Portos do Pará devem receber investimentos

O Estado tem uma extensa rede aquaviária e 108 pontos de infraestrutura portuária. 73 dos 143 municípios são ligados por rios. O Pará está ...
O Estado tem uma extensa rede aquaviária e 108 pontos de infraestrutura portuária. 73 dos 143 municípios são ligados por rios. O Pará está numa posição geográfica privilegiada – de frente para os países europeus, com ótimas/boas condições para a importação e exportação de mercadorias e transporte de pessoas

Estado deve retomar crescimento da exportação e importação de mercadorias

Os portos do Estado do Pará devem receber investimentos do Governo Federal. O Estado tem uma extensa rede aquaviária e 108 pontos de infraestrutura portuária. Para se ter uma ideia da dimensão das águas no Estado, 73 dos 143 municípios são ligados por rios. Além disso, o Pará está numa posição geográfica privilegiada, como por exemplo, de frente para os países europeus. Portanto, há boas condições para a importação e exportação de mercadorias e transporte de pessoas. E por que isso não acontece?

A resposta é simples: é preciso investir nos portos e melhorar em muitas questões, principalmente a segurança dos passageiros que diariamente precisam trafegar pelos rios. E os investimentos devem chegar em breve. Recentemente o Governo Federal anunciou que a rodovia BR-163, as ferrovias norte-sul e Lucas do Rio Verde-Miritituba e 20 terminais portuários do Pará devem receber investimentos e ser abertos a leilão.

As ações fazem parte do Programa de Investimento em Logística (PIL) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, que prevê a aquisição da logística nacional pelo setor privado pelo modelo de leilão pela menor tarifa para modernizar a infraestrutura do país. A previsão de investimentos é de R$ 198,4 bilhões nos próximos anos.

O programa prevê o arrendamento e construção de 20 terminais portuários do Pará, incluindo os portos de Vila do Conde, Miramar e das Docas de Belém, que transportam grãos, combustíveis e cargas diversas, além de portos em Santarém nas fases 1 e 2 dos leilões.

Confira os principais Portos do Pará:

Porto de Belém  

Foto aérea do Porto de Belém
Foto aérea do Porto de Belém

O conhecido Porto de Belém foi inaugurado há 101 anos e conta com uma localização que dá segurança aos navios, por ser abrigado, praticamente isento de ventos fortes. O cais tem pouco mais de sete metros de calado, o que não permite atracação de grandes navios. O Complexo iniciou suas atividades com a exportação da borracha. Os principais destinos de exportação são os países da Europa, Estados Unidos e Japão, com destaque para cargas de madeira, pimenta-do-reino, castanha-do-pará, palmito, peixe e camarão. O trigo, o cimento, silício e os gêneros alimentícios são as mercadorias mais desembarcadas. Anualmente, é movimentado cerca de um milhão de toneladas de cargas em Belém. O Porto de Belém é administrado pela Companhia Docas do Pará e está à margem direita da baía de Guajará, em frente à Ilha das Onças, distando cerca de 120 km do oceano Atlântico. O porto possui 12 armazéns: oito de primeira linha e quatro de segunda linha. Como a altura média da maré no Porto de Belém é de 3,20 m, o coroamento da muralha foi projetado para +4,50 m acima do zero hidrográfico.

Porto de Miramar   

Porto de Miramar
Porto de Miramar

O Porto de Miramar está localizado na margem direita da baía de Guajará a uma distância de 5 Km do Porto de Belém. O Terminal possui dois píeres: o n° 1, que foi inaugurado em 1947 e o n° 2 em 1980. O acesso hidroviário é através do canal Oriental, o mesmo que permite a entrada de navios ao Porto de Belém. O terrestre é pela rodovia Arthur Bernardes, interligando-se à malha rodoviária brasileira através da Rodovia Br 316. O calado do Porto é de 7,92m. O Terminal foi projetado para movimentar inflamáveis líquidos e gasosos e sempre a descarga predominou em relação ao embarque desses produtos, pois grande parte é consumido na cidade de Belém e por rodovia, através de caminhões tanque, é abastecida parte do interior do Estado do Pará. As cargas predominantes são óleo diesel – G.L.P, querosene para avião, gasolina comum – Mistura MF-380.

Porto do Outeiro     

Porto de Outeiro fica na ilha de Caratateua
Porto de Outeiro fica na ilha de Caratateua

O Porto de Outeiro fica na ilha de Caratateua, margem direita da baia do Guajará, a 38km do Porto de Belém. O acesso é feito pela rodovia BR-010, de vias de revestimento primário, ponte de concreto sobre o “furo do Maguari” e rampa rodofluvial no Rio Maguari. O terminal tem uma área de 420.911 metros quadrados e seus dois atracadouros permitem navios de calado de 14 metros de profundidade, além de possuir um grande armazém, onde estão localizadas várias salas de escritório para as empresas que ali porventura se instalem. O Porto de Outeiro tem 14m de pier externo, 8,5m pier interno e 12,5m canal de acesso. O local onde está sediado o terminal apresenta vocação exportadora, principalmente, devido as suas excelentes condições de abrigo e de profundidades. As cargas variam entre granéis sólidos (soja, trigo, cimento e cavacos de madeira) e granéis líquidos (derivados de petróleo).

Porto de Vila do Conde  

Porto de Vila do Conde em Barcarena
Porto de Vila do Conde em Barcarena

A cidade de Barcarena também possui um importante porto, o de Vila do Conde – que responde por 70% das cargas transportadas do Pará para o exterior. Nesse município está implantado um distrito industrial adjacente ao porto, onde entre outros se encontra o Complexo Alumínico constituído pelas unidades da Alunorte – Alumina do Norte do Brasil S.A., Albrás – Alumínio Brasileiro S.A, Alubar – Alumínios de Barcarena S.A. e o pólo caulinífero, constituído pelas empresas Pará Pigmentos S.A e Imerys Rio Capim Caulim S.A.O porto Vila do Conde possui quatro cais. O primeiro de granéis sólidos e carga geral, com 292m de extensão. O segundo de carga geral de uso público, com extensão de 210, terceiro voltado para carga conteinerizada e o último, um terminal de granéis líquidos, para descarga de navios com soda cáustica e óleo combustível. O Porto de Vila do Conde foi inaugurado em 24 de outubro de 1985 e está localizado à margem direita do rio Pará, no local chamado de Ponta Grossa, a cerca de 3,3 km a jusante de Vila do Conde, em frente à baía do Marajó, formada pela confluência do escoadouro natural da navegação dos rios Tocantins, Guamá e Capim, com amplo acesso marítimo e fluvial no local.

Porto de Santarém    

Porto de Santarém
Porto de Santarém

Recentemente, foi anunciado investimentos para o porto de Santarém, no valor de R$ 152 milhões pelo PAC. A obra vai melhorar a estrutura do porto com a construção de plataforma com rampa rodofluvial e mais dois novos berços de atracação. Atualmente, o porto só conta com um berço para navios. Com a ampliação, a perspectiva é que seja triplicada a movimentação de cargas.

O Porto de Santarém foi inaugurado em 11 de fevereiro de 1974 em uma área de 500.000m2. Anteriormente a operação portuária era realizada em condições precárias no antigo Trapiche Municipal. O Porto está situado na margem direita do rio Tapajós, bem próximo da confluência deste com o rio Amazonas. Em frente ao Porto se visualiza a Ponta Negra, que delimita a Barra do rio Tapajós pela margem esquerda. Ele permite acostagem de navios com calado de 10m no período de maior estiagem e de até 16m no período de cheia do rio (março e setembro). Entretanto, o calado do Porto é limitado pela Barra Norte do rio Amazonas (11,50m). Já o acesso rodoviário é realizado pelas BR-163 (Cuiabá-Santarém) e BR-230 (Transamazônica).

No Porto de Santarém predominam a descarga – “importação”- e a navegação fluvial. A maior movimentação – mercado interno – é a carga geral, onde se destacam os gêneros alimentícios e inflamáveis. No mercado externo predomina a madeira. Carga Predominante: – Madeira – Óleo diesel – Gasolina comum – Jet-al – Farinha de mandioca

Porto de Itaituba   

Porto de Itaituba, na margem direita do rio Tapajós
Porto de Itaituba, na margem direita do rio Tapajós

O Porto de Itaituba foi inaugurado em 11 de fevereiro de 1974 e está situado na margem direita do rio Tapajós, na região de Miritituba, em frente a cidade de Itaituba. Também foi um projeto do governo para dar apoio ao escoamento da produção das agrovilas que surgiriam ao longo da Transamazônica. O porto foi construído com verba do PIN-Programa de Integração Nacional.

Porto de Itaituba é destinado a operar apenas com balsas ou embarcações de pequeno porte. A extensão do Porto é de 192m e foi construído paralelo à margem do rio. Sua forma é escalonada com 4 patamares, sendo 2 de 24 metros e 2 de 36 metros de comprimento, interligados por 3 rampas com declividade de 12%. A infra-estrutura é em tubulões de concreto armado e a superestrutura em concreto protendido.

Movimentação de Carga Carga predominante é a Madeira O Porto possui um armazém de 50m X 20m, escritório e residência do gerente, casa de força com 1 grupo-gerador, etc. Na área do retroporto se encontram as instalações da Petrobrás. Para chegar ao Porto só através do rio Tapajós e pela rodovia BR-230 (Transamazônica).

Porto de Óbidos     

Porto de Óbidos na margem esquerda do rio Amazonas
Porto de Óbidos na margem esquerda do rio Amazonas

O Porto de Óbidos foi inaugurado em 18 de agosto de 1976 e está localizado na margem esquerda do rio Amazonas, na cidade de Óbidos. A principal frente acostável do Porto tem 39 metros de comprimento e é ligado ao pátio por intermédio de duas passarelas com piso em peças de madeira de lei e a infraestrutura em perfis metálicos do tipo TR-25 e TR-32. O calado é de 10m e o Porto pode receber navios de 7.000 TDW. Embarcações de pequeno porte podem operar nas duas plataformas laterais e na frente secundária que possui 46 metros de extensão. A carga predominante é de diversos tipos. O Porto possui um armazém com 420 m2 de área construída, escritório e pátio pavimentado com 600m2.

Porto Altamira    

O Porto de Altamira fica no Remanso do Pontal, a 70 Km da cidade de Altamira
O Porto de Altamira fica no Remanso do Pontal, a 70 Km da cidade de Altamira

O Porto de Altamira foi inaugurado em 11 de fevereiro de 1974 e construído no Remanso do Pontal, a 70 Km da cidade de Altamira, com verba do PIN-Programa de Integração Nacional, no momento em que o Governo Federal precisava de apoio para o escoamento da produção das agrovilas que seriam implantadas na BR-230 (Transamazônica).

O Porto de Altamira está situado na margem esquerda do rio Xingu. Através deste rio se realiza o acesso fluvial e o rodoviário pela BR-230 (Transamazônica), que é ligada ao Porto por uma estrada de 1 km. Devido a limitação de calado no Xingu o Porto apenas pode operar com embarcações de pequeno porte.O Porto foi construído paralelo à margem do rio, com uma extensão de 170m e é formado por um muro de peso escalonado, em estrutura de concreto ciclópico, que limita os cinco patamares de 22 metros de comprimento por 10 metros de largura, interligados por quatro rampas com declividade de 12%. O projeto é justificado pelo grande desnível do rio na época da estiagem.

A carga predominante são os derivados de petróleo. As instalações são constituídas de um armazém de 50m X 20m, um galpão de madeira, escritório e residência do gerente, casa de força com grupo-gerador, etc. Também, na área do Porto se encontram as instalações da Petrobrás para armazenamento de diesel, gasolina e querosene.

Porto de São Francisco   

Concebido para apoiar as construções do Porto de Vila do Conde e da Albrás-Alunorte, o Porto de São Francisco foi inaugurado em 22 de janeiro de 1981. Sua localização é na margem esquerda do rio Barcarena.

Em Barcarena, o Porto de São Francisco, na margem esquerda do rio Barcarena
Em Barcarena, o Porto de São Francisco, na margem esquerda do rio Barcarena

O acesso hidroviário ao Porto é através da baía de Guajará e, principalmente, pelo rio Barcarena. Por rodovia somente é possível com transposição das vias navegáveis que é feita por embarcações.

O Porto foi equipado com “charriot”, espécie de rampa móvel que se desloca sobre linha férrea, permitindo o desembarque de carretas, inclusive do tipo “centopéia” transportando cargas pesadas em qualquer altura de maré. Esse equipamento foi instalado em um plano inclinado construído em concreto armado com 140 metros de comprimento por 16 de largura, sendo a declividade 7,5%. Possui, ainda, cais para pequenas embarcações com 100 metros de comprimento por 6 de largura apoiado em estacas pré-moldadas de concreto armado com duas escadas para embarque e desembarque de passageiros.

O Porto possui um armazém de trânsito com 1.268m2 de área construída, prédio para administração, almoxarifado e oficina mecânica com 155m2, subestação, reservatório d’água elevado com capacidade para 19.000 litros e cisterna para 54.000 litros. Também, pertence ao Porto a estação de passageiros com 385m2 e as áreas de circulação e estacionamento.

Porto de Marabá     

Porto de Marabá
Porto de Marabá

O Porto foi inaugurado em 18 de agosto de 1976 e está localizado na margem esquerda do rio Tocantins, na cidade de Marabá. O acesso é através dos rios Tocantins e Itacaiunas e da rodovia PA-70. O Porto foi construído com verba do PIN-Programa de Integração Nacional para dar apoio à rodovia Transamazônica. Devido a grande variação do nível do Tocantins o Porto foi construído paralelo à margem, sendo sua estrutura de concreto constituída de rampas e patamares. Portanto, é um Porto destinado a operar com pequenas embarcações e sua extensão acostável é de 430m.

Desde a inauguração do Porto que a movimentação de carga é inexpressiva, devido, principalmente, a inadequada localização que foi escolhida para a sua implantação e a existência nas proximidades de diversos terminais privativos. Atualmente o Porto está em contrato de cessão de direito real de uso não oneroso com o Ministério da Defesa por intermédio do Comando Militar da Amazônia (8ª RM). O Porto possui dois armazéns de 14m X 28m, estação de passageiros, residência e escritório da administração, casa de força e pátios pavimentados com 3.300m2.

Fotos: Antônio Silva/ Ag. Pará, Divulgação, Ilustração/Reprodução Google Imagens, Regina Santos

(*) Publicado originalmente na edição 166 da Revista Pará+.