
Plano municipal prevê medidas especiais para proteger romeiros, grupos vulneráveis e serviços públicos entre outubro e novembro.
Neste artigo
Quem participar das procissões do Círio de Nazaré em Belém terá de lidar, neste ano, com um cenário de calor mais severo. Entre outubro e novembro, a capital paraense entra no nível 3 do protocolo municipal de enfrentamento ao El Niño, com previsão de temperaturas de 39°C ou mais e sensação térmica de até 43°C. Para reduzir os riscos à saúde, a Prefeitura prepara pontos de hidratação, distribuição gratuita de água, triagens médicas e jatos de água itinerantes durante as atividades religiosas.
A medida faz parte do Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño 2026-2027, elaborado pela gestão municipal em parceria com secretarias, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, o Censipam. O documento reúne ações para períodos de calor intenso, com atenção especial para crianças, idosos, pessoas com comorbidades e moradores em áreas mais vulneráveis.
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O que muda para quem vai às ruas
O nível 3 é considerado pela Prefeitura o estágio de alerta máximo para o calor. Nesta fase, a orientação à população é evitar a exposição ao sol, especialmente entre 10h e 16h, faixa do dia em que as temperaturas costumam exercer maior pressão sobre o organismo. Também está prevista a suspensão de atividades e programações ao ar livre, conforme a avaliação das condições climáticas.
Nas procissões do Círio, a estrutura planejada inclui locais para atendimento inicial, fornecimento de água e espaços de apoio aos participantes. A Prefeitura também prevê a climatização de abrigos destinados a pessoas em situação de maior vulnerabilidade. A estratégia considera a concentração de milhares de pessoas nas ruas e o esforço físico prolongado durante os deslocamentos.
Segundo a Prefeitura de Belém, o nível 3 do protocolo será aplicado em outubro e novembro de 2026, com ações específicas para reduzir os efeitos de temperaturas de 39°C ou mais e sensação térmica de até 43°C na capital paraense.
Como funciona o protocolo municipal
O plano foi dividido em quatro níveis de alerta. Os estágios 1 e 2 foram registrados entre julho e setembro, quando a administração municipal concentrou esforços preventivos em áreas verdes e na preparação dos serviços públicos.
Entre as iniciativas adotadas estão o plantio de mudas, a formação de corredores verdes, o transplantio de árvores, a implantação de microflorestas e a ampliação dos jardins de chuva. As ações foram direcionadas principalmente às áreas periféricas de Belém, onde a arborização pode contribuir para reduzir a exposição direta ao sol e melhorar o conforto térmico.
O programa Plante Aqui também foi incorporado à estratégia, com estímulo à participação dos moradores na arborização urbana. A Prefeitura reforçou ainda a distribuição de água em Unidades Básicas de Saúde, Centros de Referência de Assistência Social e escolas.
Por que o El Niño aumenta a preocupação no Pará
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Essa alteração interfere na circulação dos ventos e nos padrões de chuva em diferentes partes do planeta. No Norte do Brasil, o fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas e à elevação das temperaturas.
Em Belém, a combinação entre calor, menor ocorrência de chuvas e grande circulação de pessoas pode aumentar o risco de desidratação, mal-estar e agravamento de problemas de saúde. O impacto não se limita aos eventos do Círio: trabalhadores expostos ao sol, estudantes, usuários do transporte público e pessoas que vivem em moradias com pouca ventilação também podem enfrentar mais dificuldades.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém, responsável pela elaboração do protocolo, afirma que o documento foi criado para integrar monitoramento, prevenção e resposta. A titular da pasta, Juliana Nobre, declarou que a proposta é antecipar cenários e proteger populações e territórios vulneráveis.

"Precisamos estar preparados e esse protocolo tem justamente esse papel: integrar os diferentes órgãos e estabelecer ações de monitoramento, prevenção e resposta, permitindo que se antecipem cenários e se proteja principalmente as populações e os territórios mais vulneráveis."
Cuidados recomendados durante a onda de calor
A recomendação é aumentar a ingestão de água e observar com atenção sinais de tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea ou mal-estar. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de acompanhamento mais próximo, sobretudo quando permanecem em ambientes quentes ou passam longos períodos ao ar livre.
O protocolo também orienta reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e café, que podem contribuir para a desidratação. Em caso de agravamento dos sintomas, a pessoa deve procurar atendimento de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, pelo número 192.
A Prefeitura informou ainda que, durante o nível 3, será decretada situação de emergência ambiental e haverá proibição total das queimadas. A medida busca conter a piora da qualidade do ar e reduzir riscos associados ao fogo em um período de temperaturas elevadas.
O que acontece depois do período crítico
O nível 4 está previsto para dezembro de 2026 e janeiro de 2027, quando a expectativa é de temperaturas mais amenas. Essa etapa será usada para avaliar o desempenho do Plano de Ação Municipal e do Protocolo de Calor, com possibilidade de ajustes estruturais para 2027.
Para os moradores da Grande Belém, o alerta reforça que a preparação não depende apenas das ações durante o Círio. A manutenção de áreas arborizadas, o acesso à água e a atenção aos grupos vulneráveis serão medidas importantes ao longo de todo o período de calor intenso. A Prefeitura deverá revisar os protocolos após a temporada e definir as próximas adaptações para o enfrentamento climático.
Dúvidas comuns
Quando o alerta máximo será aplicado?
O nível 3 está previsto para outubro e novembro de 2026, meses com possibilidade de temperaturas de 39°C ou mais e sensação térmica de até 43°C.
Quem deve redobrar os cuidados?
Crianças, idosos e pessoas com comorbidades são considerados mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo e precisam de hidratação e acompanhamento reforçados.
Qual número chamar em caso de emergência?
Em situações de mal-estar relacionado ao calor, a orientação é procurar atendimento médico e acionar o Samu pelo número 192.
Com informações da Prefeitura de Belém.
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