Escolas tecnológicas: portas abertas à capacitação profissional

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É de um viveiro onde cultiva plantas ornamentais e frutíferas que dona Maria das Neves, 66 anos, moradora do município de Vigia, tira boa parte de sua renda atual. Apesar de já estar aposentada, ela preferiu se dedicar a uma atividade para manter mente e corpo produtivos e ainda garantir um reforço no orçamento familiar. E foi o gosto pela jardinagem que a levou a buscar mais conhecimento sobre o assunto, obtido por meio do curso de Formação Inicial Continuada (FIC) ofertado pela Escola Tecnológica do município (EETEPA-Vigia), feito em 2015. Hoje é dona do próprio negócio, montado no quintal de casa.

Em tempos de crise, a qualificação profissional é o grande diferencial durante as seleções de emprego, por isso, a Secretaria de Estado de Educação investe na grade curricular dos cursos de capacitação para garantir a qualidade do ensino nas dezoito escolas tecnológicas do Pará. No próximo dia 25 a Seduc divulgará o edital de seleção deste ano para as sete escolas da capital e 12 do interior do Estado.

Assim como dona Maria, muita gente encontra no ensino técnico gratuito oferecido pelo Estado uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Atualmente 17.238 alunos fazem parte da rede estadual de ensino técnico, que oferta as modalidades de ensino integrado, concomitante, FIC e o Proeja (Programa de Educação de Jovens e Adultos) em mais de 180 cursos técnicos espalhados por todas as regiões do Pará. As modalidades permitem que os cursos beneficiem alunos de qualquer idade com formação gratuita.

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“Nossos cursos são todos certificados e autorizados pelo MEC. Além disso, o aluno pode ter certeza que terá acesso a um ensino de qualidade, pois além do alto nível do currículo técnico, nós temos excelentes resultados no Ensino Médio. Um exemplo é a Escola Técnica Estadual Magalhães Barata, que conseguiu a melhor nota no Enem entre todas as escolas da rede Estadual, além de ser o nosso maior polo de formação na área industrial”, explica Mari Elisa, coordenadora de Educação Profissional da Seduc.

Se para dona Maria a formação técnica foi responsável por uma nova perspectiva de vida após os 60 anos, para muitos jovens ela representa a oportunidade de começar uma carreira profissional. Essa é a expectativa de José Vinícius Sena e Daniel André da Silva, ambos moradores do bairro do Barreiro, em Belém, e estudantes da Escola Técnica Estadual Magalhães Barata.

José Vinicius, 18 anos, sempre teve muito interesse pela área de informática, por isso optou pelo curso de Rede de Computadores e Lógica de Programação. Satisfeito com a qualidade da formação que vem recebendo, ele diz que muita coisa mudou desde que começou a estudar. “Percebo que consigo crescer bastante nas aulas, pois temos excelentes professores, que tem facilidade de se comunicar com os alunos. Eu sempre gostei da área de informática e este curso abriu a minha mente. Eu já tive meu primeiro contato com o mercado – atua como Menor Aprendiz em uma empresa – e vi como a nossa área é concorrida. Precisamos nos atualizar o tempo todo e a escola nos ajuda bastante com isso”, avalia.

Daniel da Silva tem 17 anos e faz o curso de Eletrônica, que segundo ele influenciou muito na escolha da futura carreira profissional. “Eu conheci coisas novas e não imaginava que me identificaria tanto com essa área. Eu ainda não trabalho, mas depois desses dois anos e meio de curso eu já penso em fazer um curso superior em Engenharia Elétrica, para conseguir uma boa qualificação no mercado de trabalho”, diz.

De acordo com a Seduc, um dos cursos mais procurados – e que possui uma das maiores demandas de mercado – é o de Técnico em Segurança no Trabalho. Em escolas particulares, as mensalidades de um curso como este podem chegar a R$ 300,00. Um dos estabelecimentos que oferecem o curso, gratuitamente é o Instituto de Educação do Estado do Pará (IEEP), onde estudam 916 alunos. Além dessa, outras quatro formações são ofertadas em diferentes áreas.

Ciria Maria Ramos, 38 anos, é casada e mãe de dois filhos adolescentes. Afastada da sala de aula há muitos anos por conta dos cuidados que a criação dos meninos exigia, ela só havia conseguido completar o segundo grau. A necessidade de voltar ao mercado fez com que ela procurasse uma formação técnica e descobrisse o Instituto de Educação Estadual do Pará (IEEP). A provada no processo seletivo ela então voltou a estudar o Ensino Médio e fez o curso de Técnico em Segurança do Trabalho gratuitamente.

Hoje, após três anos de estudo ela já estagia em uma construtora no centro da cidade e faz planos para o futuro. “Decidi voltar porque vi meus filhos crescendo e eu ficando para trás. Hoje eu estou voltando para o mercado com a ajuda do curso, que nos dá a possibilidade de ver tanto a teoria quanto a prática. Já estou estagiando e posso ver a minha profissão crescendo dia a dia. É uma ótima oportunidade a que temos aqui, pois este é um curso muito caro e nós estamos tendo a oportunidade de fazer de graça, desde que mantenhamos uma boa média nas notas”, diz Ciria.

Em todas as escolas técnicas, além da aprovação no processo seletivo, o aluno precisa manter as médias altas, fazer todas as atividades exigidas e cumprir com as horas de estágio.

Interior – No nordeste paraense, a Escola Tecnológica de Vigia mostra os resultados obtidos em quase um ano e meio de funcionamento. Considerada o maior polo profissionalizante da região, a EETEPA Vigia em breve abrirá novos cursos. A unidade, construída pelo governo do Pará em parceria com o governo federal, por meio do Programa Brasil Profissionalizado, oferece o curso de Técnico em Meio Ambiente e também cursos constantes de Formação Inicial Continuada (FIC).

Dona Maria das Neves mora há pouco mais de 200 metros da Escola Tecnológica de Vigia. Ela esteve na inauguração e toda a semana procurava saber da lista de cursos disponíveis para quem já tinha o 2º Grau. Foi quando surgiram os primeiros cursos FIC, no primeiro semestre de 2015. Ela não perdeu tempo e se matriculou no curso de mudas e viveiros.

“Eu já tinha um trabalhado com uniformes e gostava muito de mexer com plantas. Quando soube do curso fiz questão de matricular porque é sempre bom aprender algo novo. Não gosto de ficar parada e hoje eu tenho o meu viveiro no quintal. Tenho clientes que vem de Belém para comprar as minhas plantas. Eu acho muito importante a gente ter aqui em Vigia uma escola dessas, que dá oportunidade para que todos possam aprender e conseguir trabalho”, explica dona Maria.

E com o mesmo cuidado que tem com a sua horta a idosa também dispensa à família. Ela influenciou o neto, Paulo Sérgio Neves, 15 anos, a se matricular na escola para fazer o 2º Grau integrado ao curso de Técnico em Meio Ambiente. Ele é um dos melhores alunos do curso e fala das expectativas. “Antigamente a gente precisava ir para outro município para conseguir uma formação técnica profissional. Agora não, temos esse curso, que é muito bom. Já penso em me formar e trabalhar em Barcarena ou mesmo aqui dependendo da demanda”, diz Paulo com confiança.

Fique atento

No dia de 25 de janeiro será publicado o edital de seleção para todas as escolas técnicas no Pará. Estão previstas mais de sete mil vagas em vários municípios, nas modalidades Ensino Médio integrado, Proeja e subsequente, além dos cursos FIC de curta duração que serão ofertados durante o ano.

Confira onde estão as escolas técnicas do Estado:

Belém
EETEPA Professor Anísio Teixeira
Escola Técnica Estadual Magalhães Barata
E.E.E.M Paes de Carvalho
Instituto de Educação do Estado do Pará
E.E.E.F.M Deodoro de Mendonça
E.E.E.M Francisco da Silva Nunes
EETEPA Francisco das Chagas Ribeiro de Azevedo Cacau

Interior do Estado
EEEFM Centro de Educação Profissional Dom Aristides Pirovano – Marituba
EEEFM Juscelino Kubitschek de Oliveira – Benevides
EEEM Irmã Albertina Leitão – Santa Izabel
Centro Integrado de Educação do Baixo Tocantins – Cametá
EETEPA Tailândia
EETEPA Monte Alegre
EETEPA Oriximiná
EETEPA Vigia de Nazaré
EETEPA Itaituba
EETEPA Paragominas
EETEPA Salvaterra

Diego Andrade
Secretaria de Estado de Comunicação