Populações ribeirinhas do Marajó recebem Cadastro Ambiental Rural

Pequenos agricultores dos municípios de Chaves e Santa Cruz do Arari, no Marajó, serão contemplados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Profissionais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) já fizeram o levantamento em campo das áreas, em parceria com a Cooperativa de Produtores Rurais, Pescadores e Extrativistas de Açaí e Similares do Arauá (Cooprex). O trabalho deve ser concluído esta semana.

Processo de CAR deve ser concluído esta semana Foto: Ascom / Emater

Muitos paraenses desconhecem que, nos campos naturais e nas várzeas do Arquipélago do Marajó, pelo menos seis meses por ano, durante o inverno amazônico, de dezembro a maio, certas populações ribeirinhas e até mesmo os famosos rebanhos de búfalos vivem uma espécie de quarentena em relação à sede das cidades e mesmo às vizinhanças, com isolamento e distanciamento social por conta das cheias e das chuvas.

No período do alagadiço não passa bicicleta, não passa moto, não passa barco. “Na melhor das hipóteses, passa uma rabeta com duas pessoas”, informa o engenheiro agrônomo Orlando Lameira, chefe do escritório local da Emater no município de Santa Cruz do Arari. O profissional lembra que antes do avanço da epidemia do Covid-19, uma ação em fevereiro, levantou em campo dados para a elaboração de 22 CARs para famílias da comunidade do Rio Arauá, no município de Chaves, que trabalham com o extrativismo de açaí.

Também estão sendo emitidos CARs para dois pecuaristas da Vila de Sacramento, em Santa Cruz: ambos têm rebanho bubalino e criam suínos. O processo será concluído esta semana.

O trabalho in loco foi realizado pelo escritório de Santa Cruz porque a comunidade é muito mais próxima da sede de lá do que de Chaves. A viagem de barco, no inverno, da comunidade do Arauá até a sede de Santa Cruz leva metade do tempo se comparada à distância da sede de Chaves.

Nessa época do ano, região é atingida pela cheia e chuvasFoto: Ascom / Emater

“Isso mostra a integralização do sistema e a otimização de recursos do Governo do Estado. A Emater é uma só”, reforça o diretor técnico da Emater, Rosival Possidônio.

Cadastro –  De acordo com o Código Florestal, propriedades ocupadas por extrativistas também são obrigadas ao CAR, como requisito a quaisquer outras políticas públicas. Ainda neste semestre, a Emater pleiteará crédito rural da linha Floresta do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para as 24 famílias de Santa Cruz do Arari e de Chaves, com contratos individuais em média de R$ 18 mil e liberação do Banco da Amazônia.