A adolescência é uma fase da vida marcada por mudanças, com alterações biológicas, físicas, sociais e psicológicas. Os pais se deparam com filhos que em vários momentos parecem desconhecer, pois os mesmos apresentam consideráveis transformações em seus comportamentos, na forma de expressarem os sentimentos e de se colocarem frente às famílias e até mesmo à sociedade. Essas alterações podem influenciar na rotina das famílias e, assim, conflitos tendem a surgir.

Alguns adolescentes acabam se afastando um pouco dos pais e demais familiares, preferindo estar com os amigos, sendo este um comportamento considerado normal nesta fase da vida. Isso pode ocorrer devido à instabilidade emocional, às dúvidas, às angustias, às responsabilidades que eles precisam assumir, à construção da própria identidade e às novas formas de se relacionar com as pessoas. No entanto, é preciso atenção quanto à ausência da comunicação, deixando canais sempre abertos para que o diálogo ocorra.

Para estabelecer um diálogo saudável e conquistar a escuta do adolescente, é necessário acertar a dose entre rigidez e liberdade. Essa não é uma tarefa fácil e a grande sacada é saber apresentar limites, mas com abertura para escutá-los. Por mais absurdas que sejam as colocações, a escuta deve existir sem pré julgamentos.

Esse período é difícil para os próprios adolescentes, já que existem muitas alterações nos sentimentos, na autoestima e uma considerável instabilidade de humor. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde ( OPAS), em 2016 o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo, ficando clara a necessidade de atenção à comunicação com os adolescentes.

Fale com o seu filho sempre que puder, mesmo que, a princípio, ele não demonstre que queira conversar. Aproveite a ida para o colégio, o retorno do shopping, durante algum percurso, conversando sobre assuntos que ele goste e que tenha afinidade para escutar.

Quando o adolescente iniciar uma conversa, evite interrompê-lo e perceba que ele tem as suas próprias opiniões. Nem tudo o que ele pensa diferente de você é um confronto, nem sempre as verdades dos pais são absolutas e eles podem desejar ter um estilo próprio. Os excessos devem ser pontuados, por isso seja firme, mas simultaneamente compreensivo.

Outra situação delicada é referente às curiosidades, principalmente sobre a adolescência dos pais, namoros, festas e outros assuntos desta fase, portanto responda com clareza e forneça as informações que você acredita que ele deva ter acesso, perguntando-lhe sua opinião sobre o assunto e escutando as respostas, de preferência sem interrompê-lo.

Mostre interesse pelos assuntos que eles abordem, mesmo que você não concorde com as ideias e argumentos que eles lhe apresentem. Isso não significa que você irá aceitar, porém eles vão se sentir acolhidos e respeitados.

Evite abordar um adolescente com interrogatórios e excesso de críticas frente aos desejos, aos gostos e aos seus sentimentos; é possível orientá-lo e levá-lo a uma reflexão sem confrontos ou imposições. Os pais devem impor regras com consequências caso as mesmas não sejam cumpridas, por isso pense antes de estabelecer os combinados e cuidado com os excessos, pois caso ele não seja responsabilizado pelas suas ações, a leitura do adolescente será de que ele nunca terá consequências frente a atitudes inadequadas.

É primordial que na relação com um filho adolescente você deva ser coerente e manter um padrão de limite, alterando conforme a idade, e não castigá-lo severamente em uma semana, sendo que na outra simplesmente ignorou o ocorrido.

Não confunda responsabilidades com prémios devidos a comportamentos que são importantes e fundamentais para o seu crescimento.  Deseje ser amado, aceite ser recusado, porém mantenha um padrão de disciplina de acordo com o que você acredita ser importante para o seu filho.

Cuidado para não comprar amor e pagar por abraços.

Quem ama abraça, fornece carinho, porém também diz não e permite experimentar a frustração, sempre com diálogo.

Bianca Ribeiro é psicóloga, graduanda em direito pós graduadaem saúde.

@sapienciademulher

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