Exposição “Gente de Rio” narra história de populações ribeirinhas

Imagens que retratam cotidiano de comunidades podem ser vistas até dia 7, no Solar da Beira, de 9h às 17h

Com fotos que narram um pouco do cotidiano, do mundo do trabalho e da vida de quem experiencia as singulares de paisagens marcadas pelos rios da Amazônia, a I Exposição Gente de Rio, promovida pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) segue até dia 7, no Solar da Beira, em Belém, de 9h às 17h.  

As fotografias da exposição foram registradas em viagens pelo Baixo Tocantins, especialmente Abaetetuba e Igarapé-Miri. De Abaetetuba há fotografias nos rios Panacauera, Maratauíra, Meruu, Arauaí, Japuretê, Itacuruá,  Camará, Xingu, Paracuari e Furo Gentil. De Igarapé-Miri, os rios Anapu e Caio. E há ainda registros feitos em Vila Maiuatá e Altamira, no arquipélago do Marajó. 
 
Os responsáveis pela curadoria da exposição são as professoras Marley da Silva, do IFPA Campus Castanhal, e Adriane dos Prazeres, vinculada ao Departamento de Filosofia, Ciências Sociais e Educação (DFCS) da Uepa, além do cenógrafo Jurandir Duarte Fayal Júnior e o fotógrafo Jeremias de Oliveira Santos. 
 
Nascido no interior de Igarapé-Miri, morador da Comunidade Menino Deus do Rio Anapu, o fotógrafo Jeremias de Oliveira dos Santos conta que a inspiração para os registros “vem da sociabilidade ribeirinha, a estética e a representatividade negra, bem como as diversas possibilidades imagéticas do mundo amazônico”. Além das fotografias documentais de Jeremias, a exposição também tem fotos do professor do IFPA, José Luis Franco.
 
“O rio pode ser analisado como uma via de locomoção, mas também como um meio de sociabilidade e de trabalho. A pesca, a extração de produtos da natureza, a hidratação das terras para plantio, a ida e vinda das pessoas, ou seja, nós ribeirinhos, não apenas vivemos à margem do rio, mas dentro e intrinsecamente ligados a ele. Então, dentre as várias manifestações de sociabilidade existentes nas fotografias, o que interliga a todas é a relação com o rio, daí o nome da exposição”, explicou o fotógrafo Jeremias.
 
De acordo com a organização, “entre outros significados, a exposição vem mostrar a importância desse contato com o Rio, e a necessidade de sempre a partir dele poder viver essa vasta Amazônia”. Adriane dos Prazeres Silva, professora do curso de História da Uepa, que integra a organização e a Comissão de Curadoria, conta como foi o processo de seleção das imagens.

“A equipe de curadoria teve uma dificuldade, pois, quando fomos apreciar as fotos, desejávamos simplesmente todas e foi difícil selecionar. Adotamos como critério de seleção gente, rio e trabalho. Dentre as cerca de 60 fotos, elegemos um pouco mais de 30 delas. As fotos traduzem momentos recentes, mas, resguardam permanências na relação dessa gente  com a natureza”, disse Adriane.
 
A professora Adriane dos Prazeres, envolvida com o projeto desde a elaboração até a montagem das fotos nos suportes, ressalta o ganho para a sociedade de iniciativas dessa natureza interinstitucional. “Como tanto Uepa como IFPA são instituições multicampi, que se fazem presentes em diversas regiões do Estado, a exposição será itinerante”, explica a professora Marley Antonia Silva da Silva. “pretendemos levá-la aos campi do interior”, conclui.