Opinião


A crise, principalmente quando provocada por erros de terceiros, é difícil; porém, tem o seu lado positivo que é unir os atingidos.
Neste momento, estamos tentando aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, sem as quais o Brasil conhecerá o caos; esta é a discussão no cenário nacional. Já no cenário local, temos verificado uma preocupação geral e constante com Belém, a nossa capital. Nossas entidades passaram a se preocupar efetivamente com a nossa cidade. De repente, todos nós, de forma geral, passamos a discutir sobre o nosso potencial turístico.
A discussão sobre Belém tem nos trazido grandes ideias, como a do engenheiro Nelson Chaves, em transformar a área do antigo Aero Clube no “Parque de Belém”, que, inicialmente solitária, ganhou muitos adeptos. Todas as bênçãos ao amigo Nelson que nunca desistiu de seu sonho de quase 30 anos, de ver consolidado seu projeto que, agora ao que parece, todos querem vê-lo materializado.
O “Projeto Belém Porto Futuro”, apresentado pelo Ministro Helder Barbalho, cujo conceito é a revitalização da área portuária de nossa capital, permitindo com que seja criado ao longo de nossa orla um belíssimo complexo turístico que servirá como interação com a nossa “Estação das Docas”; um presente dado a Belém pelo Governador Almir Gabriel, a qual se soma o Terminal Hidroviário Luiz Rebelo Neto, construído pelo Governador Simão Jatene, dando dignidade aos passageiros de nossas embarcações quando da sua chegada a nossa capital. Este projeto ainda dá um arranjo no trecho final da Av. Souza Franco, um lamaçal transformado nesta bela avenida pelo Prefeito Nélio Lobato, projeto executado pela ECCIR sob a batuta de meu eterno guru, engenheiro Manoel Ibiapina Cavaleiro de Macedo, e posteriormente rejuvenescida pelo Prefeito Hélio Gueiros, chegando até o aprazível “Ver-o- Rio”, construído pelo Prefeito Edmilson Rodrigues, de uma beleza simples e regional; tudo isso motivará o Prefeito Zenaldo Coutinho, como é de sua vontade, restaurar a feira do “Ver-o-Peso”, seus mercados e anexos.
Para que isso possa ocorrer, temos que nos unir, em um só pensamento de transformar Belém em uma cidade eminentemente turística.
Na contramão dessas boas ideias, tomamos conhecimento que o antigo prédio da Receita Federal, localizado exatamente no meio deste corredor turístico, foi doado à Justiça do Trabalho, que ali se instalará. Não temos condições de opinar sobre as suas necessidades, muito embora saibamos que, caso a reforma trabalhista seja aprovada, deverá cair o número de ações, resultando em uma menor necessidade de espaço físico.
Porém, alertamos o Senhor Prefeito de Belém para o problema com a mobilidade urbana, pois essa instituição criará um fluxo de pessoas, cujo objetivo não é, nem visitar o corredor turístico nem ter acesso ao Centro Comercial, mas sim participar de um processo judicial, com seus Juízes, Funcionários, Advogados, Prepostos, Reclamantes e testemunhas, que, embora estranhos, se somarão ao público foco destes empreendimentos.
Esta preocupação não tem nenhum sentido de crítica e sim de alerta para que no futuro tenhamos uma Belém que atenda com dignidade os turistas que aqui virão, dando-lhes conforto e mobilidade para que todos conheçam a beleza da nossa “Cidade das Mangueiras”, livre de um fluxo de pessoas que nada tem a ver com este propósito.

Além do mais, do ponto de vista de engenheiro, agora sim no sentido de crítica, este prédio foi construído na década de 60, sofreu um incêndio de grandes proporções que lhe causou danos estruturais. Não tenho conhecimento do custo da restauração e adequação, porém, uma obra desta envergadura e complexidade, dificilmente, ao começarmos, saberemos o custo final; são paredes, tubulações etc. muito antigas. Na brincadeira, comentamos entre nós, engenheiros, ao derrubarmos uma parede, caem três e os problemas se sucedem, e concluiremos que o correto seria implodi-lo para construção de algo novo, sem custos para o governo, através de uma parceria público-privada, em uma atividade inserida no contexto de nossos planos turísticos, talvez um hotel de primeira linha com vistas para o nosso belo rio mar. Reafirmo, a decisão posta está na contramão dos sonhos da sociedade belemense.
Finalizamos, rogando que a “Justiça do Trabalho” fique onde está, na Praça Brasil, onde já foram enterrados os sonhos de muitos empreendedores, não por culpa de seus dirigentes, juízes e funcionários, mas simplesmente pela nossa CLT caduca, um misto de fascismo de Benito Mussolini, dos anos 40, com o esquerdismo de Lênin, implantado no Brasil a partir dos anos 60, com um interregno de 20 anos do regime militar, crescente no que caracterizamos de “anos da redemocratização” tão bem simbolizados pelos Governos de Fernando Henrique e Lula. Este registro, seguramente, permitirá manter nossos sonhos onde se inclui a restauração total do “Centro Comercial Histórico”, o “Complexo Feliz Lusitânia” e o “Corredor Turístico de Belém”, do “Ver-o-Rio” até o “Porto do Sal”, às margens do Rio Pará.

Engo JOSÉ MARIA DA COSTA MENDONÇA
Presidente do Centro das Indústrias do Pará – CIP

E-mail: mendonca@fiepa.org.br

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