Mosqueiro amplia retaguarda para enfrentamento da Covid-19

O médico cubano José Henrique Rodrigues Gomes e as enfermeiras da ESF Maracajá, Silvia Sousa e Tamara Bentes: Gratidão à sensibilidade da PMB em enviar novos profissionais de saúde para Mosqueiro.

O distrito de Mosqueiro, distante 70 km de Belém, ampliou a retaguarda da rede de saúde pública municipal para enfrentamento da Covid-19. Segundo o diretor clínico do Hospital Geral de Mosqueiro, Caio Lacerda, a população precisa manter os hábitos do distanciamento social, uso de máscara e higienização constante das mãos para evitar o contágio desenfreado. A situação é preocupante, sendo o médico, pois o HGM está com 100% dos leitos para Covid ocupados.

A retaguarda está sendo finalizada com abertura de uma policlínica e mais duas tendas anexas ao hospital. Os espaços estão prontos, faltando apenas os equipamentos finais e os medicamentos. De acordo com Eduardo Barros, diretor geral do HGM, a nova logística vem suprir a ausência de um plano de contingência. Ele ressalta que não havia nada igual até duas semanas atrás, quando os casos de suspeitas de Covid-19 aumentaram da noite para o dia e os pacientes corriam risco de se misturar aos casos comuns no hospital.

“Precisávamos mudar essa rotina e, de acordo com novo protocolo de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, estamos conseguindo instalar essa estrutura para recepção da demanda”, destaca.

A policlínica vai atender exclusivamente os casos de sintomas respiratórios. O local está preparado com quatro consultórios médicos, uma recepção e espaços para triagem da enfermagem. As duas outras tendas anexas vão funcionar como áreas de espera e coleta do PCR (teste do cotonete) para identificar a contaminação ou não. A medida veio após duas semanas de avanço da Covid-19, em Mosqueiro. O aumento, segundo o médico, Caio Lacerda, foi de 40% em relação a fevereiro, quando o HGM registrava a presença de 120 pessoas e, hoje, o número saltou para 190.

“Por isso, a necessidade urgente em fazer a separação do fluxo de atendimento”, explicou. O hospital suspendeu as cirurgias eletivas, que são aquelas não urgentes, mas manteve o calendário das consultas especializadas. “Não podemos parar totalmente ou atender exclusivamente os casos de Covid-19”, ressalta o médico.

Vacinação – Na outra ponta da retaguarda da saúde pública municipal de Mosqueiro para enfrentamento da Covid-19 estão as Unidades Municipais de Saúde. As que atendem os bairros de maior volume populacional (Carananduba e Maracajá) estão sendo polos de imunização. Nesta terça-feira, 16, o calendário de vacinação segue para segunda dose dos pacientes da faixa etária de 83 anos. As enfermeiras Silvia Sousa e Tamara Bentes alinhavam os últimos preparativos, na manhã desta segunda-feira, 15, para atender um quantitativo aproximado de cem pessoas. Outro grupo perto de receber a segunda dose são os idosos de 70 anos ou mais.

O atendimento ao público com idade inferior a 70 anos precisará ser mudado, pois à medida que reduz a faixa etária, aumenta o quantitativo populacional. A ideia da coordenação da Unidade Especializada em Saúde da Família (ESF Maracajá) é migrar o local de vacinação para quatro salas da Escola Honorato Filgueira, vizinha à unidade, além de organizar uma logística de trânsito para imunização em drive thru.

Além da vacinação contra Covid-19, todas as ESF de Mosqueiro mantêm disponíveis ao público todos os imunizantes do Programa Nacional. São ao menos 19 vacinas que cobrem e protegem a população dos mais variáveis tipos de doenças. A relação passa pelas vacinas BGC, Hepatites B, Tetra viral, Penta valente, febre amarela, tríplice viral, anti-rábica, varicela, rota vírus, meningocócica e DTPA. A técnica de enfermagem Maria do Socorro dos Santos Silva é a responsável pela aplicação dos imunizantes na ESF do Maracajá. “Estamos aqui com vacinas disponíveis ao público”, destaca.

Médicos – Mosqueiro também recebeu há duas semanas três novos médicos cubanos. Os profissionais estão atuando nas ESF de Maracajá, Aeroporto e  Sucurijuquara, responsável pelo atendimento dos pacientes do território quilombola. A chegada dos médicos foi comemorada pelas enfermeiras, pois havia meses que as unidades estavam operando sem o profissional. “Estamos muito gratas à nova gestão da PMB pela sensibilidade”, afirma Silvia Sousa, coordenadora do Serviço de Enfermagem da ESF Maracajá.

Para o recém-chegado, o médico cubano José Henrique Rodrigues Gomes, a estadia em Mosqueiro está sendo muito produtiva e acolhedora. Ele conta que a maioria de seus pacientes são portadores das chamadas doenças crônicas como diabetes e hipertensão, mas há casos dos que nem sabem que sofrem de um desses males.

Medo – A maioria dos pacientes também apresenta sintomas emocionais como o medo, depressão e estresse. Segundo o médico José Henrique Gomes, o primeiro momento é para conversar, acalmar o paciente porque os níveis de tensão só aumentam diante da possibilidade de contrair a Covid-19. “Sabemos que é difícil, mas com calma podemos chegar a um atendimento humanizado, tranquilizando esse paciente até se chegar a um primeiro diagnóstico e encaminhá-lo ao tratamento”, explica o médico.

A mesma observação é do médico Caio Lacerda, do HGM. Ele conta que os sintomas iniciais da Covid-19, são febre, tosse, dor de garganta, fadiga e dores musculares. “Sintomas que podem ser confundidos com de outras viroses comuns nessa época chuvosa do ano, mas que devido ao agravamento dos casos da Covid-19, as pessoas se desesperam em busca de ajuda, lotando os hospitais e as unidades de saúde. Por isso, é importante manter a calma e só saia de casa em busca de consulta médica, caso seja realmente necessário”, pediu o médico.

Parcerias – Para organizar e estruturar o plano de contingência ao avanço da Covid-19, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) com apoio da Agência Distrital de Mosqueiro (Admos), Defesa Civil Municipal e Secretaria Municipal de Educação (Semec), atuam em parceria para dar cumprimento ao lockdown (suspensão das atividades não essenciais).

A agente distrital de Mosqueiro, Vanessa Egla, explica que no período em que vigora o Decreto estadual (sete dias), a agência estará fechada ao atendimento presencial, mantendo os serviços essenciais de limpeza pública, necrópoles e iluminação pública. “Precisamos preservar vidas”, ressalta a gestora.