Resultados e futuro do Instituto Mamirauá são pauta de sessão solene no Senado Federal em homenagem à instituição

Por: www.revistaamazonia.com.br

Aconteceu hoje (27) a sessão solene em comemoração às duas décadas de atuação do Instituto Mamirauá, completadas no último dia 23 de abril. O evento reuniu a diretoria da instituição, representantes de entidades parceiras e do Ministério de Ciência, Tecnologia, Comunicações e Inovações (MCTIC), além do senador Eduardo Braga, autor da proposição, e do deputado federal Capitão Alberto Neto, ambos do Amazonas. 

“A preservação da natureza é prioritária para governos, empresas e famílias do mundo inteiro, qualquer governo sério não pode sobrepor outras agendas à agenda ambiental. Sem um planeta habitável todas as outras questões perdem o seu sentido. Há muita gente trabalhando duro em várias frentes. Várias organizações sociais se destacam nessa luta e uma delas merece todas as homenagens”, disse o senador Eduardo Braga (MDB) em referência ao Instituto Mamirauá. O político também compartilhou a própria experiência pessoal de visita à organização e parabenizou os funcionários que fizeram possível a implementação na região de programas sustentáveis alinhados com o aumento da qualidade de vida das populações ribeirinhas. 

O diretor-geral do Instituto Mamirauá, João Valsecchi do Amaral, ressaltou a importância das tecnologias sociais como os sistemas de abastecimento de água e de energia solar implementados pelos programas da organização na região do Médio Solimões, na Amazônia Central, principal área de atuação do instituto. “Celebrar a atuação e a memória do instituto é uma reafirmação do nosso compromisso com o desenvolvimento regional e a conservação da biodiversidade”, disse.

A pesquisadora do Museu Paraense Emilio Goeldi e presidente do Conselho de Administração do Instituto Mamirauá, Ima Vieira, relembrou a história da instituição desde quando José Márcio Ayres, fundador da organização, junto à uma equipe de pesquisadores, foi responsável pela implementação da primeira reserva de desenvolvimento sustentável do país, a Reserva Mamirauá. “O fortalecimento do Instituto representou também o fortalecimento da ciência brasileira. Os projetos, os indicadores, os monitoramentos, as publicações e tudo o que essa casa entrega dia a dia são necessários para os avanços que tanto precisamos para a ciência e a conservação da Amazônia”, ressaltou.

“A floresta em pé vale mais do que derrubada”, relatou comunitário 

Já o presidente da Associação dos Moradores e Usuários da Reserva Amanã, Edvan Feitosa, relatou o impacto na qualidade de vida pelas ações do instituto nas comunidades ribeirinhas. Entre elas, ressaltou a capacitação de lideranças comunitárias.  “Sou fruto desse trabalho feito pelo instituto. Não só eu, como centenas de lideranças nas comunidades. […] ajuntando a ciência e o tradicional fez com que hoje temos grandes resultados às famílias ribeirinhas. […] A gente se sente muito bem em poder trabalhar com instituto. Se sente bem em fazer com que a floresta em pé valha mais do que derrubada. ” 

O deputado Capitão Alberto Neto (PRB) falou sobre como modelo de desenvolvimento sustentável incentivado pelo Instituto Mamirauá é exemplo para o restante do Estado do Amazonas. “Nosso futuro está no desenvolvimento e na pesquisa das nossas florestas”, disse, ao parabenizar a organização.

Recomposição do orçamento da pesquisa científica

Júlio Semeghini Neto, secretário executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia, Comunicações e Inovações (MCTIC), ressaltou a importância do alcance da tecnologia em comunidades isoladas dos grandes centros e reafirmou o compromisso do órgão governamental para a manutenção do trabalho do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pela pasta. 

“Esteve recentemente no Congresso o ministro Marcos Pontes e um dos pontos bastante importantes discutidos foi a recomposição do orçamento para o Ministério e também para a tecnologia e ciência do Brasil. É importante que a gente retome os níveis pelo menos com o que tivemos até 2014. Hoje trabalhamos com metade disso.  Estive falando aqui com o João [diretor-geral do instituto] e em breve vamos tomar uma decisão para que possamos recompor o orçamento previsto, além de assinar o novo Contrato de Gestão”, afirmou.

“É necessário termos em mente que nos próximos 20 anos precisaremos persistir na produção de conhecimento científico e inovação tecnológica para promover a qualidade de vida das populações da Amazônia. Precisamos olhar com sobriedade o atual cenário econômico do país e precisamos ter a sabedoria para assegurar a manutenção de nossas ações. Nesse sentido, a atuação do ministro Marcos Pontes tem sido fundamental”, classificou o diretor geral do instituto, João Valsecchi.

Texto: Júlia de Freitas