O município de Paragominas, nordeste do Pará, inaugurou recentemente  a primeira usina brasileira de geração de energia solar fotovoltaica de 75kVA do Estado. A cidade, que é conhecida como município verde, inicia a geração de energia limpa, sem fios e fazendo uso da energia solar. O empreendimento custou R$ 600 mil feito pela Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (Coober), criada em fevereiro deste ano, com base nas novas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que entraram em vigor em dezembro de 2015, com o objetivo de estimular a geração de energia pelos próprios consumidores. Atualmente, existem cerca de duas mil unidades gerando energia no Brasil, mas nenhuma em formato de cooperativa.

O presidente da Coober, Raphael Sampaio Vale, é advogado e atua no ramo do direito ambiental. Segundo ele, o grupo reúne um total de 23 cooperados, convictos das vantagens de se produzir energia renovável (solar fotovoltaica) em cooperativa e não de maneira individualizada. “A geração compartilhada é caracterizada pela reunião de consumidores, dentro da mesma área de concessão ou permissão, por meio de consórcio ou cooperativa, composta por pessoa física ou jurídica, que possua unidade consumidora com microgeração ou minigeração distribuída em local diferente das unidades consumidoras nas quais a energia excedente será compensada”.

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Visita do secretário de estado de agricultura Hidelgardo Nunes a usina da Coober

“Nosso maior desafio é o pioneirismo da união de dois universos no Brasil: o cooperativismo e a produção de energia renovável. Nossa inspiração tem sido as cooperativas de energia renovável de outros países, em especial da Alemanha, que conta com mais de 700 cooperativas de energia instaladas”, explica Vale. A resolução 687/15 da Aneel permite que os cooperados utilizem o benefício da compensação de energia elétrica gerada pela Usina micro geradora em suas unidades consumidoras.

Para o superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB),  Renato Nobile , em poucos anos o Brasil terá centenas de cooperativas de energia renovável espalhadas de Norte a Sul produzindo energia  de forma compartilhada e distribuindo entre seus cooperados . “É  um passo concreto em um caminho que não tem volta , a  matriz de produção mundial será renovável ,  gastando muito menos sem transmissão, afetando muito menos o ambiente com uma forma econômica mais viável e acessível. ”, afirma  Nobile .

A economia da usina de geração de energia solar vai ser sentida no bolso. Além da redução do valor pago na conta de luz, haverá um ganho significativo na segurança do fornecimento de energia com os sistemas de micro e mini geração. Isso porque a geração está mais perto do consumo, e não sujeita aos vários problemas que podem acontecer em relação à transmissão tradicional, como manutenções na rede.

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Durante a inauguração da Coober em Paragominas

O “linhão”, aquelas Linhas de Transmissão, quase sempre ficam perto de residências e são enormes. Já as placas necessárias para a captação da energia do sol, são de instalações simples e seguras, e não geram transtornos às comunidades do entorno. As usinas-solares também permitem uma folga no sistema de distribuição, pois, mais pessoas gerando a própria energia, significa uma redução na necessidade de construção de linhões. Outras vantagens estão no desenvolvimento de uma cultura de colaboração; a melhor escolha e avaliação das opções, mais pessoas pensando com o mesmo objetivo; e a melhor relação com a concessionária e tratativas de benefícios e isenções fiscais.

Investimentos

Neste sistema de cooperativa, o total do investimento será entre R$700 mil a R$ 1 milhão. Na primeira fase, a geração de energia, a partir da usina de fonte solar fotovoltaica, ficará entre 12.000 e 17.000kWh/mês, que serão injetadas na Rede de Distribuição da Concessionária local (Celpa). A partir daí a concessionária será informada para creditar determinado percentual da energia gerada na unidade consumidora (conta de luz) dos cooperados. Crédito baseado de acordo com a média de consumo de cada cooperado. Na Coober, são 23 pessoas que produzirão  e consumirão a própria energia gerada transformando cada um  “prosumidores”, termo que vem sido empregado para designar as pessoas que produzem e consomem seus produtos. Inicialmente funcionará apenas como um sistema de painéis fotovoltaicos (gerado a partir da energia solar), mas futuramente, os cooperados têm a expectativa de instalar um biodigestor para produção de BIOGÁS.

Sobre o Sistema OCB

O Sistema OCB representa oficialmente um movimento cooperativista com suas três entidades: Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop).

O Sistema conta com uma unidade nacional e 27 estaduais – localizadas nas capitais de cada estado e, também, no Distrito Federal. Seu papel é trabalhar pelo fortalecimento do cooperativismo no Brasil. A soma de todas essas forças tem um importante objetivo comum: potencializar a presença do setor na economia e na sociedade brasileira.

(*) Publicado originalmente na edição 175 da Revista Pará+.

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