Internet das coisas dará o tom em 2017

A Internet of Things, ou IoF, como também é conhecida tem como objetivo estabelecer uma interação entre objetos inteligentes por meio da Internet. O mundo está cada vez mais automatizado e tecnologias estão virando realidade

Essa inovação é apresentada por possibilitar a comunicação entre todos os objetos que existem – enviando e recebendo dados e informações com o intuito de facilitar a vida das pessoas.

Tudo cada vez mais automatizado – de casa ao trabalho, passando pelo carro – controlado por inteligência artificial, e a realidade oscilando entre virtual e aumentada. Parece cenário de livro de ficção científica, mas é o futuro que se desenha para 2017 a partir das inovações tecnológicas que vimos nos últimos meses. Automação, realidade virtual, internet das coisas e computação cognitiva foram temas muito debatidos em 2016 e devem seguir em alta este ano.

Um exemplo disso é um dos lançamentos mais recentes, o assistente virtual apresentado por Mark Zuckerberg (criador do Facebook), que une quase todos esses conceitos. O software, inspirado no personagem Jarvis, de Homem de Ferro, é como um mordomo virtual administrando a sua casa. A inteligência artificial está se estabelecendo nas casas das pessoas, a começar pelo dispositivo por comando de voz Echo, da Amazon, que inclui uma assistente virtual chamada Alexa, capaz de responder a perguntas e de controlar objetos conectados, como eletrodomésticos ou lâmpadas.

A empresa especializada Consumer Intelligence Research Partners (Cirp) estima que a Amazon tenha vendido mais de 5 milhões de unidades de seus dispositivos conectados como o Echo desde 2014, em um mercado que está aquecendo com a concorrência do Google Home e de outros produtos deste tipo que estão em desenvolvimento. O Google também está usando sua capacidade de inteligência artificial para aperfeiçoar os smartphones. Seu novo aplicativo de mensagens instantâneas Allo pode, além de concorrer com o popular WhatsApp, sugerir uma reunião ou oferecer informações relevantes durante uma conversa.

Entre outros gigantes da tecnologia, a Apple tem melhorado discretamente as capacidades de seu assistente digital Siri, assim como o Facebook tem feito com sua plataforma Messenger.

Automação

Fabricantes de automóveis, Google e Uber, entre outros, estão acelerando o passo para oferecer a venda de carros autônomos, “sem motorista”, cuja condução também será feita com inteligência artificial (IA). Um dos projetos mais avançados é o da Waymo, uma empresa que faz parte do grupo Alphabet, o mesmo do Google, que em maio fez uma parceria com a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para trabalhar na produção de 100 minivans Chrysler Pacifica Hybrid.

A fabricação começou em outubro e os veículos sem motorista estarão disponíveis em 2017. Esta tecnologia também será aplicada nos supermercados para identificar automaticamente o conteúdo dos carrinhos, sem a necessidade de passar as compras pelo caixa – uma novidade testada recentemente pela Amazon. Nas unidades da Amazon Go, basta fazer o login no aplicativo antes de entrar na loja, pegar os produtos na prateleira e sair. A tecnologia é a mesma dos carros sem motorista: o sistema Just Walk Out detecta automaticamente quando os produtos são retirados ou devolvidos às prateleiras e os acompanha em um carrinho virtual. Quando o cliente termina de comprar, pode simplesmente sair da loja e, pouco depois, a Amazon faz a cobrança e envia um recibo. Por enquanto, só há uma unidade, em Seattle.

Alexandre Alahi, pesquisador nos laboratórios de inteligência artificial da Universidade de Stanford, antevê um futuro em que as máquinas inteligentes estarão onipresentes em nossa vida cotidiana. “Teremos robôs nas casas e nos carros autônomos, mas também nas estações de trens, nos hospitais e na cidade em geral, o que poderia incluir robôs ou dispositivos para melhorar a mobilidade dos deficientes visuais”, detalhou.

Cognitiva

Sistemas de inteligência artificial projetados para reconhecer e interpretar dados de imagens estão próximos ao desempenho humano, mas mais trabalho precisa ser feito para melhorar a “inteligência social” e compreender as sutilezas de nossas decisões diárias. Um automóvel autônomo, por exemplo, pode circular sem problemas em uma cidade bem estruturada como Mountain View, em Santa Clara, Califórnia, onde o Google tem sua sede, mas teria mais problemas em volta do Arco do Triunfo de Paris, onde os comportamentos de condução são menos previsíveis.

Ao longo de 2017, espera-se que essa evolução continue. Um exemplo disto vem da IBM, cujos sistemas de supercomputadores Watson estão oferecendo programas de “saúde cognitiva” que podem analisar o genoma de uma pessoa e oferecer tratamento personalizado para o câncer, por exemplo. No final de novembro, o Google anunciou que tinha desenvolvido um algoritmo que consegue detectar sinais de retinopatia diabética, uma causa de cegueira, através da análise de imagens de retina. Tanto o Facebook como a Microsoft apresentaram neste ano sistemas capazes de apontar para imagens e descrever seu conteúdo para pessoas cegas.

A aplicação disso está invadindo o mercado também, uma vez que cada vez mais empresas estão contratando “robôs” para atender os consumidores online e oferecer melhores produtos recomendados com base no histórico de compra de cada pessoa. É provável que empregos que exigem um nível menos complexo de interação com pessoas comecem a sumir, na medida em que automação e aprendizagem de máquina se combinem.

Virtual

Nesse campo, os maiores avanços devem surgir primeiro no setor de games. 2016 foi dominado por Pokémon Go, um jogo mobile que abusa da realidade aumentada para fazer com que as pessoas circulem pela cidade caçando monstros. Com o lançamento do Playstation VR, da Sony, devemos ver em 2017 mais e mais aplicações de realidade virtual para o público geral (especialmente quando aparelhos semelhantes forem lançados para Windows 10, com um custo mais baixo).

Resumindo

Há onze anos não havia Facebook, Twitter, YouTube ou Instagram. E se contarmos mais dez anos para trás, nem a Internet comercial existia. A evolução ocorre cada vez mais rápido e de forma contínua. Mas tudo isso é apenas o começo, já que 99% das coisas no mundo físico ainda estão desconectadas…

Para ligar objetos do dia-a-dia à Internet e às grandes bases de dados, é necessária uma combinação de um sistema eficiente de identificação e do uso de tecnologias sensoriais. Desta forma, é possível registrar os dados sobre cada uma das coisas e detectar mudanças em sua qualidade física. E com o avanço da miniaturização e nanotecnologia, cada vez mais pequenos objetos terão a capacidade de interagir e se conectar.

Assim, a inteligência própria de cada objeto aumenta o poder da rede em devolver a informação processada para diferentes pontos.

A combinação de todos estes elementos viabilizou o conceito da Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), que liga os objetos de um modo sensorial e inteligente. Os principais benefícios são a informação integrada dos objetos de uso diário com suas identidades eletrônicas e equipados com sensores que detectam mudanças físicas à sua volta.

Mas o que exatamente é a Internet das Coisas?  

Pode-se dizer que é a grande revolução tecnológica que está conectando, literalmente, todas as coisas. A intenção é tornar o mundo físico e o digital uma coisa só, é fazer com que os dispositivos se comuniquem a favor da vida humana. Eletrodomésticos, móveis, carros, roupas, luzes, casas, todo o tipo de coisa desenvolvida com softwares e conexões que irão criar uma nova experiência de vida.

A Internet das Coisas fala sobre objetos que agem de forma inteligente, como, por exemplo, janelas com sensores para detectar o tempo e se fecham sozinhas quando começa a chover.

Outra utilidade para a Internet das Coisas seriam equipamentos dotados de sensores incluídos em sua estrutura que façam uma manutenção preventiva, identificando potenciais falhas em seu funcionamento e sinalizando a necessidade de reparo antes de um estrago maior.

Assim, um carro poderia ter um software que identificasse uma leve falha em seu motor e avisasse o seu dono da necessidade de uma vistoria antes que o motor parasse de funcionar totalmente.

A Internet das Coisas pode ser empregada em pequenos objetos e acessórios e, até mesmo, em grandes estruturas como casas e empresas. As possibilidades podem ser infinitas, uma casa inteira poderia ser gerenciada utilizando smartphone e outros sensores e aparelhos.

Como exemplo de objetos que já estão integrados a essa nova tecnologia podemos citar o Apple Watch, relógio da Apple, e o Google Glass, óculos inteligente de realidade aumentada da Google.

É interessante notar que a usabilidade pode ser aplicada em diferentes áreas, como ajudar na coleta de dados mais detalhados em exames médicos ou auxiliar na agricultura monitorando temperatura, qualidade do solo, vento e outras condições climáticas.

A Forbes aponta a Internet das Coisas como um importante campo de investimento. Em um artigo, eles informam que nos próximos 5 anos qualquer objeto que não tenha algum tipo de software, sensor ou conectividade será obsoleto.

Ainda é incerto o potencial total da Internet das Coisas, mas já é claro que será um divisor de águas na vida das pessoas, será uma nova era onde pessoas e objetos estarão conectados à internet. A conectividade se tornará algo tão comum que já não notaremos a existência da internet, será algo que já esperamos que esteja lá.