Parque do Utinga

Compromisso do Governo com a preservação ambiental. Convívio harmônico entre homem e meio ambiente

O som da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, entre outras atrações culturais, marcou a reabertura oficial do Parque Estadual do Utinga (Peut). O novo espaço de lazer do Estado representa um investimento de cerca de R$ 36 milhões que possibilitou uma reestruturação especial para receber, de forma segura e adequada, praticantes de esporte ou aqueles que buscam apenas contemplar a natureza. A cerimônia contou com a presença do governador Simão Jatene, parlamentares, prefeitos da região metropolitana, entre outras autoridades. “Este é um momento muito importante. Esse é o tipo da obra que simboliza a relação entre os homens, e entre os homens e a natureza. Ela foi construída com muitas mãos e muitos corações, e com o imposto que cada paraense paga. No momento em que o país vive histórias tão tristes e o mundo um tempo de profunda intolerância, essa é uma obra que faz a apologia à celebração da vida”, afirmou o governador.

Simão Jatene ressaltou ainda a questão do pertencimento e dos verdadeiros donos do espaço. “Esse Parque não é do governador, muito menos do governo do Estado, é de todos os paraenses e de todos que acreditam que é possível uma convivência saudável, correta e harmônica com a natureza. É um espaço que todos podem usufruir, mas têm também o dever de cuidar. O governo trabalha neste sentido, de desenvolvimento do Estado por meio da valorização e preservação da biodiversidade”, acrescentou Jatene.

O Parque foi criado em 1993 para preservar a biodiversidade local, que compreende os lagos Bolonha e Água Preta, responsáveis pelo abastecimento de cerca de 70% da população de Belém. Entre as melhorias na Unidade de Conservação (UC) estão quatro quilômetros de pistas, preparados para caminhadas e passeios de bicicletas, patins e skates, um centro de recepção aos visitantes, equipado com auditório para 50 lugares e café, além de um grande estacionamento com capacidade para 400 veículos.

O projeto arquitetônico e paisagístico do Parque é assinado pelo secretário de Estado de Cultura, o arquiteto Paulo Chaves. “Este é um momento de extrema felicidade. Tenho o sentimento de missão cumprida, de entregar ao povo paraense essa obra. Esse é um espaço com um grande potencial turístico que reúne exemplares da biodiversidade amazônica e que, a partir de agora, a população vai poder usufruir com uma infraestrutura única, tendo em mente sempre a relação harmoniosa entre homem e natureza”, comemorou Paulo Chaves.

 O Peut possui uma área de 1.393,088 hectares, que equivale a 1.340 campos de futebol. Nela é possível encontrar representantes de várias espécies da fauna e flora amazônica, entre elas mais de 200 espécies de aves e a maior biodiversidade de peixes em parques em todo o mundo, com 90 espécies de peixes catalogadas. O espaço ainda mantém uma grande quantidade de insetos, além de mamíferos como preguiças e capivaras e répteis como tartarugas, jacarés e serpentes. A administração é feita pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio). 

“Essa revitalização vai permitir uma maior proximidade das pessoas com a natureza, com a fantástica biodiversidade amazônica que aqui no Parque do Utinga encontra a sua síntese. Uma floresta dentro da cidade e que agora pode ser usufruída por todos. Esta é uma obra que demonstra que o dinheiro não do governo, mas do povo, foi bem aplicado, bem devolvido à população”, destacou o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho.

Para o presidente da Assembléia Legislativa do Estado (Alepa), deputado Márcio Miranda, o Peut é um perfeito exemplo de intervenção do homem na natureza com harmonia, fruto de uma boa gestão. “A gente tem que agir na Amazônia desta forma, respeitando a natureza e a protegendo para que a população possa usufruir deste grande patrimônio. Fica para nós este exemplo de fazer a intervenção necessária tendo a coragem de lidar com a biodiversidade e com o nosso patrimônio, sob críticas”, disse o deputado Márcio Miranda.

“Esse é mais um espaço para o fomento do nosso turismo e é para nós motivo de orgulho. Ao provarmos no parlamento projetos interessantes como este, nós deputados estaduais dizemos que vale a pena estarmos juntos. São obras como esta que tornam Belém mais atrativa para o turismo”, finalizou o deputado.

O parque foi reaberto pelo Governo do Estado, como o mais importante espaço de preservação e estudo da biodiversidade dentro da Região Metropolitana de Belém, com uma grande caminhada com a população, com paradas para informações educativas sobre a fauna, flora e os novos espaços.

Fauna

Com uma área equivalente a 1340 campos de futebol (1.340 hectares) o Parque Estadual do Utinga possui uma fauna exuberante com mais de 200 espécies de aves registradas e a maior biodiversidade de peixes em parques em todo o mundo, com 90 espécies de peixes catalogadas. O espaço ainda mantém uma quantidade enorme de insetos com muitas espécies ainda desconhecidas, além de mamíferos como preguiças e capivaras e répteis como tartarugas, jacarés e serpentes.

Esse é o mais importante projeto de preservação da biodiversidade na Região Metropolitana de Belém e consiste em uma unidade de conservação criada, em 1993, para preservar ecossistemas e mananciais lá guardados – como os lagos Bolonha e Água Preta, que abastecem cerca de 70% da população de Belém.

Avalia-se como alta a diversidade de fauna e de flora encontradas na área florestal protegida. Estima-se que, apenas no lago Água Preta, esteja abrigada a maior diversidade de peixes em parques ambientais de todo o mundo. Entre as espécies de peixe estão os ornamentais e até o pirarucu. O gerente do parque, Julio Meyer explica que grandes rios das regiões sul e sudeste registram apenas uma média 10 espécies.  “A nossa biodiversidade é um verdadeiro tesouro”, ressalta.

Em 1993, foram realizadas observações para a criação do Plano de Manejo do Parque. De acordo com o documento, no local foram observadas 25 espécies de peixes, 7 espécies de anfíbios e 26 de répteis, 193 espécies de aves, 4 espécies de pequeno porte e 23 espécies de médio e grande porte de mamíferos, 48 espécies de invertebrados aquáticos, 8 espécies de mosquitos.

O gerente ressalta que apesar de exuberante, o avistamento de fauna não é uma coisa tão ocorrente na Amazônia, sendo mais comum em regiões como o serrado e pantanal onde há a ocorrência de áreas abertas e onde é possível avistar a fauna com maior frequência. “Na Amazônia observar a fauna é mais difícil, devido suas características de mata fechada. No parque, estamos tomando todas as providências para que esta observação da fauna possa ser realizada. Este é um desafio: a prestação de serviços com a preservação da biodiversidade”, comenta.

O Parque do Utinga é uma das 25 unidades de conservação dentro desta área de endemismo e é gerida pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – Ideflor-bio. “A gente tem uma missão mais importante, já que se trata da unidade mais visitada. A gente tem a responsabilidade de apresentar um pouco da Amazônia com toda sua biodiversidade para o morador da Região Metropolitana e para os visitantes de forma geral”, destaca.

Ararajubas

Dentro do parque existe um projeto voltado para a reintrodução das ararajubas, aves que há mais de 60 anos não se tinha nenhum registro de aparição na Região Metropolitana de Belém por conta de um processo de extinção, e que agora já podem voar livremente pelas árvores do Parque Estadual do Utinga.

No mês de janeiro, as araras de cores amarelo e verde vibrantes foram soltas de seu cativeiro em mais uma etapa do processo de reintegração da espécie ao seu habitat natural. Em outubro do ano passado, 12 exemplares de Ararajuba chegaram ao parque vindas de São Paulo. Julio Meyer destaca que o último registro científico das ararajubas se deu há 150 anos e, avistamento, há mais de 60. Ele explica que a reintrodução já atinge os primeiros resultados positivos.

Os atrativos da maior área de conservação dentro da RMB. Laboratório para a biodiversidade Amazônica

A Floresta amazônica abriga aproximadamente 30 milhões espécies de vegetais, dentre esses as de maior destaque são a castanheira, a seringueira, o cacaueiro e um dos símbolos da Amazônia, a vitória-régia. No Parque Estadual do Utinga (Peut) -reaberto ao público pelo governo do Estado nos próximos dias 16 e 17 de março – em uma área de 1.393,088 hectares, é possível encontrar representantes dessas mesmas espécies. Criado para proporcionar um espaço de lazer à comunidade, o Peut é um verdadeiro laboratório desta biodiversidade.

No parque existem nove classes de paisagem e, no seu entorno, há oito dessas classes. Em seu interior, predomina a floresta ombrófila densa de terra baixa, onde as classes vegetais abundantes são a floresta de terra firme (54,15%), a floresta inundável de igapó (6,78%), a floresta secundária (4,33%), a vegetação aquática (7,31%), a vegetação de igapó em regeneração (1,31%) e o fragmento florestal isolado (0,18%).

A floresta de terra firme é predominante no local, ocupando uma área de 754,75 hectares (54,15%). Essa cobertura possui característica de floresta com mais de 40 anos, sem sinais de degradação.

O Peut está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém (RMB) e faz limite ao norte com os bairros Guanabara e Castanheira; a oeste com o bairro Souza; a leste com os bairros Aurá e Águas Lindas; e ao sul com o bairro Curió-Utinga.

Para o engenheiro florestal e diretor de Gestão da Biodiversidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – (Ideflor-bio), Crisomar Lobato, o Parque Estadual do Utinga tem grande importância biológica porque contém testemunhos das florestas originais e dos ecossistemas vegetais originais da RMB.

Conservação

O Peut faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da RMB. O Refúgio de Vida Silvestre Metrópole (Revis) da Amazônia e a Área de Proteção Ambiental Ilha do Combu são as Unidades de Conservação Estaduais que formam a Região Administrativa de Belém.

Entre os mais de 16 mil hectares de área protegida, 7.760 hectares (47%) correspondem a Unidade de Conservação (UC) e de Proteção Integral – o Parque Estadual do Utinga e o Revis.

O Parque, formado por florestas de terra firme e inundadas, abriga os principais mananciais de água doce da região. Os Lagos Bolonha e Água Preta distribuídos em quase 400 hectares de lâmina d’água, com volumes de 2 e 10 bilhões de litros de água, respectivamente, são responsáveis pelo abastecimento, de forma direta ou indireta, a 70% da população da RMB.

Aproximadamente 150 mil pessoas moram no entorno dessas terras, sendo uma das principais ameaças às áreas de proteção (Apas) do meio ambiente, explica o diretor. Juntas estas Apas formam um imenso corredor ecológico e um inestimável laboratório da biodiversidade amazônica.

Conforto

O pesquisador do Museu Emílio Goeldi e coordenador da Estação Científica Ferreira Pena, Leandro Ferreira ressalta que por associar diversas formas de vegetações, o Peut é um tesouro próximo à população e responsável pelo conforto térmico na cidade.

Em artigo publicado pelo pesquisador, ele descreve que o desafio das grandes cidades atualmente é propiciar um crescimento e um desenvolvimento urbano, que proporcionem geração de riqueza, qualidade de vida e qualidade ambiental para seus atuais e futuros habitantes. “As áreas verdes são essenciais na vida dos cidadãos, pois, além de se constituírem em espaços de lazer, reduzem a poluição atmosférica e contribuem para a regulação do micro-clima urbano, diminuindo a temperatura”, explica Leandro Ferreira. Além disso, completa: “as áreas verdes aumentam a circulação do ar e retêm até 70% da poeira em suspensão”, diz.

A Grande Belém concentra 1,8 milhões de habitantes (quase um terço da população do estado do Pará), sendo representada pelos municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara, Benevides e Belém. Nos últimos 15 anos, toda essa área perdeu cerca de 200 km2 de sua cobertura vegetal, resultado do crescimento urbano acelerado, sem planejamento e controle normativo do uso do solo. “A perda de áreas verdes urbanas implica na perda de qualidade de vida na capital paraense.”, ressalta o pesquisador.

Ele destaca ainda outro diferencial do Peut. “Lá estão as melhores condições entre os parques urbanos de Belém em relação a tamanho, forma e grau de isolamento dos fragmentos florestais. Este parque e os outros fragmentos estão localizados na região Sudoeste de Belém, uma região com os melhores fragmentos florestais urbanos, portanto os mais indicados, por exemplo, para a soltura de animais e também para a manutenção da flora e da fauna da área metropolitana de Belém”,afirma o professor.

Para Leandro, este corredor ecológico equilibra o microclima da cidade de Belém, onde está a maior concentração populacional da região Amazônica, que vem atuando através de séculos de atropismo e de modificação da vegetação. “Este cinturão de áreas verdes também influencia e é responsável pelo conforto térmico da Região Metropolitana de Belém”, comenta.

Fauna X Flora

Para Crisomar, a fauna não sobrevive sem a flora. Neste sentido, o parque desenvolve projetos que estimulam essa relação, como a reintrodução das ararajubas, uma espécie localmente extinta. Elas se alimentam de frutos como a açaí e o muruci que fazem parte da fauna do parque. “Isso equilibra o ecossistema da região”, destaca.

Outro projeto para o equilíbrio do ecossistema envolve a vegetação macrófita flutuante (representadas pela classe vegetação aquática) e o peixe-boi em ameaça de extinção. Na superfície dos lagos Bolonha e Água Preta são visualmente perceptíveis este tipo de vegetação.

Crisomar Lobato ressalta ainda que, o trabalho de introdução de peixes-boi no Lago Bolonha, que se alimentam das macrófitas aquáticas, fortalecerá a cadeia alimentar e esta relação entre a flora e a fauna. Ele comenta também que as florestas e matas do Parque do Utinga não possuem só árvores e, sim muito conhecimento sobre a biodiversidade amazônica. ”Precisamos estudar e colocar este conhecimento a disposição da população”, destaca.

Presente para os esportistas

O espaço é uma mostra significativa do ecoturismo e um parque estruturado, que será o maior portal turístico da Amazônia, com opções de lazer e esporte como: rapel, canoagem, trilhas e outros. Os serviços serão oferecidos em caráter experimental. Para a obra do novo parque foram investidos cerca de R$ 36 milhões. Entre as novidades estão o circuito de quatro quilômetros de pistas, preparado para caminhadas e passeios de bicicletas, patins e skate, além de um grande estacionamento de 400 lugares para veículos e de um centro de recepção aos visitantes, equipado com auditório para 50 lugares e café.

Trilhas interpretativas do Parque do Utinga

Para o público conhecer toda essa natureza: o parque possui nove trilhas ecológicas interpretativas, onde estão diferentes tipos de ecossistemas vegetais, sendo possível conhecer, estudar e apreciar esses ecossistemas

Para realizar as trilhas é necessário estar vestido adequadamente, utilizando chapéu, camisa de manga comprida ou casaco ou jaqueta, calça comprida, calçado adequado (bota ou tênis).

Trilha do Acapu – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha da Água Preta – Grau  de Dificuldade: Difícil

Trilha do Amapá – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha do Bolonha – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha da Castanheira – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha do Patauá – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha do Macaco – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha da Paxiuba – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha da Mariana e do Bolonha – Grau de Dificuldade: Médio

FOTOS: Igor Brandão/ Ag.Pará, Mácio Ferreira, Thiago Gomes / Arquivo Ag. Pará