A necessidade de construir hidrelétricas plenas

Por José Mendonça

É importante que o Brasil volte a construir grandes e médios complexos hidrelétricos, priorizando a construção de grandes reservatórios para acumular bastante água. Esta é a premissa para termos um futuro promissor como nação livre, soberana e forte.

O sistema elétrico brasileiro está defasado, por uma política pública nefasta aos nossos interesses. Alguns afirmam que estes são os efeitos da “guerra de quinta geração”, que destrói as aspirações de uma sociedade, de dentro para fora, utilizando-se de desavisados ou mal-intencionados que agem de forma a obstar o desenvolvimento.

O Estado do Pará é hoje a grande fronteira de geração hidráulica da nação brasileira. No nosso território, os escudos das Guianas e do Planalto Central avançam sobre a Amazônia, criando pontos de desníveis interessantes propícios ao aproveitamento hidrelétrico de nossos rios.

Nas bacias do Tocantins/Araguaia, Xingu e Tapajós, podemos construir barragens para melhorar a navegabilidade, para a geração de energia elétrica e outros multi aproveitamentos; assim estaríamos entrando no curso da história que nos recomenda guardar água doce no interior do território. Um dado que merece reflexão:

Os EUA, nação mais desenvolvida do planeta, tem em seu território, que é um pouco maior que o território brasileiro, cerca de 75.000 barragens. No Brasil chegamos a algo em torno de 10.000 barragens. Uma diferença pequena em área territorial e enorme no número de barragens.

Essa constatação motivou a declaração do Prof. Francisco Gomide quando palestrava na PUC-RJ, em 2018, chamando de “fundamentalistas equivocados” os adeptos de uma campanha negativa em relação às usinas hidrelétricas e barragens que já dura 40 anos no Brasil. Como se constata, caminhamos na contramão da história.

Outro grande estudioso no assunto, Prof. José Goldemberg, declarou: “a opção por hidrelétricas com reservatórios menores, ou até inexistente, é equivocada”. Esta declaração foi motivada pelo levantamento efetuado em 2017, onde se constatou que nossos reservatórios hidrelétricos tinham água para, no máximo, 03 meses de energia assegurada, lembrando que em 1986 tínhamos para 20 meses (fonte: Instituto Acende Brasil).

É importante a volta da construção de grandes e médios complexos hidrelétricos. No entanto, precisamos antes derrubar a resolução do Conama que proíbe novos aproveitamentos hidrelétricos na bacia do rio Xingu, assim como obriga a construção de somente hidrelétricas a fio d’agua na Amazônia, ou seja, sem ou com pequenos reservatórios.

Neste particular, saiu um artigo, em janeiro de 2018, escrito pelo Prof. José Goldemberg, com o título “A reabilitação das usinas hidrelétricas”, pontuando que “existem impactos locais como ocorreram em Belo Monte. Sucede que estes custos precisam ser comparados com os benefícios que decorrem destas usinas para o restante da população brasileira”.

Aqui cabe a nós, sociedade paraense, mitigarmos para que parte da energia gerada nas futuras hidrelétricas construídas em nosso território seja ofertada a nós, sociedade paraense, a preço de custo; tudo é uma questão de negociação, porém, nunca impedindo a construção destes complexos.

 Existe uma parte da sociedade brasileira que foi impregnada pela propaganda e defende a implantação de usinas eólicas e fotovoltaicas. Meu conhecimento permite dizer que estas são intermitentes, logo, não tão confiáveis, já que precisamos de ventos fortes para geração eólica e de sol para geração fotovoltaica.

Não as vejo como substituição das hidrelétricas e sim como complementares: Com vento forte ou com o sol pleno, as eólicas e as fotovoltaicas enquanto estiverem em atividades, os nossos reservatórios hidrelétricos estarão economizando água.

Neste particular, consubstanciou esta minha opinião o fato da Alemanha, que se encontra muito avançada na construção de usinas eólicas e fotovoltaicas, ter optado por construir nos últimos anos 23 termoelétricas movidas a carvão mineral, para assegurar um avanço seguro de seu setor industrial.

Aqui deixo esta informação como fonte de meditação e reflexão. Encerro insistindo que devemos voltar, imediatamente, a construir hidrelétricas com grandes lagos. Na bacia do rio Xingu poderíamos construir duas hidrelétricas: uma no rio Iriri, outra no rio Xingu, antes deste rio receber as águas do rio Iriri.

Isso faria com que Belo Monte gerasse energia na estiagem do rio Xingu, e melhoraria de forma substantiva sua produção média anual, afastando definitivamente a possibilidade do problema ambiental que pode vir a surgir na volta grande do Xingu. Precisamos trabalhar o hoje, pensando no amanhã.