Um dos maiores riscos para a população em relação à exposição ao mosquito Aedes aegypti é a falta de cuidado. Tanto do cidadão, que precisa garantir que não haverá criadouros do inseto na residência, quanto para o Estado, que necessita desenvolver políticas públicas efetivas de combate. Uma casa com presença do mosquito pode causar a infecção em vizinhos e até em um bairro inteiro.

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, de janeiro a dezembro de 2019, o Pará registrou 5,3 mil casos prováveis de dengue. Das outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, o estado apresentou 3,6 mil casos prováveis de chikungunya e 188, de zika.
Apesar de não constar como um dos quatro municípios em condição de risco no Pará, Belém está na lista das 10 cidades paraenses com maior número de casos das três doenças. Alguns municípios apresentam presença alarmante do mosquito, como Floresta do Araguaia, com Índice de Infestação Predial de 12%, três vezes o número máximo para que se torne situação de risco.

Para diminuir os dados, a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Dengue, Chikungunya e Zika do Pará, Aline Carneiro, pede mobilização da população no combate aos focos do mosquito dentro das casas.

“O principal seria combater o vetor. É evitar que ele nasça. E a gente sempre conversa que, se tudo der certo, o agente de controle de endemias vai uma vez a cada dois meses na casa de uma pessoa para orientar. Só que o combate mesmo, a revisão, a verificação da casa tem que ser periódica, pelo menos uma vez na semana. Então isso fica responsabilidade do morador”.

Morador do bairro Guamá, em Belém, o vendedor de medicamentos Alacid Costa não sabe dizer quais as causas para ter sido infectado com a dengue quatro vezes. Além da possibilidade dos descuidos dos vizinhos, ele mora próximo a uma mata, de onde os insetos proliferam. É por isso que ele faz um apelo para a população.

“Que verifiquem. Tomem um pouco de cuidado mais na sua residência. Verifique copos, panelas, pneus, onde tem água limpa. Tem que verificar esses focos que proliferam mosquitos, porque eles se multiplicam muito rápido. Com semanas, ele está voando e picando os moradores, uma população. Um mosquito daquele tamanho, pequenininho, que a gente nem consegue ver direito, é capaz de levar a gente para o buraco”.

Para prevenir, basta tirar 10 minutos para verificar se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa. Além disso, lavar com água, sabão e esfregar com escova os pequenos depósitos móveis, como vasilha de água do animal de estimação e vasos de plantas. Até mesmo recipientes pequenos, como tampas de garrafa são suficientes para a procriação do Aedes aegypti.

Além disso, é preciso descartar o lixo em local adequado, não acumular no quintal ou jogar em praças e terrenos baldios. O lixo exposto pode ser bagunçado por animais na rua e se tornar fontes de vários recipientes. Limpar calhas e retirar folhas que se acumularam no inverno ajuda a evitar pequenas poças de água.