Relatório Global do Empreendedorismo

O Global Entrepreneurship Monitor – GEM, 2017/18, relata que os níveis de empreendedorismo estão estáveis ou em ascensão globalmente e que o empreendedorismo voltado para as oportunidades predomina. Cinquenta e quatro economias mundiais participaram da pesquisa GEM 2017/18, abrangendo 68% da população mundial e 86% do PIB mundial. O GEM 2017/18, informa que a América do Norte apresenta os mais altos níveis de inovação e criação de empregos

Um robusto 74% dos empreendedores ao redor do mundo iniciaram negócios em busca de uma oportunidade, e não por necessidade – isso de acordo com o Relatório Global GEM 2017/18, divulgado no início de 2018.

Cinquenta e quatro economias participaram da pesquisa GEM de 2017/18, abrangendo 68% da população mundial e 86% do PIB mundial. Em seu 19º ano consecutivo, o relatório continua a servir como o maior estudo individual de empreendedores do mundo.

De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) do Relatório Global 2017/18:

A inovação é maior na América do Norte, com 40%. Isso é medido pela medida em que os empreendedores estão introduzindo novos produtos que não são familiares a todos ou alguns clientes e oferecidos por poucos ou nenhum concorrente.

Trinta por cento dos empresários norte-americanos esperam criar pelo menos seis empregos nos próximos cinco anos.

Nas economias em desenvolvimento, mais da metade de todos os empresários operam no atacado e no varejo. Em contraste, 61% dos empreendedores na América do Norte operam nos setores de tecnologia, finanças e serviços profissionais.

“Os altos níveis de inovação, empreendedorismo voltado para o crescimento e atividade de startups nos setores de tecnologia, finanças e serviços profissionais distinguem o empreendedorismo na América do Norte de outras regiões”, disse Donna Kelley, Babson College Professor e membro do Conselho de Diretores da Global Entrepreneurship Research Association, que no exterior GEM. “Os empreendedores aqui são os principais impulsionadores do conhecimento e da atividade empresarial baseada em capital humano. Eles estão melhorando a vida das pessoas por meio de produtos e serviços novos e avançados, criando empregos e demonstrando impacto claro não apenas em sua sociedade, mas em todo o mundo. ”

A América Latina e o Caribe e a América do Norte demonstram as taxas mais altas de empreendedorismo feminino (17% e 13%). Essas duas regiões também apresentam as maiores taxas de empreendedorismo jovem (17% e 14%).

Principais conclusões  do GEM 2017-2018  

*Projeções de criação de emprego

*Inovação

*Valores sociais sobre empreendedorismo

*Autopercepções sobre Empreendedorismo

*Fases e tipos de atividade empreendedora

*Distribuição de gênero e idade da atividade empreendedora em estágio inicial

*Motivação para a atividade empreendedora em estágio inicial

*Participação no Setor da Indústria

Sobre o relatório

O Relatório Global do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2017/18 é o 19º consecutivo em que a GEM monitorou as taxas de empreendedorismo em várias fases da atividade empreendedora; avaliou as características, motivações e ambições dos empreendedores; e explorou as atitudes que as sociedades têm em relação a essa atividade, em todo o mundo. Este relatório inclui resultados baseados em 54 economias mundiais participantes da pesquisa GEM 2017/18. O objetivo deste relatório é informar acadêmicos, educadores, formuladores de políticas e profissionais sobre a natureza multidimensional do empreendedorismo em todo o mundo, promovendo o conhecimento e orientando decisões que podem levar às condições que permitem que o empreendedorismo prospere.

Nesse relatório da GEM (Global Entrepreneurship Monitor, 2017/2018) o Brasil se destaca na categoria intermediária de países cujos negócios são impulsionados pela eficiência, na qual se destacam os avanços ligados à industrialização e ao ganho de escala em negócios – uma categoria intermediária na escala de “desenvolvimento”. As outras duas são a de empreendimentos impulsionados por fatores (na qual a exploração de recursos naturais e o empreendimento de subsistência as principais atividades, que aponta menos desenvolvimento) e a de impulsionamento com base em inovação (que aponta mais desenvolvimento).

Empreendedorismo no Brasil

Jens Arnold, economista responsável por Brasil na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), durante apresentação do Relatório Econômico OCDE Brasil 2018 – “Construindo um Brasil mais Próspero e Produtivo”, disse:  “A produtividade no Brasil é relativamente muito fraca em comparação com outros países. “Na OCDE estamos interessados em medidas de bem-estar, que vão além do PIB como indicador de crescimento. Nesta ótica, o desempenho do Brasil é bom só em alguns pontos, como bem-estar subjetivo, por exemplo, que mostra que o brasileiro é um povo muito feliz e otimista.” Mas, de acordo com Arnold, o Brasil está muito abaixo da média de outros países em indicadores como os de renda, riqueza, emprego, saúde, segurança, educação, meio ambiente e capacitação.
É também um dos países mais desiguais do mundo, com metade da população tendo acesso a apenas 10% do total da renda familiar, enquanto a outra metade tem acesso a 90%. “Olhando para frente, é importante frisar que sem reformas e mudanças de rumo, o Brasil não vai conseguir crescer na mesma medida que cresceu na primeira década deste milênio”, porém, de acordo com ele, as projeções da OCDE e de outros observadores, a economia brasileira deve ter a continuidade do crescimento retomado em 2017. E com isso, o desemprego que vinha crescendo durante dois anos já começou a cair, depois de atingir pico de 13%. “A inflação caiu de mais de 10% em 2016 para abaixo de 3%. Isso abriu espaço para queda de juros”, no entanto, há muitos desafios estruturais na economia brasileira a serem enfrentados, disse o economista da OCDE.

Neste 2018, mantem-se a tendência de que as pessoas continuem empreendendo para driblar a crise, mas as dificuldades como a burocracia e a falta de preparo ainda contrasta com a revolução tecnológica e a disponibilidade de tecnologias que ajudam a gerir e operar empresas. Em contrapartida, cada vez mais programas e mecanismos de incentivos continuam sendo criados.

Segundo a Serasa Experian, em um levantamento sobre novas empresas instaladas no Brasil, no ano passado, em 2017, nasceram 2.202.622 milhões de empreendimentos no País. É o maior número já registrado, desde que o indicador começou a ser apurado, em 2010. Em comparação a 2016, houve aumento de 11,4% na criação de CNPJs.

Das novas empresas instaladas, 78,7% são Microempreendedores Individuais (MEI). Em 2017, surgiram 1.733.061 de microempresas – 11,9% a mais que em 2016. O resultado também é recorde na pesquisa da Serasa Experian.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, o recorde apresentado em 2017 foi determinado pelo que o estudo chama de “empreendedorismo de necessidade”.

As demissões e o desaparecimento das vagas no mercado formal de trabalho leva boa parte dos desempregados a abrir um negócio, o que contribui para a curva ascendente na quantidade de MEIs.

Outro fator abordado é a crescente formalização dos negócios no Brasil. De 2010 a 2017, os Microempreendedores Individuais tiveram aumento considerável e se tornaram a grande maioria. A representatividade passou de 48,9% para os atuais 78,7% do total.

Comércio lidera surgimento de empresas

O setor de serviços continua sendo o mais procurado por quem quer empreender: de janeiro a dezembro de 2017, 1.406.634 novas empresas surgiram neste segmento, o equivalente a 63,9% do total de empresas nascidas.
Ramo de atividade

De acordo com os dados da Serasa Experian, entre o total de empresas fundadas no ano passado, 8,2% são do ramo alimentício. Em seguida aparecem os empreendimentos de serviços de higiene e embelezamento pessoal (7,3%) e os negócios de confecção (6,8%).

Mercado de trabalho

Segundo o estudo inédito elaborado pelo banco Santander os empreendedores deverão ser os principais responsáveis pelo alento esperado no mercado de trabalho neste ano. Das 2 milhões vagas a serem abertas, 1 milhão dos empregos serão criados por empregadores, trabalhadores por conta própria e microempresas.

O estudo foi projetado com base na expectativa de crescimento na quantidade de trabalhadores ocupada no Brasil e no aumento esperado do número de novas empresas no país.

Os dados mostram que a abertura de pequenas empresas e o crescimento do número de profissionais autônomos devem ser as alternativas para o brasileiro se ocupar em num momento de fraqueza do mercado de trabalho.

Neste ano, por exemplo, a expectativa do banco é que 2,5 milhões de empresas sejam criadas no país, enquanto a ocupação como um todo deverá ter um aumento de 2,2%

“A melhora esperada para a economia brasileira deve até ajudar a sustentar o avanço deste brasileiro empreendedor”, diz o economista-chefe do Santander, Maurício Molan.

No ano passado, 33% da mão de obra ocupada trabalhava por conta própria ou em micro empresas. Neste ano, essas duas categorias vão responder por 50% das posições de trabalho criadas em 2018, de acordo com as projeções do Santander.

Empreendedorismo no Brasil – oportunidade ou necessidade

O empreendedorismo costuma aparecer em dois momentos na vida de uma pessoa:

*por oportunidade, no momento em que ela decide mudar de área e abrir um negócio próprio que lhe parece promissor;

*por necessidade, nos casos dos trabalhadores que ficam desempregados e enxergam no negócio próprio a solução para ter uma renda mensal.