Review Prey

Prey é um jogo de tiro em primeira pessoa com elementos de ficção científica e horror. Lançado para PS4, Xbox One e PC, o título tem produção Arkane Studios, que também fez games como Dishonored, BioShock 2 e Dark Messiah of Might and Magic. Além disso, ele foi lançado pela Bethesda, o estúdio por trás de sucessos como Fallout e The Elder Scrolls. Confira o review completo de Prey.

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A história no mundo real

A “série” Prey nasceu em 2006, para PC e Xbox 360, como um jogo de tiro futurista e inimigos alienígenas. Elogiado em sua época, o game foi lançado após ficar por anos em produção – para ser mais exato, desde 1995, mais de dez anos até o lançamento, e para um console que nem existia na época em que começou a ser desenvolvido.

Prey (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

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Prey foi muito elogiado por ser um jogo de tiro competente, ainda mais por ter sido produzido pelo mesmo time da série Duke Nukem, na época, o estúdio 3D Realms. Dado o sucesso, uma sequência era quase inevitável, e Prey 2 foi anunciado pelo estúdio, com produção começando já no ano seguinte ao original.

Porém, o chamado Prey 2 nunca viu a luz do dia. Algumas imagens foram lançadas, trailers foram divulgados, mas o jogo em si acabou cancelado silenciosamente, em 2014, com um comunicado da agora Bethesda, que havia adquirido os direitos da marca há alguns meses.

Hoje temos um novo Prey nas prateleiras, com o mesmo nome, mas com história, gráficos e propostas diferentes. Sai de cena o indígena que protagonizou o primeiro game e entra um novo herói, ou heroína, asiático. Em comum, temos apenas a temática de alienígenas, mas, agora, totalmente voltado para o lado de “horror”, apesar de ter mantido a jogabilidade de tiro em primeira pessoa.

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Nem tudo é o que parece

O novo jogo se inicia de forma bem misteriosa. Você controla o personagem Morgan Yu, que pode ser homem ou mulher, de acordo com a escolha do jogador, acordando no seu apartamento. Com objetos inteiramente interativos, o jogador já tem uma ideia do que é Prey logo ali, assim como sua gama de bons controles e jogabilidade livre.

O problema é que nem tudo é o que parece mesmo. Yu logo se descobre ser vítima de um experimento. Pior ainda: ele sequer está na Terra, mas em uma estação especial, repleta de um organismo alienígena conhecido apenas como “Tifão”, capaz de sugar a vida de outros seres vivos e continuar crescendo pela estação especial sem limites. Isso já basta para saber onde Yu se meteu e o que te espera pelas próximas cenas.

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Diferente do Prey original, o segundo game usa sua história em seu serviço, mostrando que o enredo pode estar aliado à jogabilidade. Temos um mundo aberto até vasto, onde a estação especial serve de “pequeno mundo explorável” para Yu. É possível ir e vir pelos cenários, voltar para abrir uma porta que estava trancada antes, mais ou menos como em títulos “Metroidvania” de exploração – gênero que se originou em Super Metroid e continuou com Castlevania Symphony of the Night.

Em termos de enredo, e em como se desenvolve, o novo Prey se assemelha a jogos como DOOM, Dishonored e até BioShock. É tudo contado por meio de pequenos sustos e objetos que o jogador encontra pelo cenário. Yu serve como um avatar do jogador, sem muita interação ou personalidade, mas nada que prejudique o crescimento.

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Jogabilidade: amigo ou inimigo?

Prey se assemelha bastante a outro clássico do gênero: Half-Life. O jogo de tiro da Valve tinha o mesmo clima de mistério e jogabilidade que evoluía ao longo de uma série de acontecimentos na história. É um jogo de tiro até bem tradicional, de certa forma, mas com todo um sistema inteligente de evolução.

Enquanto o personagem central evolui, ele se torna cada vez menos humano, o que pode gerar complicações pelo caminho, mas também vantagens nos combates. Cabe ao jogador decidir se vale mesmo a pena evoluir dessa forma, ou se é possível encarar os desafios apenas com as ferramentas que encontramos pelo caminho.

Com isso, tenha em mente que há algumas complicações para quem espera experiência mais tradicional em Prey. Apesar de ser bem clássico, ele foge a algumas regras, como a inserção de uma barra de fôlego, que controla a respiração de Yu, conforme ele ou ela ataca com uma arma de combate corporal ou corre.

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Esse tipo de inserção não é exatamente uma novidade. Outros jogos já usaram, mas aqui ela se torna protagonista na experiência de horror que o game quer passar. Em Prey, muito além das dificuldades comuns de um jogo de tiro, temos a dificuldade do gênero de terror psicológico. Vai ser difícil se concentrar, quando um pequeno Tifão sair de dentro de um buraco de forma totalmente inesperada.

Outro elemento que colabora para isso é a limitação na forma de carregar itens e armas. O jogador precisa decidir o que vale a pena levar para um novo ponto do jogo e, se decidir errado, aprender a lidar com as consequências. Prey é sobre responsabilidade sobre sua vida, por se tratar de um título passivo e “sozinho”, no sentido de que o jogador encontra outros poucos humanos ao longo do caminho, e também de que não há qualquer elemento multiplayer.

Por falar nisso, a jogabilidade também mostra que Prey não quer apenas ser difícil, como jogos como Dark Souls e similares. Sua dificuldade aumenta de acordo com as decisões do jogador. Se tomar as escolhas erradas, o game ficará mais complicado. Mesmo assim, ele não esquece que é um jogo de videogame, e, por isso, mantém boas escolhas de design nos controles.

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Visual equilibrado

Se vale uma crítica neste sentido, é para a forma que Prey administra sua performance visual nos consoles e PC. Enquanto o game parece altamente mais bonito em computadores potentes e em aparelhos mais poderosos, como o PS4 Pro, ele não se destaca nem um pouco, quando iniciado no Xbox One ou PS4 padrão.

Queremos dizer que, na verdade, Prey é um jogo bonito, mas tem design um pouco genérico. Não chama a atenção, mesmo quando comparamos a jogos da mesma Bethesda e Arkane Studios, como Dishonored ou Dishonored 2. Ao contrário destes dois citados, que trazem mundos repletos de criatividade e novidades, Prey é um pouco apagado neste sentido, e os gráficos padrões não ajudam.

Vale lembrar que o game tem dublagem em português, bem como localização oficial no nosso idioma para os textos, mas que também não trazem um grande destaque – já a trilha sonora, esta sim, é muito boa e imersiva. 

Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)Prey: confira o review do game (Foto: Divulgação/Bethesda)

Conclusão

Ainda que o primeiro Prey seja um bom jogo, esqueça-o e foque nesta “releitura/reboot”, que é totalmente o reinício da série, pegando apenas o conceito alienígena da temática principal e colocando bons elementos de horror. A jogabilidade em primeira pessoa vem com boas ideias, que vão além do sistema de mundo aberto já manjado, porém bem utilizado. Uma pena que o visual seja um pouco genérico, mas que compensa se o game for utilizado em máquinas mais poderosas, que extraem todo o potencial dos gráficos.

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