
Levantamento da FIEPA mostra como alimentos, bebidas, confecção, perfumaria e outros setores se preparam para a festividade.
Neste artigo
Antes de a imagem de Nossa Senhora de Nazaré chegar às ruas de Belém, uma cadeia de produção já está em movimento. Fábricas de alimentos e bebidas, empresas de confecção, indústrias químicas, gráficas e negócios ligados à economia criativa ampliam atividades para atender à demanda do Círio de Nazaré. Entre agosto e outubro, a indústria de transformação da Região Metropolitana de Belém registra média de 1.571 contratações mensais com carteira assinada, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA).
O número representa aumento de 23,9% em relação à média dos demais meses do ano, calculada em 1.268 contratações mensais. A comparação considera o período de 2022 a 2025 e indica que o comportamento se repetiu nos quatro anos analisados. O principal impulso vem da indústria de alimentos, especialmente na fabricação de conservas de frutas e sucos, além do segmento de bebidas em Belém.
Decisão libera restaurantes da exclusividade da 99Food e mantém avanço da Keeta no delivery brasileiro
ArranCo começa operação em Paragominas para levar marcas do agro e da indústria para além do Pará
Açaí, bacuri e cosméticos do Pará buscam espaço no Canadá após rodada com 50 empresários em Belém
O trabalho começa antes do outubro nazareno
O efeito econômico do Círio não aparece somente nos produtos vendidos durante as procissões ou no tradicional almoço das famílias. A preparação envolve compra de insumos, contratação de trabalhadores, criação de embalagens, produção de uniformes, distribuição e organização de encomendas. Em muitos casos, o planejamento precisa começar semanas ou meses antes da festividade.
Na indústria de confecção, por exemplo, empresas, instituições, grupos familiares e promesseiros encomendam peças personalizadas para ações que antecedem o Círio. Camisas, uniformes e itens estampados passam por uma sequência que inclui fornecedores de tecidos, estamparia, bordado, corte, costura, acabamento e logística.
Na MLX Uniformes, o crescimento da procura aparece principalmente nas encomendas feitas por empresas, instituições e grupos que organizam atividades relacionadas ao período nazareno. Para Priscilla Vieira, diretora da FIEPA e empresária do setor têxtil, esse movimento exige antecipação e alcança empresas de diferentes portes.
“Esse movimento exige planejamento antecipado de produção e mostra como a festividade alcança também a indústria local de forma muito concreta”, afirma Priscilla Vieira.
Da matéria-prima amazônica ao símbolo levado pelos fiéis
Um dos exemplos mais visíveis dessa ligação entre produção e devoção está na corda utilizada pelos fiéis durante as procissões. Em 2026, ano em que a Companhia Têxtil de Castanhal completa 60 anos, a empresa participa pelo quarto ano consecutivo da fabricação do material.
Desde 2023, a produção da corda é realizada no Pará, com fibras naturais da Amazônia e mão de obra paraense. O processo aproxima uma cadeia industrial local de um dos elementos mais reconhecidos do Círio, transformando um produto fabricado em escala em objeto associado a promessas, fé e participação coletiva.
“Participar do Círio, levando às ruas de Belém um dos maiores símbolos dessa manifestação de fé, tem um significado muito especial para nós. É uma forma de agradecer ao Pará e retribuir, com o nosso trabalho, um pouco de tudo o que construímos juntos ao longo dessas seis décadas”, afirma Flávio Smith, presidente da Companhia Têxtil de Castanhal e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Pará.
Segundo o Observatório da Indústria da FIEPA, a indústria de transformação da Região Metropolitana de Belém teve média de 1.571 contratações mensais entre agosto e outubro, no período de 2022 a 2025, contra 1.268 nos outros meses do ano.
Perfumes, velas e embalagens ganham referências do Círio
A indústria química e de perfumaria também adapta produtos e estratégias para acompanhar o calendário religioso. Velas, sachês, perfumes e outros itens incorporam imagens, fragrâncias e embalagens relacionadas a Nossa Senhora de Nazaré e à identidade da festividade.
Fátima Chamma, diretora da FIEPA e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos, Petroquímicos, Farmacêuticos, Perfumaria e Artigos de Toucador do Estado do Pará, afirma que, em alguns segmentos, o movimento do Círio pode superar o registrado no período natalino.
Um dos produtos citados por ela é a linha Flor de Maria, criada especificamente para a festividade. O item começou como uma água de toilette e, ao longo de seis anos, foi ampliado para uma linha completa, que segue em expansão.
“O movimento começa ainda no fim de setembro, ganha força ao longo de outubro e permanece elevado na semana seguinte ao Círio. A cidade fica envolvida em um clima festivo, a energia de alegria, realmente faz com que quem trabalha na indústria trabalhe com amor, afinco”, relata Fátima Chamma.
Uma rede que chega às mesas e à comunicação da festa
Além da corda, das roupas e dos produtos de perfumaria, o Círio mobiliza atividades menos visíveis para o público. A agroindústria e os fabricantes de alimentos e bebidas participam da preparação dos itens consumidos pelas famílias no almoço do Círio. Já a indústria gráfica fornece materiais usados para comunicar, identificar e registrar as celebrações.
A economia criativa completa esse circuito ao transformar símbolos religiosos e referências paraenses em produtos e experiências. O resultado é uma rede que reúne produção industrial, serviços, trabalho temporário, fornecedores e distribuição, com efeitos concentrados especialmente em Belém e nos municípios da Região Metropolitana.
Para Alex Dias Carvalho, presidente da FIEPA, a presença desses segmentos demonstra que a indústria paraense consegue gerar desenvolvimento a partir das características do próprio território.
“O Círio mostra a força e a diversidade da indústria paraense e a sua capacidade de estar presente em diferentes dimensões da vida do Estado. Quando a indústria participa dessa manifestação, ela não está apenas movimentando a economia, gerando emprego e renda. Ela também ajuda a preservar e valorizar a nossa cultura, nossas tradições e aquilo que nos identifica como paraenses. É desenvolvimento que reconhece o território, suas potencialidades e sua história”, afirma.
Para quem vive na Grande Belém, os dados ajudam a dimensionar uma movimentação que costuma ser percebida apenas nas ruas, nas igrejas, nas lojas e nas mesas das famílias. O Círio funciona também como um ciclo de produção e contratação que começa antes da procissão, envolve diferentes municípios e permanece ativo na semana seguinte à celebração.
Com a preparação antecipada de encomendas e a repetição do aumento nas contratações observado entre 2022 e 2025, os setores industriais iniciam cada novo calendário nazareno organizando produção, fornecedores e equipes para atender à demanda do período.
Com informações de FIEPA.
Mais Lidas
- ArranCo começa operação em Paragominas para levar marcas do agro e da indústria para além do Pará
- Brinquedo de miriti, a arte que leva a Amazônia para o Círio de Nazaré
- Eu + Você = Jesus: projeto evangélico acolhe romeiros durante o Círio de Nazaré em Belém
- Romeiros do Círio contam com 28 pontos de apoio até Belém
- Arquitetura e fé revelam diferentes capítulos da história de Belém
O Google lançou as Fontes Preferenciais: você escolhe os veículos que aparecem com prioridade. Adicione o Pará+ e garanta a nossa cobertura sempre em destaque.
⭐ Adicionar Pará+ como Fonte PreferencialComo funciona em 3 passos:
- Pesquise qualquer assunto no Google
- Toque no ⭐ ao lado de “Principais Notícias”
- Busque Pará+ e marque a caixa — pronto!




