Em maio deste ano, durante visita ao Pará, o embaixador do Japão, Kunio Umeda (e), agradeceu pela homenagem prestada ao país na 19ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro, como parte das comemorações dos 120 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Japão-Brasil, celebrado em 2015. Durante o encontro, foram articuladas parcerias entre o Pará e o Japão nas áreas de desenvolvimento econômico, educação e segurança, fortalecendo as colaborações já existentes.

Investimentos em diversas áreas devem fazer com que o estado se destaque ainda mais

Apesar da crise que atinge a economia brasileira, o Pará promete se destacar mais uma vez no cenário em 2016. No ano de 2015, o estado foi o único a escapar dos efeitos da recessão, mantendo seu PIB (Produto Interno Bruto) estável. Segundo economistas, a crise brasileira terá índice negativo de cerca de 3% na economia. O setor de minérios deverá responder por 28,58% dos investimentos previstos para o estado, com previsão de alta de 2,48%, segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa). O presidente da Fapespa, Eduardo Costa, ressaltou que o estado do Pará vem apresentando contínuos superávits comerciais explicados em grande parte pelo aumento do volume exportado.

Apesar dos números positivos, o governador do estado Simão Jatene pede cautela. “A situação está muito difícil para todos os estados e pro Pará não é diferente”, ressalta. “Temos enormes dificuldades, mas nós estamos brigando, lutando contra a crise”, concluiu o governador. A falta da contrapartida econômica por parte do governo federal, não vai fazer com que o governo do estado desista de manter os investimentos em diversas áreas para este ano de 2016. A ideia é reforçar o pacto pela produção e emprego, um conjunto de cerca de 30 medidas, em diversos setores, buscando estimular o setor produtivo na indústria, agropecuária, entre outras, desonerando atividades econômicas, simplificando licenciamentos, qualificando profissionais e estimulando o turismo, entre outras ações.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachcki, ressaltou que esse pacto, concedendo incentivos e estímulos à economia, e o setor produtivo fará um esforço permanente para orientar as empresas e seus associados a manter o nível de empregos no Pará. “Espera-se que as empresas possam manter os postos de trabalho, e nós, juntos, possamos evitar os efeitos mais drásticos desta crise perversa”, disse.

O Sistema Federação das Indústrias do Pará (Fiepa) tem mapeado há dez anos os investimentos no Estado por meio do estudo “Pará Investimentos”, da iniciativa Redes/ Fiepa, e o resultado do levantamento não poderia ser melhor. O presidente do Sistema Fiepa, José Conrado, afirmou que houve investimentos na ordem de R$ 180 bilhões, sendo 90% da iniciativa privada. “Os investimentos previstos não recuaram e demonstram que, apesar do cenário pouco favorável ao desenvolvimento do segmento produtivo brasileiro, o Pará está na contramão e mantém o equilíbrio na economia da região”, afirmou.

A legislação oferece a chance de prorrogação dos incentivos fiscais – mediante novo projeto – o que permite competitividade, face à guerra fiscal entre os Estados. A nova política de incentivos foca na verticalização, localização do empreendimento, inovação e sustentabilidade. Além disso, criou-se o Programa de Regularização Ambiental (PRA), implementado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). O Pará foi o primeiro Estado do país a instituir o PRA, e o produtor que aderir ao programa pode extinguir processos e multas que o atormentam há anos.

Investimentos nas regiões

O governo do estado promete continuar investindo nas diversas regiões em 2016. Em Marabá, por exemplo, foi reconstruída a PA 150, houve a implantação de serviço de abastecimento de água e no Centro de Convenções.

O projeto de regaseificação de gás natural liquefeito e de usinas termelétricas no Estado, vai propiciar a geração de energia mais limpa e barata a partir da combustão do gás natural. Será a primeira experiência com essa característica no Pará, permitindo a diversificação da matriz energética do Estado. Além dos ganhos econômicos, o projeto apresenta vantagens ambientais, e um potencial vasto para a geração de empregos diretos e indiretos ao introduzir uma nova cadeia produtiva no Estado. FOTO: ANTONIO SILVA / AG. PARÁ DATA: 09.12.2015 BELÉM - PARÁ
O projeto de regaseificação de gás natural liquefeito e de usinas termelétricas no Estado, vai propiciar a geração de energia mais limpa e barata a partir da combustão do gás natural. Será a primeira experiência com essa característica no Pará, permitindo a diversificação da matriz energética do Estado. Além dos ganhos econômicos, o projeto apresenta vantagens ambientais, e um potencial vasto para a geração de empregos diretos e indiretos ao introduzir uma nova cadeia produtiva no Estado.

 

Em Castanhal está sendo construído um hospital regional, em Itaituba, o Terminal Hidroviário e a construção do hospital regional. E no arquipélago do Marajó, foi inaugurada uma nova linha de transporte fluvial. “O estado tem novos desafios e faço questão de agradecer a todos os paraenses, porque tudo isso só pode acontecer com a união de todos”, finalizou Simão Jatene.

Parcerias mundiais

O governador Simão Jatene acredita que esse é um momento importante para o desenvolvimento do Pará, que vivencia uma segunda corrida rumo ao norte do país. Ele defende que o estado tem condições favoráveis para o desenvolvimento de diversos setores, mas destacou que a instalação de novas empresas deve ser atrelada ao desenvolvimento da população paraense. “Temos interesse que a população seja beneficiada com a instalação de empresas em nosso estado. Não queremos mais ser apenas fornecedores de matéria prima, queremos que a verticalização aconteça no próprio estado, beneficiando a nossa gente”, frisou Simão Jatene.

Governador Simão Jatene recebe a visita do príncipe Príncipe Herdeiro, Haakon, no Museu do Estado. Na ocasião foi assinado o Protocolo de Intenções com o objetivo de fortalecer o vínculo e abrir caminho para parcerias no âmbito da Ciência, Tecnologia e Inovação entre o Pará e a Noruega. FOTO: SIDNEY OLIVEIRA / AG. PARÁ DATA: 18.11.2015 BELÉM - PARÁ
Governador Simão Jatene recebe a visita do príncipe Príncipe Herdeiro, Haakon, no Museu do Estado. Na ocasião foi assinado o Protocolo de Intenções com o objetivo de fortalecer o vínculo e abrir caminho para parcerias no âmbito da Ciência, Tecnologia e Inovação entre o Pará e a Noruega.

O Pará continua atraindo a atenção de investidores nacionais e internacionais, mesmo diante da crise econômica que o país atravessa atualmente. A Cevital, grupo privado que mais impostos recolhe na Argélia, atrás apenas da indústria petrolífera, quer investir nas áreas de alimentos, logística, pecuária e de siderurgia no Pará, entre outros segmentos econômicos. O dono da empresa, Isaad Rebrab, assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado, comprometendo-se, em médio e longo prazos, a instalar portos e unidades de esmagadoras e refinaria de soja, fábrica de margarina, além de produzir aves e gado e instalar uma siderúrgica, entre os municípios paraenses de Santana do Araguaia, Paragominas, Barcarena, Marabá, Santarém e Parauapebas.

A GenPower Group, dos Estados Unidos, que atua na produção de gás, pretende instalar uma usina termelétrica em Vila do Conde, no município de Barcarena, nordeste do estado.  O grupo também pretende investir em uma estrutura de regaseificação, de gás líquido para gás natural, com capacidade para atender tanto a termelétrica como o mercado paraense, impulsionando o desenvolvimento da indústria no Pará.

Questões ambientais

O governador Simão Jatene, disse ao nosso repórter Celso Freire, que acredita ser esse um momento importante para o desenvolvimento do Pará
O governador Simão Jatene, disse ao nosso repórter Celso Freire, que acredita ser esse um momento importante para o desenvolvimento do Pará

O governador do estado Simão Jatene se mostrou muito esperançoso em relação à queda dos números do desmatamento no Pará. Segundo ele, a única forma de avanços nesta questão é continuar a implantação do programa Municípios Verdes. “Temos que combater sim o desmatamento, mas substituindo atividade que são agressivas ao meio ambiente por atividade mais amigáveis”, disse o governador. E o avanço no combate ao desmatamento é notado nos últimos cinco anos. Em 2010, o estado registrou 20 mil cadastros ambientais rurais. Hoje esse número chega à 160 mil. “Isso só foi possível com a adesão da própria sociedade”, ressalta.

Turismo

O governo do Estado conseguiu, em Brasília, mais investimentos para a área de turismo. Os recursos virão por meio de uma operação de crédito junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de US$ 26,4 milhões. Para que o empréstimo seja realizado o Pará precisava do aval da Secretaria do Tesouro Nacional, que já foi conseguido.

No total, os investimentos na área de turismo chegam a US$ 44 milhões, com o Estado garantindo a contrapartida no investimento. Três polos regionais (Belém, Tapajós e Marajó) serão contemplados. Cinco componentes básicos para a melhoria nas ações de turismo nessas regiões estão previstos no projeto: infraestrutura, fortalecimento institucional, gestão ambiental, estratégia para comercialização de produtos turísticos e potencialização das áreas destinadas às atividades turísticas.

Fotos: Ascom, Antonio Silva, Rodolfo Oliveira, Sidney Oliveira/Ag  Pará

(*) Publicado originalmente na edição 166 da Revista Pará+.