HGT garante atendimento humanizado a usuários e acompanhantes surdos

Neste domingo (24) é comemorado o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), data criada para celebrar o uso e a regulamentação dessa forma de comunicação utilizada pela comunidade surda, que é uma importante ferramenta para a inclusão social.

Com o intuito de oferecer e manter um atendimento cada vez mais humanizado, a gestão do Hospital Geral de Tailândia (HGT), no sudeste paraense, atua com a inclusão no atendimento a usuários e acompanhantes surdos e mudos, através de uma intérprete no Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para comunicação.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 5% da população brasileira é composta por pessoas que são surdas, ou seja, são mais de 10 milhões de cidadãos, cujos 2,7 milhões possuem surdez profunda e, por isso, não escutam absolutamente nada. Por conta disso, a intérprete em Libras Larissa Marinho vem auxiliando e facilitando a comunicação de quem chega ao HGT à procura de atendimento e não consegue se comunicar de forma tradicional com a fala.

Um dos casos mais recentes foi do casal Noemia Oliveira e Jefferson Oliveira, que estiveram no Pronto Atendimento em consulta médica para o filho, Maicon Oliveira, de um ano e nove meses.

“Agradecemos pelo atendimento e ajuda da intérprete do HGT. Ela nos acompanhou durante toda a consulta médica e exames do nosso filho. O Hospital está de parabéns pela acessibilidade no atendimento, facilitando essa nossa comunicação, através dos sinais. Nós sempre encontramos dificuldades por onde passamos, justamente pela falta de conhecimento das pessoas com a Libras. O HGT tem um atendimento diferenciado. Fiquei surpresa e ao mesmo tempo feliz pela receptividade”, contou a mãe do garotinho, com a ajuda da língua dos sinais traduzida pela auxiliar do SAU.

Larissa Marinho revela sensibilizar-se em viver este mundo dos gestos, pois a adesão a essa língua é baixa, e em consequência, a grande maioria das pessoas acaba não estando preparadas para lidar com as situações, e assim, excluindo este grupo.

“Imagina você chegar em algum lugar e tentar comunicação, mas não consegue, porque a grande maioria não entende e não sabe a sua língua; é ruim vivenciar isso. É péssimo para quem está deste lado. É a autoestima que fica abalada, o lado psicológico é afetado. Por isso, estamos dando sempre esse apoio nos atendimentos, ajudando a melhorar essa comunicação do usuário com os multiprofissionais do HGT. Devemos ter em mente que a Libras é um idioma como o português, o inglês, o francês”, detalhou a profissional.

Ela explica ainda que o auxílio é destinado também a outros setores, da recepção até os médicos. “Isso é inclusão. É assim que o usuário vai ficar sabendo do passo a passo do seu atendimento; as medicações que vai tomar, os exames que irá fazer. Ter um intérprete em Libras acompanhando ajuda os dois lados. Para mim é essencial qualquer local disponibilizar esse serviço e estar preparado para receber este portador”, analisa Marinho.

Para a médica Clínica Geral, Bianca Branco, que realizou a consulta, o auxílio feito por Larissa Marinho foi fundamental, humanizado e de inclusão social.

“Aqui no HGT, passei pela primeira vez por essa situação e foi fantástica. Mas em outros hospitais que já atuei e vivi essa experiência foi complicada porque não havia um profissional que pudesse auxiliar desta forma. A Larissa facilitou tudo. Foi por ela que fiquei sabendo o que a criança estava sentindo e, em seguida, passar para a mãe quais os procedimentos que iríamos fazer para a recuperação do seu filho, os remédios prescritos e os exames. Essa inclusão foi muito boa. Dava para ver nos olhos da mãe a felicidade de ser compreendida naquele momento. Eu também fiquei alegre, porque conseguimos passar um ao outro as informações como se fosse uma usuária que ouve, de um atendimento tradicional”, contou a médica.

Lei 

O dia 24 de abril é considerado Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras) porque é a data de publicação da Lei nº 10.436/02, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Essa regulamentação dá direito à comunidade surda ter a própria língua como importante ferramenta de comunicação para a sua integração social.

Estrutura 

O HGT possui 51 leitos e mantém uma Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) com nove leitos, sendo seis adultos e três pediátricos. Os usuários que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) têm acesso aos serviços oferecidos pelo HGT por meio da Central de Regulação Municipal, e aos de urgência e emergência em livre demanda ou encaminhados pelo Samu, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Rodoviária.

O HGT é uma unidade de saúde do Governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Está localizado na Avenida Florianópolis, s/n, Bairro Novo. Mais informações pelo fone (91) 3752-3121.

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