Espanha implanta monitoramento constante de COVID-19 por meio do esgoto

Barcelona, Múrcia e Valência já adotam solução de monitoramento que permite quantificar presença do coronavírus nas águas residuais e detectar novas ondas com antecedência. Brasil poderia adotar a tecnologia; saneamento deficiente e não universalizado ainda é entrave
São Paulo, junho de 2019 – As redes de coleta e tratamento de esgoto têm trazido um importante campo de inovação no combate à pandemia do coronavírus. Na Espanha, um dos países mais fortemente atingidos pelo avanço da doença, foi necessária a imposição de um rígido controle do distanciamento social e a parada total da economia, o que permitiu o declínio dos casos e o controle das infecções. No entanto, com a reabertura de economia – o que vem sendo feito também no Brasil – retorna o temor de novas ondas de infecção. Com a constatação de que o coronavírus é eliminado nas fezes dos pacientes infectados, uma equipe de especialistas da Universidade de Barcelona liderada pelo Dr. Albert Bosch, em parceria com a SUEZ – companhia que administra as redes de água e esgoto das regiões da Catalunha, Múrcia e Valência – desenvolveu uma solução denominada COVID-19 CITY SENTINEL. O CITY SENTINEL é uma solução de monitoramento de águas residuais que quantifica a presença do vírus SARS-CoV-2. Uma ferramenta inovadora que combina um plano de amostragem adaptado, análise rápida de RT-qPCR e acesso a um observatório digital, já está implementada e em operação nestas regiões para monitorar a evolução do vírus nas águas residuais e antecipar o surgimento de possíveis novos surtos na população. Por meio deste sistema de vigilância, será possível monitorar ainda mais localidades no território espanhol já em um curto espaço de tempo.

Depois que amostras representativas são coletadas e analisadas em laboratório, os resultados são automaticamente transferidos para uma plataforma digital. Essa plataforma permite ao gestor público visualizar graficamente os dados, por meio de um mapa dinâmico do município, com uma setorização por áreas de influência que facilita o rastreamento da origem do SARS-CoV-2. Além disso, serve como um observatório único de informações agregadas, combinando os resultados analíticos com os indicadores de evolução da saúde no município. Também permite que as administrações públicas e de saúde prestem mais atenção a instalações e edifícios críticos e de alto risco, como residências, hospitais ou centros de saúde, bem como a edifícios exclusivos com alta ocupação. Dessa forma, a SUEZ disponibiliza sua experiência e o conhecimento das redes de esgoto para setorizar o município em áreas de influência que ajudam a rastrear a origem do SARS-CoV-2 quando é detectado.

Da mesma forma, seus laboratórios são capazes de fornecer resultados confiáveis em menos de 48 horas usando marcadores genéticos de SARS-CoV-2 em águas residuais, nas quais o vírus pode ser detectado e quantificado. “A vigilância do SARS-CoV-2 no esgoto doméstico pode permitir-nos avançar para os casos de COVID-19 no intuito de adotar medidas efetivas imediatas contra uma possível nova onda de infecções”, explica o Dr. Albert Bosch. “A SUEZ disponibiliza aos gestores públicos e à rede de negócios o observatório digital SARS-CoV-2 mais relevante sobre águas residuais, combinando seu conhecimento em operações avançadas de rede e em técnicas de detecção rápida de patógenos, com dados e anos de experiência em vigilância epidemiológica”, destaca o CEO da SUEZ Espanha, Manuel Cermerón.

E no Brasil? – Por aqui, implementar esta tecnologia operacionalmente já seria perfeitamente possível com o apoio de pesquisas que já vêm sendo conduzidas por universidades e pesquisadores locais, já que os protocolos estão prontos e 100% aplicáveis. No entanto, o maior entrave ainda é o mais básico: onde a epidemia mais avança é nos locais onde há mais carência de saneamento. “Este é mais um exemplo do quanto o saneamento básico é fundamental como um elemento estruturante de saúde pública. Se tivéssemos no Brasil um acesso universalizado como nos países mais desenvolvidos, seria possível monitorar a partir de agora o surgimento de novas ondas, e mais, indicando por meio das redes o local onde o surto está iniciando”, diz Federico Lagreca, diretor comercial da SUEZ para o Brasil.

Sobre a SUEZ Brasil – Desde o final do século XIX, a SUEZ construiu conhecimentos especializados para ajudar pessoas a melhorar constantemente sua qualidade de vida, protegendo a saúde e apoiando o crescimento econômico. Com presença ativa nos cinco continentes, a SUEZ e seus 90.000 funcionários trabalham para preservar o capital natural do nosso meio ambiente: água, solo e ar. A SUEZ fornece soluções inovadoras e resilientes em gerenciamento de água, recuperação de resíduos, remediação de locais e tratamento de ar, otimizando o gerenciamento de recursos de municípios e indústrias por meio de cidades “inteligentes” e melhorando seu desempenho ambiental e econômico. O Grupo fornece serviços de saneamento para 64 milhões de pessoas e produz 7,1 bilhões de m3 de água potável. A SUEZ também contribui para o crescimento econômico, com mais de 200.000 empregos criados direta e indiretamente anualmente, além de fornecer novos recursos, com 4,2 milhões de toneladas de matérias-primas secundárias produzidas. Até 2030, o Grupo terá como alvo soluções 100% sustentáveis, com um impacto positivo em nosso meio ambiente, saúde e clima. A SUEZ gerou uma receita total de € 18 bilhões em 2019.