Docentes da UEPA e UFPA cria Grupo Solidariedade e produz material EPI para profissionais da saúde

A pandemia do Novo Coronavírus trouxe diversos novos alertas e demandas de comportamento social e de práticas de saúde. Um dos problemas enfrentados no combate a doença, segundo o Ministério da Saúde, seria a possibilidade de o Brasil sofrer um desabastecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como máscaras, jalecos e outros usados em hospitais e postos pelos profissionais da saúde, tais como enfermeiros e médicos. A Itália tem mais de seis mil profissionais de saúde infectados e mais de 12% dos acometidos pelo Novo Coronavírus (Covid-19) na Espanha fazem parte dessa categoria, segundo o Ministério da Saúde espanhol. Esses dados geram preocupação, também, nos profissionais do Pará, haja vista que os EPIs existentes não são suficientes para atender a grande demanda que aumenta a cada dia.

Pensando nisso, a infectologista, dermatologista, e professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Marília Brasil, idealizou o Grupo Solidariedade, conjuntamente com docentes da Uepa e da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de profissionais de outras categorias. A proposta é arrecadar doações em dinheiro ou materiais e insumos para compra ou produção de EPIs, para serem distribuídos para profissionais de saúde de municípios do Estado do Pará, tais como, Santa Maria, Ananindeua, Bragança e Belém, que já receberam ações projeto, assim como outros que entrarem no percurso de distribuição dos Equipamentos.

Na última quinta-feira, 2 de abril, foram distribuídos pelo Grupo Solidariedade diversos materiais, entre eles, caixa de intubação, máscaras, capotes e aventais impermeáveis, para a Santa Casa de Misericórdia do Pará, um dos hospitais de retaguarda no Estado para o atendimento de pacientes de Covid-19, encaminhados via regulação. Entretanto, há outros lugares programados para receber os EPIs antes do futuro pico do Coronavírus.

“Sabemos que a Covid-19 vai ter seu pico no final de abril e início de maio. Por causa disso, estamos trabalhando intensamente nessas últimas duas semanas para que possamos ter os Equipamentos de Proteção Individual neste período e, dessa forma, possamos não sofrer com o desabastecimento aqui no Pará, pois lamentavelmente, ninguém no mundo estava preparado para esta pandemia”, afirmou a idealizadora do Grupo Solidariedade, Marília Brasil.

O projeto já arrecadou, aproximadamente, R$ 20 mil e distribuiu em torno de 100 máscaras Face Shields, 200 óculos de proteção, mil capotes, mil máscaras, uma caixa de intubação e 40 aventais impermeáveis, além de outros produtos como gorros e macacões, alguns deles feitos pelos próprios integrantes do grupo.

Máscaras Face Shield

A máscara Face Shield está sendo produzida no Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) da Uepa, por meio do coordenador Jorge Lopes, que desenvolveu a partir de materiais de baixo custo um equipamamento de dupla proteção. O objeto evita que o contato de gotículas, salivas e fluídos nasais possa atingir o rosto, o nariz, a boca e os olhos do profissional da saúde que a usar.

“Eu atendi ao chamado do Grupo de Solidariedade e prontamente comecei a desenvolver máscaras do tipo Face Shield de baixo custo para profissionais da saúde e também entrei no grupo para desenvolver caixas de proteção para intubação de pacientes. Os EPis são produzidos por meio de materiais diversos como acrílico, acetato, elásticos, polipropileno e PVC para serem disponibilizados de acordo com as normas de higienização”, comentou o coordenador do Labta, professor Jorge Lopes.

Pensando em estratégias que pudessem ampliar as possibilidades de produção de EPIs, tanto no âmbito do território paraense quanto em um contexto nacional, Jorge Lopes organizou procedimentos para confecção de Face Shields de baixo custou e compartilhou vídeos em uma rede social (acesse o link aqui), ensinado o público a produzir. O objetivo é que esta ideia seja ampliada e executada por outras pessoas. “O compartilhamento destas informações já está surtindo efeito, pois uma ex-aluna minha já está desenvolvendo este trabalho em Aracaju e outro ex-aluno já vai iniciar esta ação em Marabá, portanto, isso demonstra a força destas informações no contexto atual desta pandemia, pois outros colegas terapeutas ocupacionais já estão se mobilizando para iniciar esta ação também”, disse o coordenador do Labta.

O egresso do curso de Terapia Ocupacional do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Uepa, Rafael Nunes, que mora, atualmente, na cidade de Marabá, no sudeste do Pará, é um dos profissionais que foi estimulado a produzir a Face Shield a partir das informações compartilhadas pelo professor Jorge Lopes, com objetivo de fazer a distribuição nos hospitais e postos de saúde da região do Carajás. “Qualquer Equipamento de Proteção Individual que tenha sido confeccionado com materiais de baixo custo e que promovam a segurança dos profissionais da saúde a ponto destes poderem se empenhar cada vez mais no propósito de cuidar do outro é válido, porque não podemos esperar somente ações e medidas das autoridades, afinal cada um pode fazer sua parte nas diversas áreas de atuação para que através da união seja possível colher resultados benéficos a todos no combate ao coronavírus”, ponderou Rafael Nunes.

Grupo – Para as próximas três semanas, o Grupo Solidariedade estipulou uma meta de produção que compõe a confecção de 50 caixas de proteção para intubação, além de produzir por semana dois mil aventais, duas mil máscaras, duzentos Face Shield, dois mil gorros e 50 roupas cirúrgicas para uso em hospitais e postos de saúde. O grupo atua também com psicólogos e psiquiatras, a partir de uma plataforma de mensagem e apoio emocional aos profissionais de saúde.

“Estamos cobrindo Belém e ao redor, mas estamos orientando grupos do interior do Pará à produção e a expectativa é que a rede cresça para atender mais pessoas, pois precisamos muito de apoio da sociedade para continuar na produção dos materiais e ajudar nossos profissionais da saúde nessa luta”, frisa a idealizadora do Grupo Solidariedade, professora Marília Brasil.

Como ajudar na campanha? 

Para ajudar na campanha de doações para compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para profissionais de saúde para atendimento na pandemia da Covid-19 contacte pelo telefone/WhatsApp: 91 98444 0032. Ao final, serão enviadas aos doadores notas de compras e serviços.