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Cartaz Semana dos Povos IndígenasRealizou-se na cidade de São Félix do Xingu, no sudeste paraense, mais uma edição da Semana dos Povos Indígenas, quando as etnias Kayapó, Tembé, Gavião, Wai Wai, Kuxuyana, Xikrin, Guajajara, Parakanã, Surui e Munduruku participaram de atividades culturais, sociais e esportivas. Instituições estaduais estiveram presentes para prestar serviços de saúde e cidadania. Seminários e palestras com as lideranças também fizeram parte da programação.

A chegada dos povos indígenas a São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, marcou o início da programação da Semana dos Povos Indígenas.

Um grande espetáculo na orla do rio Fresco foi formado com a aproximação de quase 60 embarcações provindas das aldeias localizadas às margens do rio Xingu e seus afluentes. Em trajes tradicionais, os ocupantes dos barcos apresentaram cantos e danças de cada etnia.

Cada embarcação percorreu aproximadamente 200 quilômetros para buscar os personagens principais da semana. Entre eles, Amaury Kayapó da aldeia Ngômejti, coordenador indígena pela Associação Floresta Protegida (AFP). “Nosso direito ainda existe. Os parlamentares nos colocam como se todos fossemos iguais. Não é isso. O indígena continua sendo indígena com toda sua identidade e culturas próprias. E a presença da nossa cultura aqui na Semana dos Povos Indígenas é uma prova disso”, comentou, ao mencionar que em Brasília ainda falta conhecimento por parte dos dirigentes sobre o que os povos tradicionais representam para a história brasileira.

A AFP é uma organização indígena sem fins lucrativos que representa atualmente 17 comunidades (cerca de 3.000 indígenas) do Povo Mbêngôkre / Kayapó localizadas no sul e sudeste do estado do Pará. Treze aldeias estão localizadas na Terra Indígena Kayapó (Apêjti, Àukre, Kndjêrêkrã, Kôkrajmôrô, Krmajti, Kubnkrãkêj, Môjkàràkô, Ngômejti, Pykarãrãkre, Pykatô, Pykatum, Rikaro e Tepdjati), duas estão localizadas na Terra Indígena Mkrãgnoti (Kawatire e Kndjam) e duas na Terra Indígena Las Casas (Tekrejarôtire e Kaprãnkrere).

Da aldeia Môjkàràkô veio Bepdja Kayapó que destacou que, apesar da distância e do longo percurso no deslocamento, a presença das diferentes etnias na Semana dos Povos Indígenas é muito gratificante. “É muita alegria na chegada e somos muito bem recebidos pelos moradores de São Félix”.

“O mundo tem que conhecer nossa tradição para aprender a respeitá-la. Esperamos que nossas reivindicações sobre a identidade cultural e sobre nosso território sejam ouvidas pelas autoridades que estarão presentes nestes dias”, ressaltou Bepdja.

Os Campeões

Domingo de competições na Semana dos Povos Indígenas, em São Felix do Xingu, no sul do Pará. Além de arco e flexa, as aldeias se confrontaram em provas de atletismo e futebol de salão feminino. FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 16.04.2017 SÃO FÉLIX DO XINGU - PARÁ
Domingo de competições na Semana dos Povos Indígenas, em São Felix do Xingu, no sul do Pará. Além de arco e flexa, as aldeias se confrontaram em provas de atletismo e futebol de salão feminino.
FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 16.04.2017
SÃO FÉLIX DO XINGU – PARÁ

O guerreiro Brite Kayapó, de 40 anos, da aldeia OredJã, foi o campeão do esporte indígena mais tradicional, o arco e flexa. Ele disputou com mais 19 guerreiros de outras aldeias.

Brite Kayapó comentou que a modalidade faz parte de sua vida desde a infância, quando os indígenas utilizam os instrumentos para as brincadeiras entre amigos. Quando adulto os instrumentos são utilizados tanto para a caça quanto para a defesa da aldeia. “Faz parte da nossa cultura. Aqui não é uma competição e sim uma comemoração da cultura de todos nós índios”, declarou o campeão.

Domingo de competições na Semana dos Povos Indígenas, em São Felix do Xingu, no sul do Pará. Além de arco e flexa, as aldeias se confrontaram em provas de atletismo e futebol de salão feminino. FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 16.04.2017 SÃO FÉLIX DO XINGU - PARÁO atleta Xwakre Kayapó, da aldeia Assiste, conquistou o segundo lugar na corrida de 100 metros. Para ele, apenas participar da competição já foi uma vitória. “Eu treinei muito na aldeia pra poder estar aqui”, declarou.

No futebol de salão feminino o time de indígenas da aldeia Pykararãnkre foi a primeira equipe que se destacou. Segundo o técnico da equipe, Akaikrã Kayapó, as indígenas se prepararam apenas durante o final de semana, já que nos dias de semana elas têm que executar diferentes tarefas, entre as quais cuidar das crianças e da alimentação da aldeia. A equipe é formada por jovens entre 14 e 18 anos.

Abertura oficial

Na cerimônia oficial de abertura da Semana dos Povos Indígenas a mesa oficial contou com a presença das lideranças indígenas de todas as aldeias Kayapó presentes no evento, assim como da etnia Gavião Krikatejê, do município de Boa vista do Tocantins, no sudeste do Pará.

O Governo do Estado estava representado no evento por lideranças indígenas que fazem parte do Executivo, como a gerente de Promoção e Proteção dos Direitos dos Povos Indígenas da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Puyr Tembé, e do coordenador estadual de Educação Indígena da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Mydjere Kayapó Megrangnotire.

A Semana dos Povos Indígenas recebeu aproximadamente quatro mil indígenas do rio Xingu e seus afluentes. São cerca de 20 aldeias da etnia Kaiapó.

Para Puyr Tembé, o Governo do Estado tem a disposição de dialogar com o movimento social, entre estes movimentos está o dos povos indígenas. “Através da nossa representação podemos colocar ao poder público nossas reivindicações e demandas e isso é uma grande conquista”.

A representante Tembé também ressaltou que esta semana é muito importante para os povos indígenas, que estão mobilizados para evitar que direitos conquistados na Constituição de 1988 sejam retirados. “Temos que nos manter fortes e nos juntarmos a todos os povos indígenas do Brasil para pautarmos nossos direitos junto ao Congresso Nacional”, explica.

Mydjere Kayapó Megrangnotire ressaltou que os indígenas devem ocupar seu lugar por direito junto ao Poder Público, tanto na Educação quanto nos direitos humanos e na Saúde. “O representante indígena pode dialogar direto com os seus parentes, sem precisar agendar e nem enfrentar muita burocracia. Esta é primeira vez que um Kayapó ocupa uma cadeira dentro de um governo e este é um grande avanço para o nosso povo”. “Esta semana é muito representativa para nós indígenas, para que a sociedade reflita sobre nossos direitos, que todas as semanas sejam nossas semanas e todos os dias sejam nossos dias”, ressaltou.

Durante a cerimônia foi entoado o Hino Nacional Brasileiro por Mokuká Kayapó e a apresentação de números da cultura indígena tradicional por alunos da educação indígena da aldeia Môxkarako, do município de São Félix do Xingu. O evento também contou com a presença da prefeita do município, Minervina Barros, a anfitriã e realizadora da Semana e seu secretariado, assim como autoridades locais.

Governo do Estado entrega títulos de terras

O governador Simão Jatene homenageou as etnias presentes na Semana dos Povos Indígenas, reconhecendo que os povos tradicionais são a origem da identidade do povo brasileiro. “Caso vocês desistam da luta pela sua identidade nós perderemos nossa raiz”, destacou. O governador ainda entregou 30 títulos definitivos de terra para produtores rurais e premiou os vencedores das primeiras modalidades disputadas pelos indígenas.

“A Semana dos Povos Indígenas é uma oportunidade emblemática para a entrega desses títulos, pois é um momento de comemoração da paz e das diferenças”, pontuou o chefe do Executivo. O governador parabenizou o número de etnias presentes em São Félix e destacou que as diferenças deixam de existir quando o objetivo é criar uma sociedade mais justa e fraterna. “Juntos seremos capazes de enfrentar este momento tão difícil que o País está atravessando”, comentou.

O governador Simão Jatene também entregou o título da área patrimonial e expansão urbana do município de São Félix do Xingu, referente a uma área de 2.420,83 hectares.

O título da légua patrimonial era uma demanda que se arrastava há anos porque, no passado, houve uma descrição equivocada dos polígonos, e isso precisou ser retificado. “Esta é uma reivindicação antiga do município. Por divergências de informações e de pareceres, o processo precisou passar por reformulação quanto aos perímetros da área a ser beneficiada e, somente agora, com a conclusão dos estudos, pode ser retificado o decreto que assegurava o repasse das terras urbanas ao município”, destacou Daniel Lopes, presidente do Instituto de Terras do Pará (Iterpa).

O produtor rural José Almeida de Araújo, 33 anos, foi beneficiado com o título definitivo de suas terras, localizadas na Colônia Matogrosso, na zona rural de São Félix do Xingu. Há 10 anos ele esperava para ter a posse definitiva da terra onde planta milho, mandioca e arroz, e cria gado. Ele foi um dos primeiros a receber o documento. “É  muito gratificante receber o título definitivo de proprietário, que recompensa todo o trabalho aplicado. E é mais gratificante ainda receber das próprias mãos do governador”, comemorou.

Homenagem 

O governador entregou as medalhas aos primeiros, segundos e terceiros colocados das modalidades atletismo, arco e flecha e futebol de salão.

Jatene também recebeu das mãos dos caciques uma carta com as reivindicações dos povos indígenas que participam do evento. A carta contém, entre outros itens, a garantia dos direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988, como o direito à identidade cultural e aos direitos originários sobre as terras que são ocupadas tradicionalmente por estes povos.

“Na carta pedimos ao governador que olhe pelo povo Kayapó e também por todos os povos tradicionais do Estado. Ajudar também o povo Kayapó a resgatar a cultura e abrir as portas para receber as lideranças indígenas do Estado. Mais do que comemorar nossa cultura, nós queremos apoio para o nosso povo”, afirmou o cacique Bep-Nhoti Kayapó.

Os caciques solicitaram ao governador dois ônibus para o transporte dos indígenas até Brasília (DF) no final de abril. Na ocasião, será realizado evento que reunirá os povos indígenas de todo o Brasil. Eles apresentarão ao Congresso Nacional as reivindicações dos povos tradicionais do País.

A secretária de Integração de Políticas Sociais, Izabela Jatene, destacou que é fundamental integrar as políticas públicas para todos os movimentos sociais. “Os povos indígenas, especialmente nesta região, têm uma presença muito forte. Temos que garantir uma convivência permanente na construção de políticas para este povo. Este é um município que tem uma integração plena, que convida e convive de forma muito harmônica com os povos indígenas”, destacou a secretária.

A comitiva que acompanhou o governador a São Félix do Xingu foi composta por Izabela Jatene; pelo vice-governador Zequinha Marinho; pela secretária de Estado de Assistência Social, Trabalho Emprego e Renda, Ana Cunha; pela secretária de Esporte e Lazer, Renilce Nicodemos; pelo presidente da Assembleia Legislativa do Pará, deputado Márcio Miranda, e pelos parlamentares Miro Sanova e Jaques Neves Filho.

Governo emite 1,5 mil documentos

A luta pela manutenção da identidade cultural dos povos indígenas é uma das principais bandeiras do cacique Aky Abro Kayapó (foto). O cacique é a imagem das peças publicitárias da Semana dos Povos Indígenas que começa neste sábado, 15, e segue até o dia 19 de abril, em São Félix do Xingu, no sudeste paraense.    FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 15.04.2017 SÃO FÉLIX DO XINGU - PARÁ
A luta pela manutenção da identidade cultural dos povos indígenas é uma das principais bandeiras do cacique Aky Abro Kayapó (foto). O cacique é a imagem das peças publicitárias da Semana dos Povos Indígenas que começa neste sábado, 15, e segue até o dia 19 de abril, em São Félix do Xingu, no sudeste paraense.
FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 15.04.2017
SÃO FÉLIX DO XINGU – PARÁ

A Ação Cidadania do Governo do Pará, em São Félix do Xingu, garantiu aproximadamente 1.500 documentos, como Registro Geral, Carteira de Trabalho e Previdência Social e Certidão de Nascimento, além de atendimento jurídico aos moradores da cidade e indígenas dos povos Kayapó, Tembé, Way Way, Kaxuyana, Xikrin, Guajarara, Gavião, Parakanã, Surui e Munduruku.

O trabalho foi articulado pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) com a Prefeitura Municipal e recebeu apoio da Fundação Pro Paz. Mais de 1.400 fotografias 3×4 também foram produzidas para atender as demandas da região durante o evento.

O cacique Akjaboro Kayapó recorreu à ação e afirmou que projetos deste tipo aproximam os povos tradicionais do Governo do Pará. “Nosso povo só tem a agradecer ao governador Simão Jatene, que veio a São Félix e reafirmou o seu compromisso com a nossa gente”, declarou Akjaboro, liderança em toda região.

Outra liderança indígena, Ykaryrydja Kayapó, aproveitou a presença do Governo do Pará na região para garantir a Certidão de Nascimento e o RG da sua neta Ngreturoro. “A identidade é muito importante quando o nosso povo busca serviços de saúde nos hospitais e postos de saúde”, explicou.

Atuaram na caravana servidores da Fundação Pro Paz, por meio do programa Pro Paz Cidadania; das Secretarias de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), por meio do Projeto Cidadão, de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), por meio da Polícia Civil; de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), assim como Defensoria Pública do Estado do Pará, que ofereceu atendimento jurídico.

Cidadania

A chegada dos povos indígenas a São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, no final da tarde deste sábado (15), marcou o início da programação da Semana dos Povos Indígenas. Um grande espetáculo na orla do rio Fresco foi formado com a aproximação de quase 60 embarcações provindas das aldeias localizadas às margens do rio Xingu e seus afluentes.  FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ DATA: 15.04.2017 SÃO FÉLIX DO XINGU - PARÁ
A chegada dos povos indígenas a São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, no final da tarde deste sábado (15), marcou o início da programação da Semana dos Povos Indígenas. Um grande espetáculo na orla do rio Fresco foi formado com a aproximação de quase 60 embarcações provindas das aldeias localizadas às margens do rio Xingu e seus afluentes.
FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 15.04.2017
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Para o professor indígena Bepgogoti Kayapó, 39 anos, originário da aldeia Kubekraken, um dos maiores ganhos da Semana foi a instalação do curso Técnico de Magistério em Educação Indígena. O curso será executado pelo Governo do Estado e coordenado pela Secretaria Municipal de Educação de São Félix do Xingu e deverá atingir todo o povo Kayapó que vive nas regiões sul e sudeste do Pará. A formação iniciará com uma turma de 48 alunos em maio e outra no segundo semestre e terá a duração de quatro anos. Bepgogoti comenta que saiu de sua aldeia para adquirir o conhecimento do homem branco e transmitir ao seu povo, para estimular o desenvolvimento de sua cultura e tradição.

Ele estudou em escola estadual de Redenção e Pau D’Arco, no sul do Pará, e hoje cursa na Universidade Estadual do Pará licenciatura em Educação Intercultural Indígena. Bepgogoti fala duas línguas e já transmite todo o conhecimento que recebe nas aldeias em que trabalha. “A semana é importante para todos os povos e alunos que participaram. Os indígenas mais novos puderam ter contato com as danças, pinturas e artesanatos de outras aldeias e assim o conhecimento foi transmitido para as novas gerações e para toda a sociedade. Foi um ganho enorme”, concluiu.

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