FEPASA – a ferrovia paraense, andamento do projeto

As duas equipes técnicas, do governo federal e do governo do Estado, em Brasília numa reunião de trabalhoApós o lançamento pelo governo federal da concessão apenas do trecho sul da ferrovia Norte Sul, entre os municípios Porto Nacional (Tocantins) e Estrela D’Oeste (São Paulo), cujo edital deverá ser disponibilizado em 14 de novembro, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki, e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) estiveram com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e equipe para tratar do outro trecho da ferrovia, o trecho Norte, que deverá interligar a cidade de Açailândia, no Maranhão, ao porto de Barcarena, no nordeste paraense, mas por intermédio da Ferrovia Paraense, projeto do Governo do Pará já adotado pelo governo federal como a perna norte da ferrovia Norte Sul.

Em 24 de maio deste ano, a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos, chefiada pelo ministro Moreira Franco, informou via ofício ao Governo do Pará a intenção de viabilizar o projeto da Ferrovia Paraense. “O projeto ligará a Ferrovia Norte-Sul ao porto de Vila do Conde, razão pela qual o trecho Açailândia a Barcarena não foi qualificado pelo Conselho do PPI no escopo da Ferrovia Norte-Sul”, diz o documento. 

Na reunião com o ministro Quintella, recentemente, o secretário Adnan Demachki apresentou o estágio do processo da ferrovia paraense, os estudos de viabilidade, o processo de licenciamento ambiental e a informação dos players interessados. As duas equipes técnicas, do governo federal e do governo do Estado, deverão se encontrar em Brasília numa reunião de trabalho até o final deste mês.

O projeto

O projeto da Ferrovia Paraense prevê 1.312 quilômetros de extensão que passará por 23 municípios, interligando o leste do Pará de norte a sul. O empreendimento conectará Barcarena, no norte do Estado, à Santana do Araguaia, no sul paraense. São previstos aproximadamente 70 mil empregos diretos e indiretos durante a execução da obra, cujo custo está estimado em 14 bilhões de reais.

O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) referente ao projeto encontra-se à disposição de interessados para consulta no Núcleo de Documentação e Arquivo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), na travessa Lomas Valentinas, 2717, bairro do Marco, em Belém. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico também informa que o citado documento está acessível no site do órgão, pelo endereço eletrônico http://sedeme.com.br/portal/.

Fepasa  

Com uma extensão de 1,3 mil quilômetros, o traçado da via férrea inicia em Barcarena, atravessando toda a região de produção de palma do Estado, os municípios de Paragominas e Rondon do Pará, de onde sai grande parte da soja e da bauxita/alumina paraenses, até Marabá, terminando em Santana do Araguaia, área produtora de soja, mas com ocorrências minerais que ainda não são exploradas por ausência de logistica. A expectativa do governo do Pará é de que, no primeiro ano de funcionamento, a demanda da ferrovia seja de quase 30 milhões de toneladas transportadas, principalmente de minérios e grãos, com expectativa de aumento desse volume para 48 milhões de toneladas/ano em cinco anos.

Localização geográfica

O traçado ferroviário Linha Tronco começa cerca de 25 quilômetros ao sul da cidade de Santana do Araguaia, em uma Plataforma Logística e Industrial, seguindo no sentido norte, paralelo à rodovia BR-158, passando pelas cidades de Redenção, Xinguara, Eldorado do Carajás, até a cidade de Marabá, onde está prevista uma ponte de aproximadamente 1.500 metros.

Ao norte de Marabá está prevista outra Plataforma Logística. Neste segmento o traçado prevê uma região com topografia plano-ondulada, não apresentando grandes obras de transposição – à exceção da ponte sobre o rio Tocantins – e movimentação de terraplenagem mediana. 

Em sequência, ainda no sentido norte e paralelo à rodovia PA-150, a ferrovia segue até o município de Nova Ipixuna, tomando a partir daí o sentido leste, próximo da BR-222, até o Projeto Alumina Rondon, retornando no rumo norte, passando por Santo Antônio, Castanhandeua, Moju e Barcarena. Na primeira etapa, será construída a Linha Tronco de Marabá à Barcarena e, na segunda, o trecho Santana-Marabá.

Ramal Paragominas – Vila Nova

O ramal ferroviário de Paragominas inicia na cidade de mesmo nome, às proximidades da BR-010 (Belém–Brasília) e desenvolve-se no sentido oeste, próximo à rodovia PA-256, passando pela empresa Mina da Hydro Paragominas (de exploração de bauxita), e em seguida pela futura Plataforma Logística situada no entroncamento da PA-256 com o Rio Capim (a 50 quilômetros de Paragominas) até alcançar a linha trecho principal nas proximidades da localidade de Vila Nova. Esse traçado será construído na primeira etapa.

Ramal Alumina – Rondon

O ramal ferroviário de Rondon inicia na Alumina Rondon, seguindo na direção sudeste até a cidade de Rondon do Pará, servida pela BR-222. Por orientação do governador Simão Jatene, o secretário Adnan Demachki apresentou o projeto ao governo federal e propôs a construção de um ramal de 58 quilômetros, interligando a Fepasa, em Rondon do Pará, ao trecho já existente da ferrovia Norte-Sul, permitindo que as cargas paraenses, além de acessarem o Porto de Barcarena, também possam acessar o centro/sul do Brasil e vice-versa.

Depois de pronta, a ferrovia será uma alternativa mais barata para o escoamento da produção oriunda do sul e sudeste do Pará, além de promover a integração entre os modais rodoviário e fluvial, estabelecendo um circuito multimodal para o transporte de carga pesada.

Fotos: Ascom Sedeme, Diego Sulivan, Edsom Leite/MT