Tradição que atravessa fronteiras

Tradição que atravessa um século no nordeste do Pará, os bois de máscara da Cidade de São Caetano de Odivelas, se tornaram uma importante expressão cultural no município e no cenário mundial recentemente, em maio deste ano, em Portugal. O “Boi Tinga”, mais antigo, representou o Estado do Pará e o Brasil no XIII FIMI Festival Internacional de Mascaras Ibéricas, em Lisboa-Portugal, junto com as bandas centenárias da região – Rodrigues dos Santos e Milícia Odivelense.

No dia 08 de maio de 2017, o Prefeito de São Caetano de Odivelas, Mauro Chagas, assinou o Protocolo de Geminação entre as cidades irmãs, na Câmara dos deputados em Odivelas Portugal, aprovada por unanimidade entre as duas cidades São Caetano de Odivelas-Brasil – colonizada por jesuítas vindo de Portugal no século XVI e Odivelas-Portugal, no proposito se tornarem mais próximas e consistirem em diálogos e parcerias diretas no desenvolvimento cultural, gastronômica, turístico e econômico de ambas as partes.

Na oportunidade, foi conhecido a realização do Festival Internacional da Máscara Ibérica – FIMI, e de imediato, iniciou-se um trabalho em equipe com Portugal, para garantir a participação de São Caetano de Odivelas na 13ª edição do Festival, contando com o total apoio do Vice-Cônsul de Portugal em Belém, Francisco Brandão. A participação de São Caetano de Odivelas, só foi possível e concretizada através da sensibilização do Governador Simão Jatene, com um olhar voltado para a prestigiosa cultura, autorizando o apoio à ida da comitiva paraense, ao XIII FIMI, em Portugal.

São Caetano de Odivelas faz parte do polo Turístico Amazônia Atlântica, está a 106 km da capital Belém, na Mesorregião do Nordeste Paraense. É caracterizado pelos cortejos de boi de mascaras, com sua alegres e coloridas indumentárias que saem pelas ruas da cidade no mês de junho e no carnaval, bem original das maiores expressões de cultura popular também considerado como a Terra do caranguejo e da pesca esportiva.

“É com muito orgulho que venho agradecer ao meu povo pela brilhante representação em Portugal. Não representamos somente o nosso Município, representamos como verdadeiros patriotas, mostrando o que temos de mais rico, nossa Cultura, nossa primeira etapa foi o FIMI e em seguida o I encontro das culturas Odivelenses”, assegurou Mauro Chagas (Macalé) Prefeito de SCO, que acompanhou efetivamente toda a comitiva na viagem.

Comitiva de São Caetano De Odivelas do Pará, em visita à Nazaré   

Uma comitiva liderada pelo Prefeito de São Caetano de Odivelas (Brasil), Mauro Chagas, acompanhado pelos Rei Mumbá, grupo que participou no Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI), realizou, uma visita aos Paços do Concelho da Nazaré, onde foi recebido pelo Presidente da Câmara, Walter Chicharro.

O culto a Nossa Senhora da Nazaré e a visita de conhecimento à vila portuguesa para onde se deslocam cada vez mais surfistas (especialmente durante a época de ondas grandes) e turistas brasileiros (é a primeira nacionalidade de visitantes ao Forte da Nazaré e os terceiros aos balcões de informação turística, segundo dados 2018 dos Postos de Turismo locais) foram algumas das razões desta visita. 

O Prefeito veio apresentar os cumprimentos da sua terra. O Presidente da Nazaré retribuiu, e fez uma breve apresentação de aspetos económicos que têm estado a promover o desenvolvimento da vila, nomeadamente as tradições (religiosas e etnográficas) e o surf de ondas grandes, pelo qual voltou a figurar no Guinness World Records, com uma onda surfada por Rodrigo Koxa.

A cidade de São Caetano de Odivelas (com 18 mil habitantes) é vizinha de Belém do Pará (Estado do Pará), cidade onde se realiza um dos maiores cultos religiosos do Brasil, dedicado a Nossa Senhora da Nazaré, e cuja origem foi dada pela Nazaré (Portugal). Aquele culto atrai mais de 2,5 milhões de pessoas ao Círio que se realiza em outubro. 
Esta comitiva brasileira deslocou-se a Portugal para participar no 13º FIMI e estreitar laços culturais com Odivelas (Portugal), com quem está geminada. Antes do regresso a casa, deslocou-se à vila que deu origem ao “Círio de Nazaré”, um ícone do segmento turístico religioso do Pará e da Amazônia.

XIII Festival Internacional da Máscara Ibérica

Durante todo os quatro dias do 3º fim-de-semana de Maio, pessoas de máscaras e fantasias foram às ruas do Jardim da Praça do Império, Bairro de Belém, em Lisboa-Portugal, para celebrar laços históricos e culturais entre as regiões espanhola e portuguesa.

Este festival de quatro dias retrata a cultura ibérica e dá a todos os participantes a oportunidade de sentir a sua essência. A máscara serve como o elemento-chave e o tema central subjacente à ideia do encontro. Mesmo que as tradicionais máscaras pagãs variem por toda a Península Ibérica, elas ainda nos lembram das raízes comuns das culturas espanhola e portuguesa.

O festival acontece anualmente desde 2006. Todos os anos, o número e a seleção das regiões envolvidas são diferentes. Mas a ideia principal permanece a mesma – reunir toda a península e aumentar a consciência de sua cultura e tradição únicas. Dezenas de bancas apresentam a comida local – vinho, queijo, chocolate e outros produtos. Além disso, os visitantes podem descobrir artesanato, assistir a concertos, performances e workshops, ouvir música étnica e participar do concurso de fotografia. Independentemente da atividade que você deseja participar, a entrada é gratuita.

O destaque do festival é o Desfile da Máscara (Desfile da Máscara Ibérica). Por algumas horas, as ruas de Lisboa se transformam em um rio colorido e festivo –  você pode se encontrar no coração de uma festa sem fim, onde todos dançam ao som da música étnica. Quando o desfile para, isso não significa que a celebração acabou: concertos noturnos e apresentações tomam sua vez para entreter as multidões.

Este ano, os países convidados foram o Brasil e a Irlanda

É a segunda vez que o certame se realiza no Jardim da Praça do Império, onde os monumentos de Belém serviam de pano de fundo e proporcionavam um contraste interessante com as tradições rurais.

A interação com o público continuou a ser um dos pontos fortes deste festival.

A música e a dança também estavam sempre presentes.

As tradições ancestrais do XIII FIMI, foram apresentadas através de uma programação variada que, além da gastronomia, artesanato e concertos, teve como ponto alto o grande desfile da Máscara Ibérica com 32 grupos de máscaras e centenas de participantes. O desfile este ano contou com o Boi Tinga, do Brasil e os The Mummers, da Irlanda que se juntaram aos grupos estreantes Gigantones e Cabeçudos de Viana do Castelo, Máscaras de Oviedo (Astúrias), Merdeiros de Vigo (Vigo) e El Carnaval del Toro Morales de Valverde (Zamora). Os concertos no Palco Ibérico voltaram a trazer ritmos folk de raiz tradicional europeia, combinados com outros elementos de fusão, desta vez com as atuações, dos Bregia (Irlanda) e Oscar Ibáñez & Tribo (Espanha) e os concertos dos grupos Toques do Caramulo (Portugal), e Realejo (Portugal) que encerraram o cartaz. Paralelamente ao Festival Internacional da Máscara Ibérica, realizou-se, pela primeira vez, ciclos de debates (no Museu Nacional de Arqueologia) e de cinema (na Casa da América Latina), o Festival Popular (do projeto EU-LAC MUSEUS) e a Noite do Museus.

O Festival Internacional da Máscara Ibérica, é um Projecto cultural com uma importante marca identitária que recupera as tradições pagãs das máscaras num diálogo entre tradição, inovação e turismo, do qual resulta um festival único na Europa.

Cabeçudos e Pierrôs, levados pelo Boi-Bumbá, se misturam ao povo numa explosão de ritmos, cores e alegria

Além do Boi Tinga, os pierrôs com máscara de nariz enorme, macacão; e os cabeçudos, ou preás, com suas cabeças enormes, desproporcionais ao corpo, feitas de papel machê, encobrindo o brincante, vestido de terno preto. Da cabeça saem mãos e braços de mentira, muito engraçados. Além do uso das máscaras, o que difere o boi de São Caetano de Odivelas de outras brincadeiras de boi, é o fato de ele ser quadrúpede — dois brincantes, chamados de tripas, lhe dão vida — e de não haver enredo pré-estabelecido. No boi de máscaras não há ensaio ou competições. O folguedo é marcado pela espontaneidade, ludicidade e improvisação.

FOTOS: FIMI, José M. F. Almeida, Progestur