Um grupo de pesquisadores e também voluntários, está utilizando impressora 3D na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) para produzir um tipo de viseira facial para doar aos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19 no estado do Pará.

O grupo tem unido esforços para produzir no menor tempo possível cerca de 3.600 viseiras, que serão doadas à Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (SESPA). As viseiras são reutilizáveis e serão usadas pelos profissionais e agentes de saúde em conjunto com a máscara tradicional descartável, proporcionando uma camada extra de proteção contra a entrada de fluidos.

Os profissionais da Ufra envolvidos pertencem ao quadro do Instituto da Saúde e Produção Animal (ISPA), do Instituto de Ciências Agrárias e do PET Agronomia. Além deles, também participam da força-tarefa pesquisadores de outras instituições de pesquisa do Pará, estudantes de graduação e residentes de Medicina Veterinária. O grupo está produzindo kits contendo cada um 04 armações impressas em 3D, 04 proteções de acetato 0,3 mm e elásticos para ajustar a viseira. A produção dos kits está sendo feita no Laboratório de Histologia e Embriologia Animal (LHEA) da Ufra.

No momento, as viseiras faciais estão sendo impressas e montadas com materiais disponibilizados pelos próprios voluntários, enquanto aguardam a aquisição de mais insumos, que já foram solicitados pela administração da universidade de maneira emergencial.  O grupo envolvido tem por objetivo produzir 200 máscaras de imediato e aproximadamente 3.400 assim que os insumos chegarem.

O professor Rafael Viana, um dos docentes que está à frente da ação, explica que esse modelo de viseira foi adaptado de modelos já existentes na internet. “Realizamos algumas modificações, pois os modelos disponíveis consumiam bastante material que hoje já se encontram em falta. Outra adaptação foi realizada para permitir o uso confortável de máscaras N95 concomitante ao uso da viseira, o que é padrão entre os profissionais de saúde. A viseira proporciona uma camada impermeável à entrada de fluidos líquidos, principalmente advindos de gotículas de saliva, o que reduz grandemente as chances de contato dessas partículas com a pele e a mucosa da face”, explica.

O professor alerta para a falta de equipamentos de proteção individual na área da saúde, um problema que tem sido enfrentado pela maioria dos países do mundo. “O momento que enfrentamos é inédito e sem precedentes em nossa história recente. A falta de materiais de proteção não é exclusiva do Brasil. Praticamente 20% dos infectados são profissionais da área de saúde, os quais são a linha de frente na ajuda ao combate à pandemia. Prover esses profissionais de proteção é extremamente importante, visando à manutenção da vida e à saúde dos mesmos e possibilitando a continuidade dos trabalhos em prol da sociedade. Nós, servidores da Ufra e cidadãos, vemos a urgência e a necessidade de nos prontificar na mobilização ao auxílio desta atividade”, afirma.

Fazem parte da equipe de voluntários os professores: Rafael Viana, Fernando Barbosa Tavares, Érika Branco, Elane Giese, Ana Rita de Lima e Cristina Manno; as residentes em Medicina Veterinária Cíntia Franciele do Prado e Beatriz Giese; e como membro externo à Ufra, Igor Chahini.