São Valentim e os namorados em Portugal

No século III, o bispo Valentim, em Roma, é condenado à pena capital por desobedecer as ordens do Imperador Cláudio II, que havia proibido casamentos durante as guerras por entender que os solteiros eram melhores combatentes. O chefe máximo do catolicismo ignorou a determinação e continuou celebrando matrimônios. Certo dia, a prática foi descoberta, sendo Valentim sentenciado como criminoso, julgado e sujeito as penas até a morte.

Na cela recebia flores e bilhetes que os jovens lhes enviavam assiduamente. Fato curioso é que na prisão Valentim, apaixonou-se pela filha do carcereiro que era cega. Porém, um milagre acontece, sendo Valentim a lhe devolver a visão. Antes da execução, o bispo escreveu-lhe uma mensagem de adeus, assinando “seu Namorado” ou “do seu Valentim”.

A Igreja Católica considerou-o mártir na data do seu falecimento, 14 de Fevereiro, do ano 270 d.c. Ressalte-se que o dia marca a Festa Lupercais, celebrada na Roma Antiga em honra a Juno (Deusa da Mulher e do Casamento e a PAN), inaugurando oficialmente a Primavera. Há uma versão de que os sacerdotes caminhavam em passeata, pela cidade, batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fertilidade. Praticavam, também a loteria. Os rapazes tiravam de uma caixa, um bilhete cujo nome da moça que aparecesse indicava que a partir de então, era sua companheira durante as festividades que duravam um mês. Acredita-se que a celebração decorreu cerca de 800 Anos, até que em Fevereiro de 496 d.c., o Papa Gelásio I, instituiu o dia 14 de Fevereiro como o Dia dos Namorados, oficializando para a Igreja a Festa, absorvendo o paganismo da data.

A Inglaterra e a França, no século XVII, iniciaram os festejos em honra a São Valentim como o Dia dos Namorados. Um século após, os Estados Unidos da América do Norte adotaram o “Saint Valentim Day”. Na idade Média, o 14 de Fevereiro era o primeiro dia do acasalamento dos pássaros, e nesse período os namorados deixavam mensagem da amor na porta do amado(a).

No século XIX Esther Houlard, nos Estados Unidos, cria os Cartões do Dia dos Namorados, no ano de 1840, que rapidamente se esgotaram, o hábito evoluiu. E, no século XX espalhou-se por todo o mundo. Atualmente, com as novas tecnologias, há, troca de mensagens electrónicas, objectos e outros mimos com ilustrações do Cupido e de Corações, como prova de amor.

Países como o Japão, Itália, Dinamarca, Inglaterra, Estados Undos e Portugal celebram o amor nesse dia. Porém, Israel só no 15º dia do mês hebraico troca flores. No Brasil, a partir do século XX, foi instituído o dia 12 de Junho, véspera de Santo Antônio de Lisboa, como Dia dos Namorados. Os devotos homenageiam o santo casamenteiro com inúmeros festejos protagonizados pelos casais apaixonados.

Portugal não fica alheio ao movimento festivo em honra a São Valentim, e adere as celebrações promovendo viagens especiais, estadias em hotéis localizados em regiões privilegiadas que oferecem jantares alusivos à data, apresentando uma gastronomia especial confeccionada por “chefes” afamados que se esmeram na apresentação de pratos sofisticados.

Nos Palácios de Sintra, são encenadas peças alusivas à data, visitas a locais que reproduzem histórias de amor vivenciadas por reis e rainhas nas viagens de passeios em charretes pelos jardins. A história de amor de Inês de Castro e D. Pedro, não é esquecida nas visitas ao  lugar especial na Quinta das Lágrimas, na Fonte dos Amores, em Coimbra.

Viagens, trocas de presentes, juras de amor, mensagens afetivas conforme a imaginação dos amantes são motivos mais que suficientes para homenagear o São Valentim em Portugal.

*Anete Costa Ferreira

*Correspondente em Portugal