Eleitorado do Pará quer presidente que entenda da Amazônia

Pesquisa inédita mostra o que o eleitorado do estado quer nessas eleições. Apenas 24,4% confiam nos políticos quando o assunto é Amazônia.

Para a maioria do eleitorado do Pará, o conhecimento das questões amazônicas é um fator importante na escolha do próximo presidente. Em pesquisa de opinião encomendada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e realizada pelo instituto Action, 60,7% dos eleitores responderam que o conhecimento sobre a região e a defesa da floresta são fatores que influenciam o voto.

Os participantes também afirmam que os atuais governantes não fazem o suficiente pela região. Entre os tópicos mais relevantes para o debate político em uma escala de 0 a 10, os entrevistados paraenses apontam a educação (9,3), saúde (9,2) e o combate à corrupção (8,8) como assuntos de destaque. O meio ambiente, por sua vez, recebeu a nota 8,4.

Sobre a pesquisa de opinião
O levantamento foi realizado pelo Action Instituto de Pesquisa, a pedido da FAS e com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), no âmbito do projeto “Amazônia nas Eleições 2022”. Entre os meses de maio e junho, foram ouvidas 2.824 pessoas entre entrevistas quantitativas e qualitativas nos nove estados, sendo 893 do Pará.

A pesquisa também abordou os temas que a população do Pará considera prioritários nos debates dos presidenciáveis. Para 88,8% dos eleitores paraenses, a conservação da floresta precisa fazer parte do plano de governo dos candidatos e candidatas à presidência nestas eleições. Entre os temas mais citados pelos entrevistados para o desenvolvimento da região estão: combate ao desmatamento (44,7%), preservação da floresta (20,3%), a diminuição das queimadas (14,1%) e o desenvolvimento sustentável (12,8%).

Questões sobre combate ao garimpo ilegal, aumento das áreas de conservação na floresta, poluição de rios e igarapés, recursos aos povos indígenas e ribeirinhos, conservação de terras indígenas, exploração ilegal de madeira, bioeconomia, ecoturismo, fiscalização de recursos naturais também fazem parte dos temas que os eleitores esperam que sejam debatidos nas eleições de 2022.

Para os jovens em todos os estados da Amazônia Legal, a Amazônia é o “coração do mundo”. Neste contexto, 94,5% dos eleitores de 16 a 24 anos consideram que a conservação da Amazônia deve fazer parte dos planos dos candidatos nas eleições de 2022 e projetos consistentes para proteger e explorar a floresta de forma legal e sustentável.

O superintendente geral da FAS, Virgílio Viana, ressalta que a pesquisa revela de forma inédita que a população amazônida está alinhada com a conservação das florestas, o desenvolvimento socioeconômico da região e a proteção de direitos dos povos indígenas.

“Em todas as faixas etárias, de renda e escolaridade existe uma visão de que o desmatamento é algo ruim, que as queimadas fazem mal à saúde e que o garimpo ilegal é fonte de problemas para quem mora na Amazônia. Tudo isso é importante para o debate nacional e para as eleições”.

Visão socioambiental
Também foi pedido aos participantes da pesquisa, que abrangeu os nove estados da Amazônia Legal brasileira, para que resumissem o que pensam sobre a Amazônia com uma palavra, apenas. A palavra mais mencionada foi “preservar”. Entre os termos mais citados também estão “nossa casa”, “vida”, “cuidar”, “bom lugar”, “amor” e “investimento”.

Ainda segundo a pesquisa, 94,5% dos paraenses concordaram com a afirmativa de que as árvores nas ruas e praças podem diminuir o calor. Além disso, 92,9% também concordaram que conservar a floresta faz bem para a qualidade de vida da população de toda a região amazônica. Para 89,5% dos entrevistados no Pará, as escolas deveriam ensinar mais sobre a região e 80,4% afirmaram que os povos que vivem na floresta precisam ter seus direitos e vidas respeitados para garantir que a floresta permaneça viva.

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