Casa Abrigo acolhe pessoas em situação de rua em Belém

Rodolfo Júnior é natural de Belém, tem 52 anos e há sete vive em situação de rua. Com problemas de depressão, ele procurou ajuda no Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, em um dos distritos da capital paraense. “Comecei a frequentar o Centro POP de Icoaraci e, por meio de lá, me deram essa oportunidade de eu vir aqui para a Casa Abrigo para Pessoas em Situação de Rua. Graças a Deus é uma casa que me acolheu de braços abertos”, conta Rodolfo. 

Ele é um dos 16 homens acolhidos pela Casa Abrigo para Pessoas em Situação de Rua, o Camar 1. O trabalho segue as normas da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, que orienta os serviços de assistência no Brasil, e oferece a eles atividades pedagógicas, encaminhamentos de saúde e educacional, além de possibilitar a emissão de documentação e a participação em oficinas.

De acordo com a coordenadora do espaço, Maria de Jesus Galvão, o trabalho é para “garantir direitos, é garantir cidadania para essas pessoas que são tidas pela sociedade como invisíveis, é mostrar que a política de assistência é atuante”, explica.  

Histórias – O acolhimento é, inicialmente, de seis meses. Após este período, os acolhidos são avaliados podendo permanecer no espaço por um tempo maior, dependendo da situação. “Sem o Camar estaríamos sem roupa, sem calçado, só bebendo, usando drogas e aqui nós estamos deixando tudo para trás, por meio do artesanato, com o apoio do Camar”, conta Raimundo Cunha, de São João do Araguaia, que veio a Belém em busca de oportunidades e acabou em situação de rua. Durante o tempo de acolhimento no local, ele aprendeu a fazer cestas com papel reciclado. 

Elielzo da Hora, que também veio para a cidade com o mesmo objetivo, agora também vê no artesanato uma forma de sair das ruas. “Depois que o Raimundo apareceu aqui, ele me ensinou a fazer cestinha com papel. E aí, eu usei a minha criatividade para fazer outras coisas como, jarro de colocar flores, avião, barco, fazer carrinho, tudo o que eu imagino, eu consigo fazer com papel. Eu sinto que é uma terapia para mim”, explica. 

Resgate – Para a coordenadora do Camar 1, esse contato com a arte possibilita o resgate da cidadania e melhora a visão que os acolhidos têm de si mesmos. “Geralmente eles têm uma baixa autoestima e é importante essa questão deles acreditarem neles mesmos, que é possível, que eles são importantes para a sociedade, que é possível eles terem uma outra forma de vida que não seja a rua”, concluiu.

A coordenadora do Camar disse, ainda, que tem a intenção de comercializar as peças produzidas pelos acolhidos depois do lockdown para ajudá-los a garantir uma nova fonte de renda, já que muitos estão desempregados. 

O trabalho, que tem como meta atender até 50 pessoas em situação de rua, tem despertado nos acolhidos a esperança de que mudar é possível.  

“Eu perdi emprego, família, tudo, mas hoje em dia estou querendo conseguir tudo de novo”, conta Raimundo. 

O Elielzo também acredita que com o artesanato pode “melhorar mais, criar coisas para agradar as pessoas, deixar as pessoas curiosas e continuar investindo nisso.” 

Já o Rodolfo, que está fazendo tratamento para a depressão por meio da Casa Abrigo, quer “estar uma pessoa preparada para encarar as coisas quando sair do Camar 1.”