Sespa promove seminário sobre doença falciforme

A Coordenação Estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), promove nesta terça-feira, 2, o “l Seminário sobre doença falciforme: construindo conhecimento, prevenindo agravos”, voltado à conscientização do público em geral sobre os sintomas e características dessa enfermidade, que apresenta grande incidência junto à população negra.

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A anemia falciforme é hereditária, transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez, e se manifesta na maioria das vezes após os seis meses de vida da criança. O “Teste do Pezinho” é a melhor forma de identificá-la. Atualmente, dos 27 estados brasileiros, apenas 17 realizam este tipo de exame, entre eles o Pará, que está habilitado a fazer o diagnóstico precoce para a doença desde abril de 2012, por meio da triagem neonatal.

Esse tipo de anemia é predominante junto à população negra. Porém, como no Brasil há uma forte miscigenação de raças, é comum também encontrar pessoas de pele branca acometidas pelo problema. O Pará tem hoje 405 comunidades remanescentes registradas. A letalidade nas crianças com até cinco anos e que não recebem cuidados em saúde chega a 80%, mas adotados os devidos cuidados esse índice cai para 1,8%.

“Essa é uma doença grave e os principais sinais de alerta são febre, desidratação, acentuação da palidez (icterícia), aumento súbito do baço, distensão abdominal, alterações neurológicas e dispneia, entre outros. Mesmo com o tratamento, o paciente pode ter intercorrências a qualquer momento”, alerta a coordenadora estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais, Creuza Abreu.

A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, predominante em negros, mas que pode manifestar-se também nos brancos. Ela se caracteriza por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme) e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.

As hemácias falciformes contêm um tipo de hemoglobina, a hemoglobina S, que se cristaliza na falta de oxigênio, formando trombos que bloqueiam o fluxo de sangue, porque não têm a maleabilidade da hemácia normal. A doença é causada por mutação genética, responsável pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Para ser portador da doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Se for transmitido apenas por um dos pais, o filho terá o traço falciforme, que poderá passar para seus descendentes, mas não a doença manifesta. De acordo com dados da Fundação Hemopa, atualmente 770 pessoas com doença falciforme estão cadastradas na unidade.

O seminário também abordará temas relacionados à Previdência Social, com palestras ministradas por técnicos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que esclarecerão os participantes quanto aos procedimentos necessários para obtenção do benefício.

Serviço: “I Seminário Doença Falciforme: construindo conhecimento, prevenindo agravos”. De 8h às 17h, no auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual do Pará (Uepa), que fica na rua Perebebuí, 2623, bairro do Marco.

Edna Sidou
Secretaria de Estado de Saúde Publica