Educadores constroem coletivamente a educação inclusiva em Belém

Com o tema “O movimento da inclusão educacional na rede municipal de Educação de Belém”, o Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (Crie), da Secretaria Municipal de Educação (Semec), encerra nesta sexta-feira, 12, a “I Formação Permanente para educadores do Crie”. O objetivo do encontro virtual, iniciado ontem, é pensar, discutir e construir coletivamente a educação inclusiva em Belém.

Ivanilde Apoluceno de Oliveira, docente da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e com larga experiência na Educação Popular e Inclusiva, é a convidada para palestra os dois dias de formação. Em sua apresentação conversou sobre “Educação Inclusiva, Diferença e o outro”, pontuando as várias dimensões que se apresenta a “diferença” e destacou o que o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, ensina para alcançar uma educação mais inclusiva.

De acordo com a educadora, é preciso lidar com a diferença como alteridade, a partir do conceito de diversidade, onde o outro é um ser distinto, mas que sabe se relacionar com o outro. “Há uma necessidade de uma educação pública e inclusiva e para a diversidade, superando as práticas segregadoras e isoladas, por fatores de diferenças de classe social, gênero, idade, etc. A educação inclusiva parte do reconhecimento dos sujeitos humanos e de seus direitos à educação, saúde, trabalho, entre outros. Crianças, jovens ou adultos devem aprender na convivência com a diversidade dos sujeitos em termos sociais e culturais. Freire considera o conhecimento um evento social ainda que em dimensões individuais. É nessa relação comunicativa que os sujeitos ensinam e aprendem. O processo educacional é essencialmente social”, enfatiza.

Educadores – Para a professora Alcinda Maria de Jesus Solon Pety “a formação está sendo muito significativa, dando ânimo aos professores. Mesmo com mestrado, a gente está sempre aprendendo e repensando o nosso fazer pedagógico. A professora Ivanilde nos faz refletir sobre a relação com o outro e repensar a sala de recursos multifuncionais mais acolhedora e atrativa para todos os estudantes da escola, não somente para alunos com deficiência e até sugeriu chamar de sala pedagógica”. Alcinda é mestra em educação, está há 25 anos na rede municipal e há 15 anos atua na sala de recursos multifuncionais. Atualmente, ensina na Escola Municipal Vanda Célia, localizada no Residência Quinta dos Paricás, em Icoaraci.

Em outra perspectiva, Tiago de Souza Costa, conta que “como profissional surdo, senti muita emoção pela participação da intérprete de Libras durante a formação, porque somente hoje e nesta gestão pude participar efetivamente. A professora Ivanilde nos encoraja a continuar e melhorar o nosso trabalho, a importância, mesmo longe de estarmos juntos à comunidade escolar, mesmo com todas as adversidades que estamos enfrentando”. Ele é professor do Programa Bilíngue de Educação para Surdos, do Crie. Tiago atua nas salas de recursos multifuncionais em diversas escolas com alunos surdos nos bairros do Benguí, Tapanã, Cabanagem e Pratinha, desde 2012.

O encontro foi mediado pelo professor Lourival Ferreira do Nascimento, primeiro doutor em Educação cego, formado  pela Universidade Federal do Pará (UFPA); teve a apresentação cultural da professora Wendy Feitosa, com a tradução em Libras de Tatiana Mota e Luane Favacho; e áudiodescrição de Joana Martins. Cerca de 180 professores participam da formação, que também conta com a presença do professor Walter Braga, coordenador do Centro de Formação de Professores (CFP); da coordenadora do Crie, Tatiana Vasconcelos; da diretora de educação, Dorilene Melo; e da secretária de educação Márcia Bittencourt.

“Gratidão a todos que estão aqui. O momento é de unir as nossas concepções teóricas e práticas e enfrentar as adversidades nos dando as mãos. O Crie faz a diferença na Secretaria e pretendemos potencializar o trabalho de vocês, o lugar onde estão, os processos inclusivos. Fácil à gente sabe que não é, mas o trabalho coletivo e humanizador nos tornará uma secretaria com um diferencial. Precisamos estudar muito mais os processos inclusivos e fazer uma sociedade para todos. Aprender coletivamente para superarmos este momento que estamos vivendo”, disse Márcia Bittencourt.

Ao final do primeiro dia de formação, as professoras Emanuele Correia e Teresinha Monteiro, por meio de sorteio, ganharam o livro “A imagem e o espelho – Representações sociais da inclusão escolar por jovens com cegueira”, dos autores Lourival Ferreira do Nascimento e Ivany Pinto Nascimento.