XV Festival do Açaí Orgânico

Cerca de oito mil pessoas participaram durante os últimos três dias, do XV Festival do Açaí Orgânico, iniciativa da Associação Mutirão, da localidade de Ponta Negra do Rio Meruu, interior do município de Igarapé-Miri, um dos maiores produtores de açaí do nordeste do Pará, região do Baixo-Tocantins.Foram três dias de festa, programação cultural com apresentação de bandas locais, simpósios e distribuição de mais de 700 litros de açaí para os participantes.

O evento celebra os benefícios para as comunidades ribeirinhas a partir da produção do fruto, ao mesmo tempo em que oportuniza à população local, turistas e visitantes de todas as partes do Estado, diversão com eventos culturais do município e mostras da culinária paraense, a partir do suco de açaí, como mingau, manjar, pudins, bolos, doces etc.

“No ano de 2004 nossas entidades (organizadoras do festival) receberam o selo que outorga a produção coletiva à condição de orgânico. Ou seja, produzimos sem degradar o meio ambiente, sem utilizar agrotóxicos, sem utilizar mão de obra infantil, mantendo a biodiversidade, incluindo a manutenção das matas ciliares.

Naquele momento não se verificou algum vestígio de exploração na cadeia produtiva, o que nos motivou a organizar este que será agora o nosso 15º festival para promover a produção do açaí orgânico”, explicou José Raimundo Di, diretor presidente da Associação Mutirão, que envolve vários setores da cadeia produtiva de Igarapé-Miri, um dos maiores produtores do fruto do açaí do Estado do Pará.

Pela arena do evento, realizado na sede da Associação Mutirão, fizeram um verdadeiro desfile musical Haroldo Reis e Valbinho dos Teclados, Marcos e banda, Kelly Cris e banda, Massarimbo e banda Amazom Life.

Em 2020, a Associação Mutirão completa 30 anos e a diretoria, na pessoa de seu presidente Zé Raimundo, pretende fazer com que o evento se torne um marco no turismo açaizeiro do Estado, ultrapassando as barreiras do Pará, do Brasil e do mundo.

Ele explicou que neste ano, “conseguiu-se mais uma vez atingir nossos objetivos, que é promover a cultura do açaí mostrando como trabalhamos aqui na Ponta Negra”, acrescentou o dirigente.

Local isolado

A Ponta Negra do Rio Meruu fica distante da sede do município, o acesso é por via fluvial. Na área a internet tem sinal ruim e até a comunicação telefônica é feita com dificuldade, fruto da ausência e da inoperância do poder público, bem como, dessas empresas que só investem onde acreditam que haja grande retorno monetário.

Ainda assim, as reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor mostram que essas mesmas operadoras são desonestas quanto aos serviços que se dispõem a prestar. Como a maioria desses órgãos têm burocracia em excesso, que inviabilizam o processo, as coisas vão ficando por isso mesmo.

Apesar disso, os produtores de açaí da Ponta Negra continuam lutando para oferecer um produto de qualidade para o fomento da indústria, da produção e para o bem da população que tem no açai uma grande fonte alimentadora.