Açaí, bacuri e cosméticos do Pará buscam espaço no Canadá após rodada com 50 empresários em Belém

Açaí, bacuri e cosméticos do Pará buscam espaço no Canadá após rodada com 50 empresários em Belém
Foto: acervo

Road Show Pará-Canadá apresentou caminhos de exportação e selecionou produtos amazônicos com potencial no mercado canadense.

Neste artigo
  1. Empresas locais testaram a aceitação de produtos amazônicos
  2. Mineração ainda concentra a relação comercial
  3. O que o mercado canadense procura nas marcas da Amazônia
  4. Por que o Canadá entrou no radar das empresas paraenses
  5. O impacto para Ananindeua e a Grande Belém

Geleias de bacuri, molhos de frutas amazônicas, sabonetes com fragrâncias de copaíba e andiroba e outros produtos da bioeconomia paraense foram apresentados a representantes do mercado canadense nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, em Belém. O Road Show Pará-Canadá reuniu cerca de 50 empresários no Salão de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Pará, com o objetivo de transformar a diversidade da produção amazônica em novas oportunidades de exportação.

A programação foi promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em parceria com a FIEPA e o Centro Internacional de Negócios do Pará (FIEPA CIN), com apoio da FIEPA Redes. Pela manhã, os participantes conheceram características do mercado canadense. À tarde, empresas locais participaram de reuniões individualizadas para avaliar compradores, regras de acesso e produtos com maior possibilidade de entrada no país.

Empresas locais testaram a aceitação de produtos amazônicos

Entre os participantes estava a Paladar Amazônico, foodtech instalada em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. A empresa trabalha com geleias e molhos feitos a partir de frutas regionais e identificou no encontro uma possibilidade de apresentar ao exterior sabores que já fazem parte da produção paraense.

“Nossa empresa atua na produção e comercialização de produtos com sabores típicos da região amazônica, como geleias e molhos produzidos com frutas regionais. Este encontro foi muito importante porque nos mostrou o potencial que temos para fornecer ao mercado canadense produtos à base de cupuaçu, açaí e bacuri”, afirmou a empresária Erika D’Antona.

Segundo a empresária, o açaí já é conhecido por consumidores internacionais, enquanto o cupuaçu amplia gradualmente sua presença e o bacuri começa a despertar interesse. A avaliação recebida durante o Road Show pode ajudar a empresa a definir quais itens devem ser priorizados em uma futura estratégia de internacionalização.

O Laboratório São Lucas, que atua há 164 anos com fitoterápicos, cosméticos e suplementação produzidos a partir de insumos amazônicos, também participou dos atendimentos. A empresa apresentou uma linha de dermocosméticos, com destaque para sabonetes associados a fragrâncias regionais.

“O ponto alto foi a apresentação dos nossos dermocosméticos, especialmente dos sabonetes com fragrâncias da Amazônia, como copaíba e andiroba. São produtos que, segundo os representantes, não são encontrados no mercado canadense e tiveram uma avaliação muito positiva”, disse o empresário Mauro Athayde.

Mineração ainda concentra a relação comercial

O interesse por alimentos, bebidas, moda e cosméticos aparece em um intercâmbio comercial que continua fortemente dependente da mineração. Em 2025, o comércio entre o Pará e o Canadá alcançou aproximadamente US$ 712 milhões. Desse total, US$ 687,1 milhões corresponderam a exportações paraenses, enquanto as importações somaram US$ 24,9 milhões.

Alumina calcinada, bauxita e caulim estão entre os principais itens vendidos pelo estado. O Pará lidera as exportações brasileiras de caulim e de madeiras tropicais perfiladas para o Canadá. Também ocupa a segunda posição nas exportações nacionais de alumina calcinada e ouro destinados ao país.

Segundo a FIEPA, o objetivo apresentado no encontro não é substituir a mineração, que permanece como base da relação bilateral, mas acrescentar produtos e etapas de maior valor agregado à pauta comercial. Essa mudança inclui itens ligados à bioeconomia e, no setor mineral, possibilidades envolvendo minerais críticos, terras raras, alumínio e cobre de baixo carbono.

O que o mercado canadense procura nas marcas da Amazônia

Além de características técnicas e comerciais, a apresentação da CCBC destacou a necessidade de comunicar a origem dos produtos. Para alcançar consumidores canadenses, as empresas precisam explicar de forma clara a história, a tradição e o valor associado a cada item, especialmente quando a produção tem relação com o extrativismo amazônico ou com conhecimentos tradicionais indígenas.

Esse processo envolve mais do que encontrar um comprador. Cada empresa precisa verificar exigências regulatórias, certificações, rotulagem, padrões sanitários e condições logísticas do país de destino. A experiência do Laboratório São Lucas ilustra esse desafio: a empresa já exporta para os Estados Unidos e mantém processos de certificação em andamento para outros mercados, mas ainda precisa definir quais produtos podem avançar primeiro no Canadá.

“Nosso mix tem cerca de 54 produtos. A partir dessa troca, conseguimos identificar aqueles com maior potencial e começar de forma mais assertiva”, explicou Athayde. A seleção de um portfólio inicial reduz custos e permite concentrar investimentos nos itens com maior chance de aceitação.

Por que o Canadá entrou no radar das empresas paraenses

O cenário internacional também foi citado como fator de oportunidade. Em 2026, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre US$ 27,6 bilhões em produtos canadenses, movimento que levou o Canadá a buscar novos fornecedores e parceiros comerciais. No primeiro semestre, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá cresceu 15% em relação ao mesmo período de 2025 e chegou a US$ 5,47 bilhões.

Segundo a CCBC, o Canadá pode funcionar como um destino adicional para a produção paraense e reduzir a dependência de poucos mercados ou de uma pauta concentrada em commodities. Para isso, a conexão precisa continuar depois do evento, com orientação comercial, adequação dos produtos e aproximação com compradores.

“O Canadá é um mercado estratégico para a diversificação dos destinos das exportações paraenses e para levarmos a qualidade da nossa indústria e a sustentabilidade presente em nossa produção a novos consumidores”, afirmou Cassandra Lobato, gerente do FIEPA CIN.

Segundo a FIEPA, o Road Show Pará-Canadá ocorreu em Belém em 30 de setembro de 2026 e reuniu cerca de 50 empresários, com 22 empreendedores locais atendidos em reuniões personalizadas ao longo da tarde.

O impacto para Ananindeua e a Grande Belém

A participação da Paladar Amazônico mostra que a agenda de comércio exterior não está restrita às grandes mineradoras ou às empresas instaladas no interior do estado. Negócios da Grande Belém, incluindo empreendimentos de Ananindeua, também podem buscar mercados internacionais quando conseguem organizar produção, documentação, padrões de qualidade e estratégia de marca.

Para o consumidor paraense, a expansão internacional pode estimular cadeias de fornecedores de frutas, embalagens, ingredientes, logística e serviços especializados. Também aumenta a pressão para que produtos amazônicos sejam comercializados com origem identificada e maior agregação de valor, em vez de sair do estado apenas como matéria-prima.

A CCBC, criada em 1973, mantém atuação voltada à aproximação entre empresas, instituições e investidores dos dois países. Informações sobre a instituição estão disponíveis no site oficial da Câmara de Comércio Brasil-Canadá. As próximas etapas dependem da continuidade das negociações, da escolha dos produtos prioritários e do cumprimento das exigências para entrada no mercado canadense.

Com informações de FIEPA.

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