Referência em atendimento humanizado, Hospital Regional do Tapajós recupera 218 pacientes de Covid-19

“Eu cheguei aqui praticamente morto. Dei muita sorte. Nas primeiras noites, eu tive dois surtos e pensei: acabou! Mas, ao mesmo tempo, eu olho para trás, e vejo que sem a ajuda dos médicos, psicólogos e assistentes sociais não teria conseguido. Foram eles que me deram forças e deram forças para minha família. Agora, acima de tudo, Deus é muito maravilhoso. Nós temos que nos apegar a Ele, porque é o que nos sustenta. E eu vou vencer, junto com a minha família que está lá fora. O esforço é muito grande. Passei por três UTIs. São 30 e poucos dias, nem sei quantos, mas eu só tenho a agradecer”. O relato emocionado de Tomaz Vieira Aquino, morador do município de Alenquer, no Oeste paraense, é pontuado pela gratidão ao tratamento recebido no Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba.

A humanização no tratamento faz a diferença para pacientes e seus familiaresFoto: Pedro Guerreiro / Ag. ParáInternado no HRT desde o último dia 10 de janeiro, Tomaz é mais um paciente de outra cidade recuperado de Covid-19 no hospital de referência do Sudoeste do Pará. Ele foi transferido porque sua condição estava se agravando.

Assim como Tomaz Aquino, o paciente José Emílio, morador do município de Juruti, também foi transferido para o HRT em estado grave devido à Covid. Ele conta que o carinho, amor e atendimento da equipe multidisciplinar foram essenciais para que tivesse êxito em seu tratamento. Longe da família, ele agradeceu aos profissionais pelo tratamento humanizado.

“Eu só tenho que agradecer a Deus por ter tido essa outra oportunidade de viver. Aqui nós não recebemos apenas serviços médicos. Nós recebemos calor humano, e isso foi determinante para nossa recuperação. Eu fico muito feliz em receber um atendimento como esse. Fui colocado no colo. Quando cheguei aqui estava praticamente morto, em uma situação quase que irreversível, mas graças a Deus estamos saindo, e a dose principal que recebemos aqui foi amor”, afirma José Emílio.

Tomaz e Emílio estão entre os 218 pacientes que receberam alta médica no Hospital Regional do Tapajós. Referência no tratamento de Covid-19 na região, a unidade é uma das estruturas ofertadas pelo Governo do Pará para conter o avanço da pandemia no Oeste do Pará. Entregue pelo Estado em julho de 2020, a unidade atende atualmente infectados pelo novo coronavírus e casos de urgência e emergência na área de politrauma. O HRT dispõe de 75 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 54 leitos clínicos exclusivos para Covid, e 10 leitos de UTI e clínica politrauma.Em frente ao HRT, parentes oram pela recuperação dos pacientesFoto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Construído em uma área de 16.290 metros quadrados, o HRT é um dos três hospitais de referência do governo estadual no combate à pandemia no Oeste do Pará, que já vivencia a segunda onda de contágio da doença. Com uma equipe multidisciplinar, o Hospital funciona com três andares de UTIs e clínica médica.Karla Cajaíba, diretora-geral do HRT, destaca a estrutura disponível para pacientes e familiaresFoto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

“Temos uma estrutura bem ampla, com oferta de 75 leitos de UTI e 54 leitos clínicos para pacientes de Covid. Temos uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, entre outros profissionais, para que a gente possa dar todo esse aporte ao paciente e ao familiar do paciente, para ofertar um serviço de excelência”, informa Karla Cajaíba, diretora-geral do HRT.

Qualidade – Com uma grande demanda, o Hospital Regional do Tapajós foi estruturado para realizar vários níveis de atendimento em pacientes com Covid-19. O coordenador de UTIs da unidade, João Ângelo, explica que a estrutura e a divisão dos leitos foram planejadas para oferecer o melhor atendimento aos pacientes. “Aqui, nós temos recebido cerca de cinco a dez pacientes por dia, de toda a região. Temos um hospital com várias estruturas de UTI, com vários níveis de cuidado, atendendo todo tipo de demanda: de pacientes com quadro leves em enfermaria, pacientes com quadro moderado em reabilitação e necessidade de suporte nutricional intensivo em uma UTI específica, e pacientes que, infelizmente, evoluem para o quadro muito grave da doença com intubação, e até mesmo com necessidade de hemodiálise, que tem UTI tipo 3 equipada para atender esse tipo de paciente”, garante João Ângelo.O HRT dispõe de vários níveis de cuidado, garante o médico João Ângelo Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

O médico reforça que a setorização das UTIs é um dos pontos principais para que o trabalho seja eficiente. “Setorizando as nossas UTIs, nós conseguimos dar um tratamento mais individualizado. Na nossa UTI do quarto andar, por exemplo, são dois leitos somente por paciente. Ele tem todo acesso à tecnologia e infraestrutura necessária de UTI, porém em um ambiente mais cômodo, que lembra uma enfermaria e o quarto de uma casa. Por trás disso tudo há uma equipe preparada, e isso diminui muito o quadro de medicação de pacientes ansiosos”, acrescenta o coordenador.

Assistência Social – Referência em atendimento humanizado, o HRT também se destaca nas áreas de assistência social e psicologia, com um trabalho voltado ao acolhimento de pacientes e familiares. O acolhimento começa desde a entrada do paciente, seja na clínica médica ou UTI. Os pacientes e seus familiares são recebidos pela equipe de assistência social, recebendo todas as orientações, principalmente com relação à divulgação dos boletins médicos, horários e telefones de contato. Todo esse atendimento é feito com atenção e cuidado, para que o paciente e o familiar se sintam acolhidos e tenham confiança na equipe.A assistente social Lilian Moraes.informa as estratégias de comunicação do paciente com os familiares Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

“Nós chamamos o setor aqui de psicossocial porque, além do assistente social, muitas vezes nós fazemos um atendimento psicossocial, em que a psicóloga orienta também sobre videochamadas, já que nesse momento crítico de pandemia o familiar não pode acompanhar o seu parente internado e nem fazer visita. Então, o meio dele se aproximar melhor é através de videochamada, uma ligação. Quando não é possível, ele manda um áudio e nós colocamos para o paciente, que ainda não está em condições de falar, ouvir. Muitos familiares mandam músicas, louvores, e nós colocamos para o paciente ouvir. Nosso trabalho é fazer com esse período no Hospital seja o mais confortável possível”, explica a assistente social Lilian Moraes.

Vencendo etapas – Para quem recebe o acompanhamento, contar com toda essa estrutura e cuidados faz a diferença nesse momento, garante a esposa de Tomaz Aquino, a enfermeira Maria Arlene Mourão. Ela com que “todas as vezes que fui ao Hospital, sempre fui bem atendida por todos. Sempre me passavam muita tranquilidade sobre os procedimentos. Nós temos uma psicóloga maravilhosa. No dia 3 de fevereiro, quando ele saiu da UTI, ele mesmo falou comigo. A doutora me ligou e disse que a notícia seria diferente. Ela disse que tinha duas notícias para mim, e que o Tomaz me falaria. Então, ele falou comigo: ‘nós já vencemos uma etapa. Nós já vamos para cima’. Porque ele sabe até onde ficam as etapas da UTI, de cima, de baixo. De tanto falarem, ele já sabe tudo. Ele mudou tanto de lugar lá dentro, já passou por tantos leitos de UTI. E quando ele chegou na clínica, onde tanto esperávamos, foi muito gratificante. Foi um passinho de cada vez, mas são passos seguros”.Maria Arlene, esposa de Thomaz Aquino, ressalta a eficiência do atendimento oferecido no HRT Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Ela garante que aceitar a transferência do marido para o Hospital Regional do Tapajós foi a escolha mais acertada. “Não pensei em não trazer, em não aceitar essa transferência. Eu nunca disse a ele que não viesse, que não seria bom. Eu disse para ele que levaria para qualquer lugar que fosse, mas que tivesse maior assistência. Onde quer que tivesse que levar, o levaria. Mesmo eu não tendo nenhum familiar aqui (em Itaituba), isso não me desanimou em nenhum momento. Eu estava ciente de que aqui ele teria um cuidado mais qualificado. Para mim foi gratificante. A cada passo dele vencido, cada dia que a gente via o boletim, eu conversa com ele e nós sentíamos que foi a melhor decisão”, afirma Maria Arlene.Armando Lemos, esposo da paciente Dyennfan Sousa, reforça a confiança no trabalho feito no HRT Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

O funcionário público Armando Lemos, esposo de Dyennfan Sousa, outra paciente transferida de Santarém para o Hospital Regional do Tapajós, também elogiou o atendimento humanizado. “A vaga que conseguimos no Hospital, não tem como não agradecer. Tudo que aconteceu foi muito dolorido, angustiante. Ver a minha esposa bem é uma alegria enorme. Só temos que agradecer a Deus e a essa equipe, que nos deu toda assistência. O meu recado para os familiares de outros pacientes é que eles cuidem dos seus, não deixem a situação piorar. Se você tiver a possibilidade de vir para cá, venha”, reitera Armando Lemos.