Sarmago

Com uma proposta narrativa peculiar, a exposição “Saramago – Os Pontos e a Vista” proporciona ao visitante um encontro com as dimensões da vida de Saramago que permearam sua produção literária. Para isso, os módulos expositivos foram organizados de forma linear, mas não cronológica, convidando o visitante a um passeio guiado pelo universo do autor. Para isso, haverá ilustrações no piso indicando o percurso de toda a área expositiva.

A ideia é que o visitante veja o mundo pela perspectiva de Saramago, reconheça seu comportamento inquieto e desassossegado frente ao mundo, ou simplesmente acompanhe o autor ao relatar memórias, devaneios e reflexões sobre a vida. Em um dos módulos expositivos, intitulado Visão, o público poderá assistir ao autor falando sobre o estado de cegueira do mundo atual. Para isso, os visitantes usarão óculos interativos que simulam o grau de miopia do próprio autor, experimentando em um primeiro momento a sensação de vista nublada e que é normalizada ao final da exibição do vídeo.

Essa proposta expressa a postura inquieta de Saramago em busca do autoconhecimento. Como dito pelo autor em uma de suas obras mais festejadas “Ensaio sobre a cegueira”: “Durante a vida deve-se buscar uma coisa que há dentro de nós, uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. Assim como nos livros do autor, cada visitante viverá uma experiência imaginativa particular, na qual realidade e literatura se mesclam e fazem cada um (re)pensar o seu papel no mundo.

O homem-escritor Saramago:

Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, em Portugal, no dia 16 de novembro de 1922. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. Fez estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não pode prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhista, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, o romance Terra do Pecado, em 1947, tendo estado sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos em uma editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 integrou a redação do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. A partir de 1976, passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Em fevereiro de 1993 decidiu dividir o seu tempo entre a residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha). Em 1998 foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura. José Saramago faleceu aos 87 anos, em 18 de junho de 2010, em Lanzarote. Sua obra é reconhecida como um dos maiores legados da literatura contemporânea.

A exposição em Belém integra o calendário oficial de celebração dos 20 anos de atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago, com eventos organizados pela Fundação José Saramago em parceria com entidades públicas e privadas, em Portugal e em vários outros países. As celebrações tiveram início em outubro, com a visita a Lanzarote dos Primeiros-Ministros de Portugal e Espanha, António Costa e Pedro Sánchez, e à ilha convertida em jangada de pedra ao encontro de outros continentes. Posteriormente, ocorreu o Congresso Internacional José Saramago: 20 Anos com o Prêmio Nobel, na Universidade de Coimbra, assim como foram realizadas conferências em diversos países.

As comemorações se encerram no dia 15 de dezembro, em Lisboa, com a estreia mundial da sinfonia Memorial, composta por António Pinho Vargas, que assinala os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com essa sinfonia, baseada em três romances de José Saramago, será lançada a proposta da Declaração Universal dos Deveres Humanos.

SERVIÇO:
Exposição “SARAMAGO – Os pontos e a vista”
Entrada franca
Local: Museu do Estado do Pará (Endereço: Praça D. Pedro II, s/n – Cidade Velha, Belém)
Funcionamento: De terça a domingo, no período de 15 de dezembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019.
Horários: De terça a sexta, das 10h às 17h; sábado, domingo e feriados, das 9h às 13h.

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