Estímulo ao hábito e prazer da leitura e escrita nas ilhas de Barcarena

“Lembro de quando o projeto foi lançado e eu estava na escola olhando o barco chegar juntamente com o baú que contém os livros. Tínhamos uma expectativa sobre o que iria acontecer dali pra frente. Passados aos anos, posso dizer que o projeto na verdade superou tudo o que esperávamos”. O depoimento é do professor Marcelo Costa, da Escola Municipal João Pantoja de Castro, localizado na Ilha Arapiranga, em Barcarena.

Marcelo é um dos 78 educadores envolvidos no Projeto Catavento. A iniciativa é realizada em 30 escolas ribeirinhas de Barcarena com o objetivo de incentivar o hábito e prazer da leitura entre 1452 alunos da educação infantil ao 5º ano, em salas multisseriadas.

O projeto é realizado pela Alubar, empresa líder na América Latina na fabricação de cabos elétricos de alumínio para linhas de transmissão e distribuição de energia e produtora de cabos elétricos de cobre de baixa e média tensão para instalações civis, industriais e de energia renovável. O Catavento conta ainda com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e Desenvolvimento Social de Barcarena (Semed).

“Temos um orgulho muito grande de realizar este projeto. A Alubar entende que é preciso educar. Que estes jovens podem fazer a diferença no futuro”, relata Maurício Gouvea, Diretor Executivo da Alubar Metais e Cabos, que acredita no poder de transformação da iniciativa no futuro das crianças e adolescentes. “O Catavento já possui dois livros lançados e quem sabe daqui a 10 anos estes mesmos alunos não virem grandes escritores e ganhem prêmios? No momento atual do Brasil, iniciativas que valorizem a educação, o professor, o aluno, são fundamentais para que possamos transformar a nossa sociedade”, afirma Maurício.

O Catavento é trabalhado de forma anual, período no qual o projeto estabelece um tema que será trabalhado durante as oficinas de formação com os professores. A ideia é que os educadores trabalhem esse tema com os alunos e despertem neles, além do hábito da leitura, a produção de conteúdos, como poemas, prosas, sonetos ou peças teatrais.

Nas capacitações, os professores aprendem com um arte-educador a como contar histórias relacionadas aos temas, utilizando técnicas teatrais, como montagem de cenário e confecção de máscara.

A professora Gésica Cristina de Lima, que dá aula para alunos do Ensino Infantil na Escola Municipal Ilha Macaco, sediada na Ilha Macaco, participou de umas das formações e diz que estava ansiosa por participar das oficinas e repassar tudo para os alunos. “Eu já conhecia o Catavento a partir do que os demais professores falam. Comecei ano passado no projeto e espero aprender muito. Hoje já venho trabalhando alguns poemas com meus alunos”, conta Gésica,

Além da formação, as escolas envolvidas recebem um baú com livros e jogos educativos e participam do tradicional evento de celebração de resultados: a Ciranda dos Baús. O encontro permite interação entre as escolas e dá a oportunidade para que os alunos apresentem suas produções em cima do tema trabalhado, em sala de aula.

Para o professor e coordenador pedagógico da SEMED, Roberto Carlos Dias dos Anjos, participar do Catavento é um privilégio. “Ser professor é um vício. É que nem quando tomamos açaí. Falamos que vamos parar, mas não conseguimos e continuamos. Muitas vezes a nossa profissão não é respeitada e vemos que a Alubar nos respeita. A realização do projeto é uma prova disso. Então a gente se sente muito orgulhoso de participar de uma iniciativa que já ganhou prêmios e já deixou algo para a prosperidade, que são os dois livros lançados pelos alunos”, diz Roberto.

Livros 

O projeto Catavento também se tornou um projeto de incentivo à escrita. No ano de 2013, em um trabalho de cocriação entre coordenadores, professores e alunos, foi lançado o livro “Projeto Catavento: contando as histórias que nos contaram – lendas, mitos e contos de assombração”. A publicação traz 46 histórias inéditas sobre mitos, lendas e contos de assombração da Amazônia.

Em 2017, também com a cocriação de todos os envolvidos na iniciativa, foi lançado o segundo livro, intitulado “Projeto Catavento: contanto as histórias que nos contaram – fábulas”, com 56 histórias inspiradas pelas famosas fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine e Monteiro Lobato e reescritas pelos alunos e professores.

Feira do Livro

E como parte das ações do projeto Catavento, já é uma tradição a participação dos professores envolvidos na Feira Pan-Amazônica do Livro, evento reconhecido como o maior de fomento à leitura do Pará e o terceiro no Brasil.

E este ano não poderia ser diferente. Para a XXII edição da Feira, Catavento está programando a ida dos professores para participação em oficinas, visitações ao estande e troca de experiências. “Nós sempre buscamos proporcionar este momento como uma maneira para que eles possam buscar novos conhecimentos”, explica Márcia Campos, Coordenadora de Projetos Sociais da Alubar.

FOTOS: Arquivo Alubar