Na gestão e no campo, Emater tem a competência de mulheres extensionistas

Elas são no total 298 mulheres, aproximadamente, 30% do quadro da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater). Órgão com 55 anos de fundação em que a maioria dos profissionais é do sexo masculino, mas onde pouco a pouco as mulheres ganham espaço e se consolidam tanto em cargos de chefia quanto na área técnica.

Com quase três décadas de atividade como extensionista rural, Clemilda Guimarães foi a primeira mulher, engenheira agrônoma, a integrar a equipe do escritório local da Emater no município de Redenção, na região sudeste. Corajosa, ela deixou sua cidade natal, Belém, para ganhar a vida no sul do Pará e ainda hoje se mantém em campo, assistindo agricultores e agricultoras.

“Desde que eu me entendo por gente eu queria ser agrônoma. E a Emater em Redenção foi uma oportunidade que surgiu e eu encarei. Eu fui a primeira engenheira agrônoma a compor o escritório daqui e havia muito trabalho. Felizmente sempre fui muito respeitada pelos colegas de trabalho e pelos agricultores, que eram em sua maioria, homens também, mas que sempre me reconheceram como profissional”, recorda a engenheira agrônoma Clemilda Guimarães.

E é também na área rural, mas no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém, que a também engenheira agrônoma Soraya Araújo acompanha há 15 anos, homens e mulheres agricultores e observa uma mudança tanto em relação à prestação de assistência, quanto na produção rural.

“A profissão na área de agrárias há muito tempo deixou de ser quase que exclusivamente para homens. As mulheres vêm conquistando esse espaço com muita dedicação e competência. Na Emater temos um número expressivo de mulheres atuando como extensionistas rurais. Particularmente no meu trabalho sempre me vi envolvida em atividades com mulheres rurais, agricultoras, floriculturas, artesãs, que necessitam de capacitação, para melhorar seus conhecimentos e oportunidades para comercializar seus produtos.”, conta Soraya.

Versatilidade

Da atividade de campo para a gestão, as mulheres também mostram competência nos cargos de chefia da empresa. Em 2008, Marialva Costa ingressou na Emater como assistente de administração. Ao longo dos anos passou por diferentes setores. Dedicada, aprendeu em cada lugar que passou, enxergou nas atividades que exercia outras possibilidades e deixou a graduação em letras, prestes a concluir, para investir na sua qualificação direcionada aos novos caminhos que o trabalho a levava.

Formou-se em ciências contábeis em 2015 e hoje está à frente da Coordenadoria de Planejamento (Cplan) da Emater. Marialva Cosa é uma das 35 mulheres que ocupam cargos de chefia na instituição. “Cada experiência se traduz no conhecimento que a gente vai aprimorando. Eu digo que todo dia a gente aprende alguma coisa com alguém e, nós, mulheres, desde cedo, nos envolvemos em muitas tarefas e aprendemos a ter muitas habilidades, que eu acredito, fazem diferença na nossa vida profissional”.

Marialva Costa atribui ao trabalho em equipe o sucesso profissional. “Sou grata a Deus e à Emater, pois acredito que aqui me foram apresentadas muitas oportunidades para prestar serviço à sociedade, por meio de um trabalho em equipe, pois reconheço que consigo fazer um bom trabalho, graças a esse aprendizado e também ao apoio de cada integrante dos núcleos que nos subsidiam com informações”.

Gestão

O trabalho em equipe, de forma colaborativa, multiprofissional e interdisciplinar é valorizado na atual gestão da empresa, assim como a versatilidade feminina no serviço público. Uma qualidade que para a presidente do órgão, Cleide Amorim, é construída por gerações de mulheres que lutaram para mostrar que são capazes, se qualificando e se esforçando dia a dia para isso.

“Quando cheguei à Emater ouvi histórias de antigas extensionistas, que ingressaram na instituição logo no início, e já se aposentaram, que tiveram que superar o machismo. Elas contaram que eram proibidas de usar calça comprida, enquanto os colegas homens iam a campo montados nos cavalos”, relembra Cleide Amorim, a primeira mulher a gerir uma empresa de Ater Pública no Brasil, a Emater Pará.  

“Eu mesma, quando me graduei, entre os mais de cem alunos que se formaram em engenharia, nem 20 eram mulheres. Engenharia era considerada uma profissão masculina. Mas hoje, as mulheres estão em todas as profissões”, observa a presidente da Emater.

Cleide Amorim é realista. “Competência e inteligência independem de gênero. Para mim, chegar ao topo da minha profissão como presidente da Emater é motivo de orgulho, mas também de muita responsabilidade. E assim é para todas as mulheres que buscam o seu espaço, enfrentando desafios, situações de machismo”.

“No atual governo vejo a valorização das mulheres na gestão e a própria sociedade também reconhece nossa competência, quando elege mulheres prefeitas. Mas precisamos nos manter firmes, pois essa é uma conquista de muitas mulheres que vieram antes de nós”, conclui a titular da Emater.