Brinquedos de miriti aquecem economia paraense

A cidade de Abaetetuba, distante 40 quilômetros de Belém do Pará, tem a origem do seu nome no Tupi que significa “terra de homens fortes e corajosos”. Situada às margens do rio Tocantins, foi fundada por Francisco Monteiro, no ano de 1712.

Na referida localidade desenvolve-se o miritizeiro, palmeira nativa da região, de várzea, cuja altura chega até aos 15 metros, com diâmetro do caule aproximadamente de 0,50 cm, possuindo entre 20 a 30 folhas em forma de leque, sendo o seu fruto o miriti ou buriti, como o chamam algumas pessoas.

Do miriti tudo é aproveitando. A tala conhecida por a casca de braço é a parte de onde se fabrica o paneiro, a peneira e o tipiti. A sua parte interior conhecida por bucha é utilizada pelo artesão que a prepara para a confecção de brinquedos.

A primeira fase é o talho certo, que em seguida passa para a impermeabilização, onde é lixado seguindo para a terceira etapa que é o colorido da peça. Os brinquedos que realizam os sonhos das crianças pela sua apresentação em barcos, cobras, pássaros, lagartos, etc, são comercializados há séculos.

Referidas peças foram apresentadas pela primeira vez em 1793, por ocasião da “Primeira Feira de Produtos Agrícolas Regionais”, na semana do “Primeiro Círio de Nossa Senhora de Nazaré”, no arraial em Belém do Pará.

A partir de então é presença constante durante a quadra nazarena. A cidade tem coisas curiosas como o seu nome conhecido carinhosamente por “Abaeté”. No século XX tornou-se famosa por produzir a melhor aguardente da região.

Quando lhe foi atribuída o nome de “Cachaça de Abaeté”, não só pelo consumo, mas pelo fabrico especial tornando-se um principais produtos que vieram incrementar a economia da terra.

Consta que os brinquedos tiveram sua origem na curiosidade de uma criança que começou a dar à bucha o formato de brinquedo, chamando a atenção da população infantil, desejosa de possuir um brinquedo diferente.

Daí a razão de artesãos haverem despertado para uma profissão ainda que rudimentar, mas que tornou-se meio de sobrevivência dos moradores que voltaram suas atenções a essa novidade vitoriosa na localidade, em todos os aspectos.

Posteriormente, as famílias criaram associações profissionais valorizando os artesãos. Atualmente, são patrocinados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas – SEBRAE, além de receberem cursos específicos na Fundação Curro Velho, na capital paraense.

Encerrados os festejos nazarenos, o trabalho prossegue tendo já atravessado fronteiras com presença na Europa, em países como a Alemanha, França e Holanda, valorizando os produtos de Aba- eté, justificando que os brinquedos de miriti aquecem a economia paraense