Opinião


Tenho tido a satisfação de ver que algumas entidades vêm recrudescendo suas discussões sobre Belém; umas de caráter crítico, outras de forma reivindicatórias, o que é normal, pois a aproximação dos 400 anos da nossa capital, excita e expõe nossos nervos, já que os interesses são múltiplos.
Temos que procurar soluções que sejam econômicas e ecologicamente corretas, abro aqui um parêntese para narrar um fato quando da discussão do Zoneamento Macro Econômico Ecológico do Estado do Pará. Em uma das muitas reuniões havidas, uma jovem, do alto de sua sabedoria, se levantou e propôs que deveríamos mudar a ordem do título, que o correto seria Zoneamento Macro Ecológico Econômico do Estado do Pará. Sempre discuto aceitando a pluralidade de opiniões, porém, sou muito franco ao expor minha opinião por respeito aos participantes. Disse à jovem que, para mim, pouco importava ser Econômico Ecológico ou Ecológico Econômico, desejava, porém, que fosse rapidamente aprovado, mas lembrava que “liso” (sem recursos) não defende o meio ambiente, precisamos de recursos para sermos ecologicamente corretos, fechando o parêntese. Insisto que, em conjunto (empresários, trabalhadores, governos e sociedade civil em geral) discutamos pontualmente a Belém que desejamos pós 400 anos.
Ao expor nossas opiniões, não devemos pensar que todos concordarão conosco. Vou me manifestar sobre alguns projetos que estão em discussão e precisam de decisão.
Pátio de Contêineres – Sua localização é às margens da baia de Guajará, em um trecho do porto de Belém, situado entre a Av. de Souza Franco e a Ocrim (ao lado do Ver-o-Rio). O projeto apresentado prevê o fechamento de um trecho da rua Rui Barata e a abertura da rua de Belém, dando melhor acesso ao bairro comercial. Os dois últimos galpões do porto precisam ser removidos para outro local, entretanto, é importante que saibamos que, mesmo que o pátio de contêineres não venha ser aprovado, esses galpões terão de qualquer forma que ser removidos, pois já causaram vários acidentes envolvendo os arrumadores do cais do porto, pela proximidade da margem do rio, não existe espaço de manobra para os equipamentos.
Os pequenos e médios empresários que exportam seus produtos precisam, urgentemente, da implantação deste pátio; os que são contra, alegam que vamos destruir os galpões de ferro do cais do porto. Esta argumentação é risível, ninguém quer destruir os galpões, desejamos que sejam recolocados em um local que seja útil e a comunidade os utilize. Outros, com o objetivo de não permitir a implantação do projeto, levantam a propositura que com o aumento do número carretas em direção ao porto, tornaria o trânsito um caos e, como está na moda, atingiria a mobilidade urbana. Conheço muitos engenheiros nascidos e criados no Pará, particularmente em Belém, que resolveriam este problema em um curto espaço de tempo, desde que houvesse vontade política, aliás, alguns já expressaram suas ideias.
Parque de Belém – A proposta é tirar o aeroclube do local em que se encontra e levar para um local um pouco mais distante dos bairros residenciais. Em minha opinião, o aeroclube deveria ser relocalizado no município de Marituba, pois precisamos criar atividades fins neste município que hoje funciona como cidade dormitório de Belém e Ananindeua.
A criação deste parque daria aos belemenses mais um local de lazer, complementaria o parque ecológico que fica na mesma Av. Júlio Cézar e, com um projeto um pouco mais ousado, resolveria, de forma definitiva, o problema de estacionamento do Hangar Centro de Convenções, localizado ao lado, e da futura Assembleia Legislativa que ficará em frente.

Por ser óbvio que o Aero Clube terá que sair de onde está, tornaríamos este local um bem público, o Parque de Belém, que foi uma ideia do engenheiro Nelson Chaves, no ano de 1989, quando de sua passagem pela Câmara Municipal; já se passaram 25 anos e nenhuma providência foi tomada. Precisamos decidir ou surpresas poderão vir por aí, a expansão imobiliária é irreversível.
Por fim, um alerta de um engenheiro preocupado com o destino de nossas águas: – Precisamos ser mais cuidadosos com nossa drenagem pluvial. Vimos nos últimos anos um avanço significativo que foi a ideia ressurgida de galerias retangulares; insistimos que seja mantida. Belém é uma cidade plana, de pouco desnível e o assoreamento sempre haverá, só que a limpeza das retangulares é mais fácil do que das tubulares, então, é imperativo que nos troncos principais, repetimos, sejam galerias retangulares.
Belém é nossa, com seus cheiros, sabores e defeitos. Pensemos no além de nossos 400 anos!

Eng. José Maria da Costa Mendonça
Presidente do Centro das Indústrias do Pará-CIP

E-mail: [email protected]