Governo reforça diretrizes do pacto de combate à mortalidade materna

Governo do Estado incentiva o pré-natal e demais cuidados necessários que garantem a saúde da mãe do bebê

A menina Alice Silva foi o primeiro bebê nascido em 2020 na maternidade da Fundação Santa de Misericórdia do Pará (FSCMP), em Belém. A mãe, Roseane Silva, moradora da Ilha de Guajarazinho, no município de Abaetetuba (região do Baixo Tocantins), veio para a capital após o diagnóstico de plaquetopenia, que aumenta o risco de hemorragia no parto.

Ela contou que fez todo o pré-natal corretamente e apresentou um quadro de anemia logo no início da gravidez, que mesmo sendo tratado reapareceu ao final da gestação. “Fiz os exames, levei para o médico e ele me recomendou a cesárea. Não era o que eu desejava, mas precisava fazer o melhor por ela”, disse a parturiente.

A mãe de Alice aprovou o atendimento recebido na Santa Casa e reforçou a importância dos cuidados na gravidez. “É muito importante fazer o pré-natal, pois mesmo fazendo tudo direitinho às vezes acontece um imprevisto. Que elas procurem o serviço de saúde para se cuidar e se preparar para ser mãe”, aconselhou, com a filha no colo.

De acordo com a Diretoria de Política de Atenção Integral à Saúde (Dpais), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o quadro de plaquetopenia exige cuidados, pois hemorragia é um das principais causas de morte materna no Estado, além de doença hipertensiva da gravidez e infecções puerperais, que ocorrem após o parto.

Redução

O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em 2017 registrou 129 óbitos de mulheres no Pará por complicações relacionadas à gravidez ou ao parto.

Dados preliminares indicam que, em 2018, esse número caiu para 119, e até novembro do ano seguinte foram registradas 87 mortes. De acordo com a Sespa, o sistema é atualizado a cada dois anos, pois a taxa de mortalidade também leva em consideração os nascidos vivos, que precisam ser tabulados manualmente.

A diretora Sâmia Borges explicou o impacto da morte de uma mãe, antes ou depois do parto. “Isso destrói uma família; se perde aquela que cuidaria do bebê recém-nascido e dos outros filhos já existentes.

Quando o Governo do Pará, por meio da Sespa, desenvolve propostas para a redução de morte materna é para ofertar cidadania para essas pessoas. Uma sociedade que não faz o mínimo de cuidar de suas mulheres para ter um parto saudável, precisa ser fortalecida”, frisou Sâmia Borges.

As ações do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna são baseadas em cinco componentes: gestão, assistência ao pré-natal, assistência ao parto, investigação do óbito e planejamento sexual e reprodutivo.

Em setembro de 2019, foi publicada uma portaria no Diário Oficial do Estado sobre o confinanciamento estadual da atenção primária em saúde, autorizando o repasse de R$ 24 milhões para os municípios, distribuídos mensalmente conforme o cumprimento de metas de redução da mortalidade materna. Dos 144 municípios paraenses, apenas a capital, Belém, ainda não aderiu ao Pacto.

Entre as principais metas estão a captação precoce do pré-natal (com início antes da 12ª semana de gestação); vacinação de grávidas em dia; realização de no mínimo sete consultas pré-natais, com oferta de consultas, exames e terapias necessárias e redução do prazo de 120 para 30 dias da investigação do óbito em idade fértil, além do indicador de mortalidade materna em si (medido por região, e não por município, como as demais).

“A gente enxerga a mulher não apenas como um número. Ela tem família, rosto e uma história. Queremos que sejam felizes. O nosso trabalho foi iniciado em 2019 com a oferta de qualificações profissionais na atenção primária, para dar uma assistência de pré-natal com qualidade, com consultas, exames e medicações preventivas.

Quanto ao parto, com o acesso à maternidade, atendimento de qualidade e que saia para os cuidados de puerpério com seu bebê. E ainda que, após isso, consigamos ofertar um planejamento sexual e reprodutivo adequado”, complementou Sâmia Borges.

Referência

Em 2019 foram realizados partos em 156 unidades hospitalares no Pará, entre públicos e privados. De acordo com a Diretoria de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais), um dos objetivos para a redução da morte materna é a vinculação, desde o pré-natal, da grávida à maternidade que ela deve se dirigir para parir.

A rede estadual foi fortalecida com a inauguração do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci (distrito de Belém). Além dele, o Hospital Materno-Infantil de Barcarena, a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e a Santa Casa são referências para casos obstétricos.

De acordo com a médica Monick Calandrini Rodrigues, que coordena o setor de Terapia Renal Substitutiva Pediátrica da Fundação Santa Casa, o ano de 2019 foi de conquistas para a Santa Casa. De janeiro a novembro de 2019, foram realizados 9.444 partos. Deste total, 4.438 foram normais e 5.006 cesáreos.

São 250 partos a mais do que os realizados neste mesmo período em 2018. A unidade de saúde recebe pacientes de diversos municípios. Até novembro de 2019, a área de Urgência e Emergência Obstétrica realizou 41.562 atendimentos, uma média de 3,7 mil por mês.

“Ela tem um perfil materno-infantil, além de ser um hospital de ensino e pesquisa. Foi um ano de muitos ganhos, com alguns serviços transferidos para a Santa Casa, como o de atendimento a fissurados – com fenda palatina, e a realização de mutirões cirúrgicos em crianças.

Em novembro, também tivemos o primeiro transplante renal pediátrico a partir de doador vivo, e fomos agraciados, antes do final de 2019, com outro transplante em um paciente de 16 anos, de doador falecido”, informou Monick Rodrigues.