Empresa com apoio PIPE-FAPESP desenvolve sensor para detecção rápida de microrganismos em hospitais

Agência FAPESP * – Gabriela Byzynski, pesquisadora e cofundadora da startup NanoChemTech Solutions, em parceria com o pesquisador Filippo Ghiglieno, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), depositou patente de invenção intitulada “Leitor e sensor de microrganismos baseados em alterações de propriedades eletromagnéticas de etiqueta RFID”, capaz de identificar doenças bacterianas ao redor de pacientes hospitalizados.

O projeto “Biossensores RFID para detecção em ambientes hospitalares de bactérias e fungos responsáveis por infecções”, desenvolvido pela NanoChemTech Solutions, é apoiado pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Para o desenvolvimento da tecnologia, os pesquisadores observaram os ambientes hospitalares e a relação de microrganismos e infecções presentes em colchões, cabeceiras, maçanetas, equipamentos etc., buscando uma técnica que apresentasse resultado rápido.

O resultado foi uma tecnologia que funciona como um medidor de taxas de glicemia por meio de uma caixa com leitor e etiqueta descartável, na qual é inserida a amostra do leito do paciente que, em contato com o solvente a uma distância de aproximadamente 30 centímetros, permite identificar em até 30 minutos o patógeno/bactéria presente naquele ambiente.

De acordo com Byzynski, em entrevista para a Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar, o principal diferencial da nova tecnologia é sua portabilidade, além da rapidez em oferecer um resultado seletivo. Isso porque, segundo ela, as técnicas semelhantes no mercado identificam a presença de resíduos orgânicos, mostrando que há contaminação, mas não descrevem especificamente o que está acontecendo ao redor do paciente.

“O teste se mostrou efetivo, por exemplo, na identificação da bactéria da pneumonia, que é preocupante no cenário hospitalar. Essa especificidade de saber qual bactéria ou microrganismo está presente é muito importante”, ressalta a pesquisadora.

Atualmente, o grupo que desenvolveu o sensor realiza testes em instituições hospitalares parceiras nas cidades de São Paulo e São José do Rio Preto, com o objetivo de validar a amostragem e o tempo de coleta e verificar o potencial na identificação de fungos. A startup busca licenciar a tecnologia para empresas que atuem em sua fabricação e beneficiem o maior número de pessoas, inclusive no mercado mundial.

Além disso, devido ao atual contexto da pandemia do novo coronavírus, Byzynski explica que o grupo também articula parceiros para a realização de testes para monitoramento de microrganismos pouco conhecidos como o novo coronavírus, adaptando a tecnologia e modificando a superfície do biossensor, mas utilizando os mesmos princípios, ou seja: a identificação dos vírus seletivamente através de biorreceptores específicos que transmitem sinal eletromagnético na presença do microrganismo.

*Com informações da Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar .