XXII Feira Pan-Amazônica do Livro

Foram 10 dias de vendas, trocas de informação, conversas, bate-papos, lançamentos, shows e oficinas em uma programação intensa e diversificada, que levou ao Hangar Convenções e Feiras da Amazônia cerca de 320 mil pessoas. Traduzida em números, a XX Feira Pan Amazônica do Livro gerou R$ 750 mil em negócios e R$ 13 milhões livros vendidos. FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ DATA: 05.06.2016 BELÉM - PARÁ

Aconteceu no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, o maior evento de fomento à leitura das regiões Norte e Nordeste do Brasil, iniciou com a Conferência de Abertura “Colômbia Renasce”, alusiva ao país homenageado, com a participação do cônsul da Colômbia em Manaus (AM), José Gilberto Florez, e do jurista, professor e consultor colombiano Pietro Alarcon, abordando o processo de superação de crises sociais e políticas. Foram expostas as experiências com políticas governamentais e pactos sociais no enfrentamento de crises, como os altos índices de violência.

O escritor patrono do evento, o paraense Age de Carvalho, participou do encontro sobre sua poesia e história no seminário “Todavia, todavia”, quando falou sobre a carreira e sobre o atual cenário literário. “É uma grande alegria e uma grande honra ter recebido essa homenagem, que foi algo inesperado. Uma surpresa de amigos”, disse.

Age de Carvalho garantiu ser um prazer fazer as apresentações na Feira do Livro ao lado de profissionais e amigos. “O primeiro deles é um encontro com o André Vallias e a design Maiara Guimarães, professora da UFPA (Universidade Federal do Pará), com quem tenho vários trabalhos em contribuição. Também participou de uma homenagem a Rosângela Darwich, poeta paraense, no lançando seu novo livro”.

Para o titular da Secult, Paulo Chaves, a união de várias instituições do Governo Estadual garantiu a realização da Feira. Mesmo com a paralisação dos caminhoneiros, a Feira foi realizada. No total – 131 empresas participaram diretamente do evento, com cerca de 300 empregos diretos. R$ 4 milhões de reais em Credlivro para cerca de 20 mil servidores de 10 regiões do estado. O estande de escritores paraenses somou cerca de  300 autores de 14 municípios.

Cláudio Cardoso, autor e coordenador do espaço há 7 anos, afirma que foram quase 18 mil livros no estande. “Serão de 1.200 a 1.300 títulos disponíveis para venda. Tinha autor que tem 20 títulos”, afirma o autor.

 A abertura do evento, atraiu mais de 35 mil pessoas.

Encontro Literário 

O escritor português Valter Hugo Mãe, um dos mais conceituados da atualidade, foi responsável pela abertura da programação do Encontro Literário. Sobre o evento, Valter Hugo ressaltou o aspecto informal da conversa acerca de seu trabalho. “Esta é uma excelente oportunidade de encontrar os meus leitores da região amazônica, de onde eu recebo muitas mensagens de carinho, e uma oportunidade de responder perguntas específicas do público em um grande diálogo” disse o escritor.  Por sua obra, Valter Hugo Mãe já recebeu os prêmios Almeida Garrett, 1999; Prêmio Literário José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, Lisboa, 2007, e Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura – Melhor Romance do Ano, São Paulo, em 2012.

 Seminários

No  seminário “Age de Carvalho: Todavida, todavia”, o poeta paraense abordou a prática da publicidade, do jornalismo e do design gráfico, e a influência em sua obra. Da mesa participaram o publicitário Rosenildo Franco e a estudiosa da obra do poeta, a professora Lívia Barbosa, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

No seminário “Maio de 1968, insurgências Políticas, Culturais e Artísticas”, os professores Francisco Foot Hardman, Ernani Chaves, Jean-François Deluchery e o cartunista paraense Walter Pinto discutiram a onda de protestos na França, que teve início com manifestações estudantis e operárias, e completaram 50 anos em 2018.

Os estudiosos repercutiram as ideias filosóficas de pensadores como Michel Foucault, o francês que utilizou o movimento de 1968 como base e causou grande impacto na filosofia. A França pós-guerra foi marcada pelo existencialismo, o que resultou em uma revolução de costumes, trazendo à sociedade a discussão sobre sexualidade e outros temas relacionados ao comportamento social.

 Estímulo à leitura

 Debates sobre a literatura para jovens e crianças estiveram em pauta no Seminário de Literatura Infantil e Juvenil da UFPA, intitulado “Esperançando com leitores na Pasárgada Literária”. O evento reuniu pensadores para falar sobre as especificidades da imagem e da palavra na literatura infantil e juvenil.

Com abordagens que passam por políticas de acesso ao livro, estímulo à formação de novos leitores e o ato de ler, o evento teve o objetivo de reunir pessoas que falem sobre livros e literatura para crianças, jovens outros segmentos. A coordenadora do projeto, professora Elizabeth Orofino Lucio, ressaltou que o Seminário é multidisciplinar porque a literatura tem essa característica. “Com este evento buscamos estimular a formação de comunidades de leitores e de pessoas que falem sobre literatura de maneira mais ampla”, informou.

Música

Os ritmos musicais – colombiano cúmbia os latinos, merengue, salsa e zouk, e nossa  famosa guitarrada estiveram presente na abertura da mostra Pan-Amazônica de Música, no palco do auditório Benedito Nunes, com o show “Vozes da Fronteira”, com o grupo Los Latinos e o grupo de carimbó O Som do Pau Oco.

Encerramento

A autêntica guitarrada paraense e a sensualidade dos ritmos latinos marcaram o encerramento da XXII Feira Pan-Amazônica do Livro, que recebeu cerca de 400 mil pessoas, que tiveram à disposição 219 estandes, 450 editoras e 750 mil exemplares à venda. Mais de 18.400 pessoas visitaram as atividades técnico-científicas e auditórios; 800 pessoas prestigiaram o “Ponto do Autor”, e 393 escolas de 37 municípios marcaram presença.

A Feira Pan-Amazônica do Livro ofereceu, ainda, mais de 20 oficinas gratuitas, além de seminários, com foco na literatura da América Latina e da Colômbia. Durante a programação, foi realizado também o I Encontro Pan-Amazônico de Bibliotecas, organizado pela Fundação Cultural do Pará (FCP), e o Seminário da Pan-Amazônia Leitura, Práticas de Leitura e Bibliotecas na Pan-Amazônia, organizado pela Unamaz.

Cerca de 95 mil títulos foram apresentados para exposição e os segmentos mais procurados foram juvenil, negócios/técnicos e universitários, além de autoajuda, romances, literatura colombiana, autores convidados e autores paraenses. Os títulos mais procurados foram “O Mistério da Montanha” (autoajuda), de Paulo Debs, “Hippie – Autobiografia”, de Paulo Coelho, livros de Gabriel Garcia Márquez, “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente” (poesia), de Anália Moraes, “História das Mulheres no Brasil” (história), de Mary Del Priore e “Extraordinário” (romance), de R. J. Palado.

Segundo a coordenadora do projeto Livro Solidário, Carmen Palheta: “A gente saí de mais um Sarau com a sensação de que uma semente foi plantada e que se transformou nesse grande evento envolvendo escolas, organizações socais e o governo do Estado”, pontuou. Palheta acredita que “a leitura é um instrumento de cidadania e inclusão social e, sobretudo, que faz releituras de vidas”.

A coordenadora da Feira do Livro, Andressa Malcher, classificou a experiência do Sarau Literário como profícua. “Estamos extremamente felizes. Há quatro anos iniciamos essa parceria com a IOE e é uma alegria muito grande para a Secult poder dividir essa oportunidade de levar os escritores para dentro das escolas. Juntando o Livro Solidário com a Pan nas escolas, a gente realiza esses momentos fabulosos. O grande mote do Sarau Literário, assim como a própria Feira do Livro, é o incentivo à leitura, criar o hábito da leitura, principalmente entre os jovens”, disse Andressa.

FOTOS :   Ascom Secult, Carlos Sodré/ Ag.Pará, Elza Lima, Fernando Sette Câmara, Rai Pontes/Ascom Seduc