
Capacitação realizada em Belém apresentou estratégias para integrar Salas do Empreendedor, CRAS e serviços digitais.
Neste artigo
Para quem procura uma alternativa de trabalho, formalização ou orientação para abrir um negócio, a porta de entrada pode estar em uma Sala do Empreendedor do próprio município. Foi para tornar esse atendimento mais integrado e alcançar também pessoas em situação de vulnerabilidade social que 48 profissionais de 23 municípios paraenses participaram, em Belém, de uma capacitação promovida pelo Sebrae no Pará.
A atividade ocorreu no dia 24 de setembro de 2026, no Solar da Beira, e reuniu Agentes de Desenvolvimento e atendentes de Salas do Empreendedor que receberam o Selo Diamante no ciclo de 2026. A programação combinou formação técnica, exercícios práticos e orientações para conectar o atendimento presencial aos canais digitais.
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Uma mesma jornada para quem busca orientação
A principal mudança apresentada durante o encontro é a tentativa de organizar uma experiência que, na prática, já acontece de maneira fragmentada. O empreendedor pode pesquisar uma solução pela internet, conversar com um atendente presencialmente e voltar ao ambiente digital para dar continuidade à demanda. A proposta da Jornada Digital é fazer com que essas etapas sejam reconhecidas como parte de um único relacionamento.
Segundo o Sebrae/PA, a capacitação realizada em 24 de setembro de 2026, no Solar da Beira, em Belém, preparou 48 Agentes de Desenvolvimento e atendentes de 23 municípios para aprimorar a integração entre os serviços presenciais e digitais oferecidos aos pequenos negócios.
Ellys Alves, gestora nacional da rede parceira de atendimento da Unidade de Relacionamento com o Cliente do Sebrae Nacional, explicou que a iniciativa não pretende substituir as Salas do Empreendedor. O objetivo é estruturar melhor os caminhos já utilizados pelo público.
“O cliente que vai até a sala, já é integrado, tem a sua jornada, o seu comportamento de consumo, tanto na parte digital quanto presencial. Só que a gente ainda não tem isso estruturado”, afirmou Ellys Alves.
Na prática, isso significa organizar informações para que o atendente consiga compreender o histórico de cada usuário, identificar serviços já acessados e oferecer uma orientação mais adequada à necessidade apresentada naquele momento.
Do registro do atendimento ao entendimento do cliente
O coordenador do Núcleo de Experiência e Personalização da Unidade de Relacionamento com o Cliente do Sebrae Nacional, Pedro Machado, apresentou a transição de uma lógica centrada apenas no registro dos atendimentos para outra baseada no relacionamento.
De acordo com ele, a ferramenta precisa ajudar o profissional a visualizar o perfil do cliente, os conteúdos consumidos anteriormente e a demanda atual. A ideia é reduzir a repetição de informações e tornar o encaminhamento mais preciso, especialmente em municípios onde a Sala do Empreendedor concentra diferentes orientações para quem deseja iniciar ou desenvolver uma atividade econômica.
Esse modelo pode ter importância específica para o Pará, que reúne municípios com realidades econômicas e sociais distintas. Uma solução adequada para um empreendedor de Belém pode não ser a mesma para quem busca atendimento em Igarapé-Miri ou em outras cidades do interior. Por isso, a capacitação também tratou da necessidade de preservar as características locais sem perder um padrão mínimo de qualidade no atendimento.
Durante a abertura, o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, destacou o papel dos profissionais que fazem a ligação direta com os empreendedores. Ele também afirmou que o número de pequenos negócios paraenses passou de um patamar anterior para mais de 520 mil entre 2019 e 2026, resultado que atribuiu à articulação entre o Governo do Estado, o Sebrae, os agentes e as Salas do Empreendedor.
A aproximação com CRAS e CadÚnico
A programação da tarde ampliou o foco para pessoas que ainda não estão inseridas no empreendedorismo formal ou que enfrentam dificuldades para acessar oportunidades de trabalho e renda. A Jornada de Inclusão Socioprodutiva apresentada no encontro prevê uma aproximação maior entre as Salas do Empreendedor e os Centros de Referência de Assistência Social, os CRAS.
O caminho proposto é utilizar a rede de assistência social para alcançar pessoas inscritas no Cadastro Único, beneficiárias do Bolsa Família e participantes de outros programas sociais. A partir desse contato, o atendimento pode orientar o público sobre formalização, capacitação, empreendedorismo e alternativas de contratação.
A estratégia também foi relacionada ao Contrata + Brasil, iniciativa citada pelos representantes do Sebrae como uma das soluções que podem ser apresentadas a esse público. A intenção é aproximar pessoas que precisam gerar renda de oportunidades econômicas e de serviços capazes de apoiar sua autonomia.
Helena Rego, gestora nacional do eixo de inclusão socioprodutiva do Cidade Empreendedora do Sebrae Nacional, informou que existem 4,7 milhões de microempreendedores individuais inscritos no CadÚnico. Para ela, esse número mostra que há uma conexão relevante entre políticas de assistência social, educação empreendedora e desenvolvimento econômico.
A aproximação com os CRAS é considerada estratégica porque essas unidades já atendem famílias em situação de vulnerabilidade. No desenho apresentado durante a capacitação, a Sala do Empreendedor deixa de ser procurada apenas por quem já possui uma empresa e passa a atuar também como ponto inicial para quem busca uma possibilidade de emancipação econômica.
O que muda para os municípios participantes
Para as prefeituras e equipes municipais, o desafio será transformar o conteúdo da capacitação em rotinas de atendimento. Isso envolve identificar o perfil do público, articular os serviços disponíveis, encaminhar corretamente cada demanda e manter a comunicação entre os canais presencial e digital.
A analista técnica do Sebrae no Pará e gestora do programa Cidade Empreendedora, Priscila Hoshino, explicou que a Trilha Diamante também busca alinhar a atuação das Salas do Empreendedor e ampliar o alcance dos serviços por meio da inclusão socioprodutiva.
José Raimundo de Oliveira, Agente de Desenvolvimento da Sala do Empreendedor de Igarapé-Miri, avaliou que os conteúdos podem ajudar as equipes a reconhecer oportunidades entre empreendedores informais e pessoas que ainda não chegaram aos serviços de apoio.
“Muita alegria aprender muitas coisas: métodos de atendimento, um olhar atualizado com relação à sociedade, as oportunidades que podemos oferecer na área socioprodutiva. Ir ao encontro dos nossos empreendedores informais; formalizar, transformar e contribuir”, disse José Raimundo de Oliveira.
O próximo passo é levar as práticas discutidas na Trilha Diamante para as Salas do Empreendedor dos municípios participantes, fortalecendo a integração com os CRAS e a aplicação das jornadas de atendimento, inclusão socioprodutiva e acesso a oportunidades de renda.
Com informações de Sebrae no Pará.
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