Fapespa lança campanha ‘Pesquise na Quarentena’, com inscrições até a próxima quarta

Belém, Pará, Brasil . PESQUISE NA QUARENTENA - FAPESPA - 23/07/2020

Objetivo é estimular pesquisadores a compartilhar os resultados de seus estudos, mesmo com a suspensão das atividades acadêmicas

As inscrições para a campanha ‘Pesquise na Quarentena’, iniciativa da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), terminam na próxima quarta-feira (30). O objetivo é estimular pesquisadores a compartilhar os resultados de seus estudos, mesmo com a suspensão das atividades acadêmicas, por meio de podcasts, no link https://soundcloud.com/pesquise-quarentena.

A etapa vigente é destinada a bolsistas de mestrado e doutorado de instituições conveniadas à Fapespa nos anos de 2019 e 2020: Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

Foto: Ricardo Amanajás / Ag. Pará

Os podcasts são mídias em formato de áudio que têm se popularizado amplamente nas plataformas digitais pela possibilidade de fornecerem conteúdo de temas específicos, que podem ser acessados com maior comodidade. Os usuários podem ouvir online, baixar e compartilhá-los.

A ‘Pesquise na Quarentena’ está disponível há três meses e foi bastante procurada na etapa de graduação. “Indiretamente, alcançamos 200 alunos, desses, 130 mandaram os podcasts. É um formato bem dinâmico e que pode ser enviado por todas as mídias. É uma exposição muito interessante para a comunidade acadêmica realizar a divulgação de suas pesquisas”, explicou Alexandre Diniz, coordenador de bolsas acadêmicas junto a Diretoria de Operações Técnicas da Fapespa.

Nayara Kauffmann é bolsista de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular (PPGNBC), da Universidade Federal do Pará (UFPA), e compartilhou a sua pesquisa. “Trata-se sobre a malária e suas complicações, abordando um tema bastante relevante para a comunidade científica, uma vez que ocasiona um grande impacto, podendo comprometer o estado geral do indivíduo. Desse modo, a minha pesquisa busca elucidar como uma complicação hepática, ocasionada durante a infecção por malária, provoca um dano no sistema nervoso central”, detalhou Nayara.

Jéssica Gomes integra o Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais da UFPA e também compartilhou seus estudos recentes. “Sou fã de podcasts desde 2014, então, esta foi a oportunidade perfeita para participar de um. Acredito que o maior benefício é poder consumí-los enquanto se desenvolvem  atividades cotidianas mecânicas (dirigir, cozinhar etc.). Então, é uma mídia que facilita  aquisição de  conhecimento”, defende Jéssica.

Mesmo sem experiência com gravações, os participantes afirmam que a produção é simples. “Inicialmente, foi difícil apenas por nunca antes ter desenvolvido algo no sentido, mesmo no meio acadêmico. Contudo, a criação do podcast é consideravelmente simples e as ferramentas necessárias são acessíveis para a maioria das pessoas: um celular para gravar e um roteiro para seguir as ideias que serão explanadas”, explicou Alison Ramos da Silva, também do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais, que estuda a dinâmica de transmissão de cepas multirresistentes de Mycobacterium leprae em área endêmica para a hanseníase no estado do Pará.

Para Alison, a divulgação científica por meio de podcasts é uma forma de difundir o conhecimento sobre o que é produzido no campo científico atual. “É uma forma contemporânea de retorno à sociedade sobre o que está sendo desenvolvido atualmente e pode servir de incentivo para os alunos do ensino médio e iniciação científica sobre possibilidades de desenvolvimento de futuras pesquisas”, acrescentou.

A doutoranda em Biologia Parasitária na Amazônia, Thalyta Lopes, concorda com o colega pesquisador. “Penso que o benefício não é só para o meio acadêmico, é também para sociedade ver o que estamos fazendo como pesquisadores, tanto na capital quanto no interior do Estado. A minha pesquisa, por exemplo, não tem outras evidências na literatura que falem sobre a questão da malária e da sífilis uma região garimpeira da Amazônia”, afirmou, ponderando a importância do intercâmbio acadêmico.