Energia solar para o bem do meio ambiente

Modelo de um barco solar
Modelo de um barco solar

Instituições escolares buscam alternativas mais baratas  

Há uns quinze anos, as fontes de energia renováveis eram consideradas alternativas inacessíveis por serem caras ou inviáveis às cidades brasileiras. Esse mito está sendo quebrado. As energias renováveis, suas aplicações e os impactos no meio ambiente são assuntos discutidos em diversas áreas da educação. Segundo o coordenador do Laboratório de Preparação e Computação de Nanomateriais (LPCN), da UFPA, professor Antonio Maia, é necessário discutir sobre novas formas de energia renovável, “porque o petróleo vai acabar daqui a 15 ou 20 anos, em média, e o Brasil ainda não está preparado para isso. Portanto, é muito importante debater sobre o uso de células combustíveis, placas solares orgânicas e inorgânicas, aerogeradores, produção e armazenamento de hidrogênio, energia hidráulica, entre outros.”

O Instituto Federal do Pará (IFPA) já mostrou que é possível ver essas fontes de energia como alternativa para o país. O professor e membro da Coordenação de Eletrotécnica do IFPA, Msc. Luis Blasques, que é mestre em energias renováveis pela UFPA e doutorando nessa mesma área, disse que isso é possível. Diferente das hidrelétricas, que prejudicam a natureza causando inundação de grandes extensões de terra, as fontes de energia renováveis são aquelas que vêm de recursos naturais como o sol, o vento, a chuva, as marés e o interior da terra (energia geotérmica), que são recursos naturalmente reabastecidos.

A energia solar, objeto de estudo dos alunos dos cursos de Física, Eletrotécnica, e outros, do Campus Belém, agora está sendo estudada de forma prática por esses estudantes. O próprio laboratório de energia solar é abastecido com a energia oriunda do sol. As placas solares foram posicionadas de forma que houvesse uma melhor captação da luz solar e os equipamentos foram restaurados. Além disso, novos módulos solares possibilitaram um melhor carregamento das baterias. A revitalização, que durou aproximadamente 15 dias, permitirá que, nas aulas, os alunos tenham acesso a placas, baterias, inversores, controladores e bombas d’água, para que entendam, a partir desses protótipos, como funciona o novo sistema de energia.

Centro de Energia Renovável
Centro de Energia Renovável

Alternativa

O Brasil já é considerado um país bem favorecido por esse tipo de energia, mas, em termo de potencial é “atrasado”, principalmente quando comparado a outros países como o Japão, onde a energia solar é muito utilizada. No Pará, a energia solar ainda é vista como uma alternativa complementar. Atualmente, há apenas projetos da UFPA que são desenvolvidos desde 1998, um sistema conectado à rede no bairro da Pedreira, em Belém, outro sistema que envolve energia solar e eólica em Curralinho, e mais um apenas de energia solar em Porto de Mós. Nesses três municípios, ambos os sistemas são gerenciados pela Celpa. De acordo com o professor João Pinto, além de economizar energia elétrica, o Campus Belém servirá de exemplo para a sociedade, como utilizador de fontes de energia que não prejudicam o meio ambiente.

UFPa lança barco solar

Recentemente, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-EREEA) desenvolveu um barco movido à energia solar, batizado de “Aurora Amazônica”. Foram três anos de estudo e desenvolvimento. O projeto Barco Solar e Oficina Solar surgiu por intermédio dos grupos membros Fotovoltaica, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Grupo de Estudo de Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (GEDAE), da UFPA.

O professor João Pinho, coordenador do GEDAE, disse que o objetivo foi mostrar que a Ciência e a Tecnologia podem ajudar a população na execução das suas atividades e na produção de renda, com soluções que são alternativas e eventualmente mais econômicas e promovem, também, geração de renda, sustentabilidade e defesa do meio ambiente.

Sustentável

O barco possui dois conversores de corrente contínua para corrente alternada, dois motores elétricos WEG responsáveis pelo sistema de propulsão com sistema de refrigeração à água, banco de baterias com autonomia para cinco horas de navegação e capacidade total de 22 pessoas.

Além disso, no momento de atracação do barco, ele pode ser carregado conectando-se ao terminal elétrico da oficina solar, ou seja, a embarcação tem um banco extra de armazenamento de energia, o que permite que ele possa ser recarregado mesmo nos períodos de vários dias de chuva, comuns na Região Amazônica.

Os módulos solares fotovoltaicos estão dispostos na cobertura do barco, principal fonte de energia que o conduz. É dessa forma que o projeto proporciona a redução da poluição por diesel, nos rios, e a diminuição do estresse dos animais da região causada pela poluição sonora. Já nos barcos convencionais com motores a combustão, a produção de ruídos é muito maior. A oficina solar, que permite a carga do barco, fica localizada na escola de Belém, ligando a Comunidade de Santa Rosa, a Ilha das Onças, o município de Barcarena, onde a embarcação passou cerca de um ano e meio na condição de testes de implementação.

Meio ambiente

O Barco Solar apresenta-se como uma alternativa para o transporte escolar na Amazônia, ecoturismo e demais atividades. As perspectivas para o futuro do projeto estão na replicação para outras localidades onde se possam usar a ciência, a tecnologia e a inovação para o desenvolvimento social.

Segundo o professor João Pinho as energias renováveis estão se tornando cada vez mais baratas, ao longo do tempo, do que as energias convencionais, que são baseadas em combustível fóssil. “E também porque temos uma abundância dessas fontes energéticas aqui, na nossa região, e elas podem ser aplicadas para atividades produtivas para melhorar a distribuição de renda da nossa população.”

Fotos : Alexandre Moraes  

(*) Publicado originalmente na edição 166 da Revista Pará+.