Incentivo às boas práticas pedagógicas projeta escolas do Pará nacionalmente

A estudante paraense Raquel Lavareda foi empossada no cargo de Jovem Senadora ao vencer um concurso de redação promovido pelo Senado Federal
A estudante paraense Raquel Lavareda foi empossada no cargo de Jovem Senadora ao vencer um concurso de redação promovido pelo Senado Federal

Além da mochila onde leva o caderno, os livros e outros materiais usados durante as aulas na escola José Márcio Ayres, localizada no bairro do Tapanã, a estudante paraense Raquel Iara Lavareda Jamacaru, de 16 anos, agora carrega consigo uma nova e importante bagagem trazida da viagem que fez a Brasília – a primeira para fora do estado -, em novembro último, quando foi empossada no cargo de “Jovem Senadora” ao vencer um concurso de redação promovido pelo Senado Federal.

“Foram dias inesquecíveis, que não tem nem como descrever. Aprendi muito, fiz amigos e conheci pessoas de várias partes do país. Sei que vou levar essa experiência para minha vida toda”, conta a jovem, que concorreu com cerca de 500 estudantes, de 15 escolas paraenses.

“Lembro que a professora divulgou o concurso na sala e eu me interessei em participar. Então os alunos de cada turno do Ensino Médio que queriam participar do concurso apresentaram suas redações. A minha foi escolhida para representar a escola em que estudo. Isso tudo aconteceu em setembro. Eu fiz a redação porque gosto de escrever, mas não esperava, de verdade, ganhar. Passou um mês e eu já tinha até esquecido quando a minha professora me ligou dizendo que tinha visto meu nome no facebook do “Jovem Senador”. Foi inesquecível”, recorda.

Em Brasília, a estudante participou do concurso junto com outros estudantes do país e durante cinco dias pode vivenciar as atribuições de uma senadora. Eles discutiram e elaboraram leis, como fazem os senadores da República. A comissão de Raquel propôs a criação de uma “bolsa vestibulando”, no valor de R$ 250, para auxiliar os estudantes de escolas públicas a se prepararem melhor para os processos seletivos das universidades. “A ideia era de que essa bolsa fosse concedida para quem está cursando o terceiro o ano. E a condição seria que no ano anterior esse aluno não tivesse ficado em recuperação”, detalha Raquel.

Neste ano, o tema foi “Se eu fosse senadora”. Na sua redação, Raquel disse que iria propor projetos para trazer crianças e jovens de volta à escola. “Assim, além de melhorar a educação no país, contribuiria para a diminuição da criminalidade, já que os jovens teriam melhor capacitação profissional e seriam mais preparados não só para o mercado de trabalho, como também para a vida”, pontuou a estudante. A proposição acertou no ponto central dos desafios de educadores no Brasil, ao enfocar a evasão escolar, processo que atinge, sobretudo, os alunos do Ensino Médio nas cidades brasileiras.

Boas práticas – Ao longo do ano, outras escolas estaduais também tiveram projetos e práticas de gestão premiadas, colocando em destaque o interior do Estado. Em Bragança, por exemplo, o reconhecimento veio através das ondas do rádio para a Escola Rio Caeté. No mês passado, o Projeto “Aluno Repórter – A Imprensa na Escola, Rádio e TV”, coordenado pelo professor Roberto Amorim, alcançou o segundo lugar na 14ª versão do “Escola Voluntária”, da Rede Bandeirantes e Fundação Itaú Social, parceira do Pacto pela Educação do Pará. A premiação rendeu R$ 15 mil para o projeto e ao professor que o orientou o título de “Educador Destaque”.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Frei Ambrósio, de Santarém, venceu o Prêmio Nacional de Educação Fiscal, entregue em Brasília
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Já as escolas São Francisco Xavier (Abaetetuba), Yolanda Chaves (Bragança), Frei Othmar (Santarém) e São Pedro (Icoaraci) tiveram destaque no Prêmio Gestão Escolar, do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed). As unidades de ensino desenvolveram processos de incentivo ao estudo junto a crianças e jovens e, também, promoveram modificações estruturais no ensino-aprendizagem envolvendo professores, funcionários e famílias. Como fruto desse reconhecimento, o diretor Manoel Carlos da Silva, da São Francisco Xavier, viajou para a Inglaterra para aperfeiçoar ainda mais as ações administrativas e pedagógicas na unidade de ensino.

Para o secretário adjunto de Ensino da Seduc, Licurgo Brito, as iniciativas servem de exemplo para outras escolas da rede de ensino, e vêm ao encontro das ações de reorganização da gestão e valorização de boas práticas, previstas no Pacto pela Educação. “São iniciativas que nos deixam muito gratificados porque vemos que há experiências espetaculares sendo desenvolvidas e que, cada escola ao seu ritmo, vem se esforçando para mudar a cara da educação no Pará. Na outra ponta, para nós que estamos na gestão superior dessa estrutura, é um sinal de que o planejamento e o esforço feito com Pacto pela Educação já começa a render frutos”, avalia.

A premiação nacional conquistada pelos estudantes bragantinos chama a atenção de cidadãos de outros centros do Brasil para o universo amazônico
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Incentivo – Para 2015, um projeto denomominado “Escola Legal” dará ainda mais incentivo para que as escolas repliquem boas práticas de gestão. Nele, serão levados em conta questões como a legalização do estabelecimento de ensino junto ao Conselho Estadual, a regulamentação da prestação de contas, as boas condições de estrutura física, o desempenho escolar dos alunos e o índice de evasão escolar. “A combinação desses fatores garantirá às instituições que se destacarem o reconhecimento como “escolas legais”, que serão tidas como exemplos para outras”, adianta o secretário.

O projeto “Escola Legal” é um dos exemplos das ações previstas no Pacto pela Educação no Pará, lançado pelo governo estadual em 2013, como fruto de uma operação de crédito feita junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o objetivo de elevar em 30% o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para isso, foram traçadas ações que visam a ampliação de vagas na educação básica e fundamental, a melhoria do desempenho de alunos e o aperfeiçoamento da gestão educacional, que já começaram a ser postas em prática. Ao todo, cerca de U$$ 350 milhões estão assegurados para este fim. Desse valor, US$ 150 milhões são de contrapartida do Estado.

Amanda Engelke
Secretaria de Estado de Comunicação