico antes.

Com informações da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, da Anvisa.

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