Governos do Pará e federal oferecem a famílias rurais oportunidade para empreender

Mais de 5.500 famílias da zona rural de todas as regiões do Pará estão superando a extrema pobreza por meio de uma parceria entre o governo do Estado, representado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), e os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Cidadania (MC).

A partir de dois acordos de cooperação firmados no âmbito do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, conhecido como “Fomento Rural”, com vigência preliminar até 2022, equipes de profissionais de escritórios locais e regionais da Emater fortalecem a presença de políticas públicas em ambientes historicamente esquecidos em 63 municípios.

Juntando repasse de recursos, consultorias especializadas e treinamento intensivo, o objetivo é propiciar, no período estimado de dois anos, que cidadãos sem qualquer geração de renda significativa, no momento com grandes privações para a sobrevivência, tornem-se microempresários da agricultura familiar ou de serviços em comunidades rurais, com garantia de autossustento. Os beneficiários são selecionados do Cadastro Único para programas sociais (CadÚnico), a maioria inscrita no “Bolsa Família”.

Oportunidade – A presidente da Emater, Cleide Amorim, destacou o trabalho social desenvolvido pela empresa com esse segmento. “A importância da participação da Emater no Fomento é dar oportunidade aos agricultores mais vulneráveis de participarem de um projeto em que possam produzir, ter renda e ser economicamente ativos. A Emater faz o projeto produtivo e o Ministério da Cidadania repassa o valor de R$ 2.400,00, em duas parcelas. Primeiro eles recebem R$ 1.400,00, e depois R$ 1.000,00. É uma prestação de serviço, sem nenhum objetivo financeiro, e sim social”, explicou a gestora.

Com os recursos, os beneficiários podem investir em um empreendimento respaldado por projeto de infraestrutura e negócios elaborado e acompanhado pela Emater. A empresa atua no diagnóstico, planejamento, capacitações, implementações, avaliação de resultados e orientação na comercialização, e ainda na educação financeira e contabilidade.

Quase a totalidade (98%) das atividades indicadas pelos microempreendedores paraenses refere-se à agricultura. As principais são plantio de hortaliças e mandioca, e criação de galinha caipira. Os outros 2% preenchem lacunas de serviços nas comunidades: padarias, oficinas, salões de manicure e mercadinhos.

Interligação – Pelo menos 3.600 famílias já estão com os projetos em andamento. “Existe uma interligação de propósitos. A maior parte das famílias é agricultora por tradição, e aproveita o recurso como meio de resgate da prática. Deve-se pensar, entretanto, que as atividades não rurais também são fundamentais como indicativo de qualidade de vida para os agricultores, e por isso ajudam a evitar o êxodo rural”, disse a engenheira de Pesca Vladyene Costa , da Coordenadoria Técnica (Cotec) da Emater, uma das responsáveis pela execução dos acordos.

Na comunidade Expedito Ribeiro, no município de Santa Bárbara do Pará, na Região Metropolitana de Belém (RMB), os empreendimentos se coadunam. “A família Vieira é só de mulheres – mãe e filhas. Elas construíram um galinheiro, uma horta coberta e um pomar. O foco é galinha caipira. Já a família Souza, na vizinhança, raciocinou sobre a dificuldade para se comprar pão feito na hora e inaugurou a primeira, e ainda única, padaria da comunidade, com fornos, bancada e freezer”, informou o chefe do escritório local da Emater, o técnico em Agropecuária e gestor ambiental Carlos Roberto Matos.