Fumantes tem maior chance da expressão da proteína receptora do COVID19 no trato respiratório

Os fatores que mediam infecções fatais por SARS-CoV-2 são pouco conhecidos. Aqui, mostramos que a fumaça do cigarro causa uma regulação positiva da enzima de conversão da angiotensina 2 (ACE2), o receptor SARS-CoV-2, dependente da dose, nos roedores e nos pulmões humanos. Usando dados de sequenciamento de célula única, demonstramos que a ACE2 é expressa em um subconjunto de células secretoras no trato respiratório. A exposição crônica à fumaça desencadeia a expansão dessa população celular e um aumento concomitante da expressão da ECA2. Por outro lado, parar de fumar diminui a abundância dessas células secretoras e reduz os níveis de ECA2. Finalmente, demonstramos que a expressão da ACE2 é responsiva à sinalização inflamatória e pode ser regulada em excesso por infecções virais ou tratamento com interferon. Tomados em conjunto, esses resultados podem explicar parcialmente por que os fumantes são particularmente suscetíveis a infecções graves por SARS-CoV-2. Além disso, nosso trabalho identifica a ACE2 como um gene estimulado por interferon nas células pulmonares, sugerindo que as infecções por SARS-CoV-2 podem criar loops de feedback positivo que aumentam os níveis de ACE2 e facilitam a disseminação viral.